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Selic pode cair mais até o fim de 2026? BTG Pactual muda projeção e explica cenário

BTG Pactual passou a prever Selic de 13,75% no fim de 2026. Entenda o que motivou a revisão e os impactos para crédito, investimentos e economia.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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A expectativa para a taxa básica de juros voltou a mudar. O BTG Pactual revisou sua projeção para a Selic e agora acredita que o Banco Central poderá promover mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026, encerrando o ano com a taxa em 13,75% ao ano.

Até o mês anterior, o banco projetava que os juros permaneceriam em 14,25%, sem novas reduções. A mudança reflete um cenário considerado um pouco mais favorável para o controle da inflação, embora os economistas mantenham cautela diante de fatores que ainda pressionam a economia brasileira.

A revisão chama atenção porque a Selic influencia diretamente financiamentos, empréstimos, investimentos e o ritmo da atividade econômica.

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O que levou o BTG Pactual a revisar a projeção?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Segundo o relatório macroeconômico divulgado pelo banco, dois fatores principais abriram espaço para uma perspectiva de juros um pouco menores.

O primeiro deles foi a melhora do cenário internacional.

A redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio contribuiu para uma queda recente nos preços do petróleo, reduzindo parte das pressões inflacionárias observadas nos últimos meses.

Ao mesmo tempo, indicadores da economia brasileira começaram a apontar uma desaceleração da atividade econômica.

Com menor ritmo de crescimento, tende a haver uma redução da pressão sobre preços, criando condições para que o Banco Central considere novos cortes graduais na taxa básica.

O que é a Selic e por que ela é tão importante?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira.

Ela serve como referência para praticamente todas as operações financeiras do país, incluindo:

  • financiamentos imobiliários;
  • crédito pessoal;
  • empréstimos empresariais;
  • financiamentos de veículos;
  • rendimento de investimentos em renda fixa;
  • custo da dívida pública.

Quando a Selic sobe, o crédito costuma ficar mais caro, enquanto aplicações de renda fixa tendem a oferecer maior rentabilidade.

Já quando a taxa cai, o objetivo é estimular o consumo, os investimentos e a atividade econômica.

Por que o Banco Central ainda deve agir com cautela?

Apesar da revisão nas projeções, o BTG Pactual avalia que o ambiente ainda exige prudência.

Entre os principais fatores que limitam cortes mais intensos estão:

Inflação acima da meta

Embora alguns indicadores tenham melhorado, as expectativas para a inflação seguem acima do objetivo perseguido pelo Banco Central.

Isso reduz o espaço para uma redução acelerada dos juros.

Mercado de trabalho aquecido

A geração de empregos continua relativamente forte.

Um mercado de trabalho resiliente costuma manter o consumo elevado, o que pode dificultar uma queda mais rápida da inflação.

Política fiscal

Os gastos públicos continuam sendo um ponto de atenção para economistas.

Quanto maior a percepção de risco fiscal, maior tende a ser a necessidade de manutenção de juros elevados.

Juros elevados nos Estados Unidos

Outro fator importante é a política monetária norte-americana.

Caso o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, mantenha juros elevados por mais tempo, países emergentes, como o Brasil, tendem a enfrentar maior pressão sobre suas moedas e seus mercados financeiros.

Dólar também teve projeção revisada

Além da Selic, o BTG Pactual alterou sua estimativa para o câmbio.

Agora, o banco espera que o dólar encerre 2026 cotado em aproximadamente R$ 5,40, acima da projeção anterior, que era de R$ 4,90.

A revisão leva em consideração:

  • fortalecimento da moeda americana;
  • manutenção de juros elevados nos Estados Unidos;
  • cenário internacional mais desafiador para países emergentes.

Um dólar mais caro pode pressionar preços de produtos importados e dificultar o trabalho do Banco Central no combate à inflação.

Projeção para a inflação foi mantida

Apesar das mudanças na expectativa para juros e câmbio, o BTG decidiu manter suas estimativas para a inflação.

As projeções permanecem em:

  • IPCA de 5,3% em 2026;
  • IPCA de 4,5% em 2027.

Segundo os economistas, ainda existem fatores que mantêm a inflação resistente, mesmo com a recente redução dos preços internacionais do petróleo.

O banco também revisou as contas públicas

Outro ponto destacado no relatório foi a piora da expectativa para a dívida pública brasileira.

O BTG passou a projetar dívida bruta equivalente a:

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  • 81,6% do PIB em 2026;
  • 85,8% do PIB em 2027.

A revisão considera um cenário de câmbio mais depreciado e desafios fiscais que continuam influenciando as perspectivas econômicas do país.

Crescimento da economia continua moderado

Para o Produto Interno Bruto (PIB), o banco manteve a expectativa de crescimento de 2,0% em 2026.

Já para 2027, houve uma pequena revisão para baixo.

A projeção caiu de 1,3% para 1,1%, refletindo principalmente:

  • juros ainda elevados;
  • menor impulso fiscal;
  • desaceleração gradual da atividade econômica.

Como uma queda da Selic afeta o bolso dos brasileiros?

Mesmo uma redução pequena na taxa básica pode produzir efeitos ao longo do tempo.

Crédito pode ficar mais barato

Empréstimos, financiamentos e linhas de crédito costumam acompanhar o movimento dos juros básicos, embora nem sempre na mesma intensidade.

Renda fixa pode render menos

Aplicações como Tesouro Selic, CDBs pós-fixados e fundos DI tendem a acompanhar a redução da taxa básica.

Isso significa que, com juros menores, o retorno dessas aplicações pode diminuir.

Empresas podem investir mais

Com um custo menor para tomar crédito, empresas costumam ampliar investimentos e projetos de expansão, favorecendo a geração de empregos.

Consumo pode ganhar força

Financiamentos mais acessíveis estimulam compras de imóveis, veículos e bens duráveis, contribuindo para aquecer a economia.

O que esperar para os próximos meses?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Embora o BTG Pactual tenha revisado sua projeção para uma Selic de 13,75% ao fim de 2026, o cenário permanece cercado de incertezas. A trajetória dos juros dependerá da evolução da inflação, do comportamento do câmbio, das contas públicas e das decisões do Federal Reserve nos Estados Unidos.

Por isso, analistas avaliam que o Banco Central deverá manter uma postura cautelosa, realizando eventuais cortes apenas se os indicadores econômicos continuarem mostrando melhora consistente.

Para consumidores e investidores, acompanhar essas movimentações é fundamental, já que a Selic influencia diretamente o custo do crédito, o rendimento das aplicações financeiras e o ritmo da economia brasileira.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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