O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realizou nesta quarta-feira (28) a primeira reunião de 2026 para avaliar o futuro da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. A decisão será anunciada no início da noite, em um encontro marcado por ausências na diretoria do BC.
Com a inflação desacelerando, mas alguns preços, especialmente os de serviços, ainda pressionando, os analistas de mercado esperam manutenção da Selic nos patamares atuais, mesmo com a recente queda do dólar.
Contexto histórico da Selic e decisões recentes
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Desde setembro de 2024, a taxa básica de juros passou por sete aumentos consecutivos, atingindo 15% ao ano. Nas quatro últimas reuniões, porém, não houve alterações, sinalizando uma estratégia de manutenção da Selic para garantir a convergência da inflação à meta.
Para efeito de comparação, o último pico da Selic ocorreu em julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano.
Ausências na diretoria do Copom
O Copom esteve desfalcado nesta reunião. Os diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, tiveram seus mandatos encerrados no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deve encaminhar indicações para os cargos em fevereiro, com a volta do Congresso Nacional.
Essa ausência não deve impedir a tomada de decisão, mas aumenta a atenção do mercado sobre a condução da política monetária.
Inflação em análise
O comportamento da inflação permanece incerto. A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) mostrou alta de apenas 0,2% em outubro, acumulando 4,5% nos últimos 12 meses, atingindo o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O IPCA cheio de novembro será divulgado nesta quarta, influenciando a decisão do Copom. Segundo o boletim Focus mais recente, a projeção de inflação para 2025 caiu para 4,4%, ligeiramente abaixo do teto da meta contínua, de 4,5%.
Pressão de preços de serviços
Apesar da desaceleração da economia, serviços e itens ligados ao consumo doméstico continuam a pressionar a inflação. Esse cenário reforça a necessidade de cautela na definição da Selic, que influencia diretamente o custo do crédito e o ritmo de crescimento da economia.
Como a Selic impacta a economia?
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Ela atua como referência para juros cobrados por bancos em financiamentos, empréstimos e títulos públicos.
- Aumento da Selic: encarece o crédito, estimula a poupança e tende a reduzir a inflação, mas freia a atividade econômica.
- Redução da Selic: torna o crédito mais barato, incentiva consumo e produção, mas pode pressionar os preços.
Além da Selic, bancos consideram risco de inadimplência, despesas e margem de lucro ao definir juros finais ao consumidor.
Funcionamento do Copom
O Copom se reúne a cada 45 dias, em encontros de dois dias. No primeiro, são apresentadas análises sobre a economia brasileira e global, além de tendências do mercado financeiro. No segundo, os membros discutem cenários e definem a taxa básica de juros.
Meta de inflação contínua
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, com meta de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o teto permitido é de 4,5% e o piso de 1,5%.
Nesse modelo, a inflação é acompanhada mês a mês, considerando o acumulado dos últimos 12 meses. Por exemplo, em janeiro de 2026, o BC avalia a inflação desde fevereiro de 2025; em fevereiro de 2026, a análise considera o período a partir de março de 2025.
O último Relatório de Política Monetária projetou IPCA de 3,5% para 2026, mas essa estimativa deve ser atualizada com os dados recentes de inflação e o comportamento do câmbio.
Perspectivas para 2026
O mercado aposta na manutenção da Selic em 15% ao ano até março de 2026, embora a recente queda do dólar para cerca de R$ 5,20 tenha levantado a possibilidade de redução ainda em janeiro.
A decisão do Copom será observada de perto por investidores, empresas e consumidores, pois influencia diretamente o custo de crédito, a poupança e a dinâmica de preços da economia brasileira.
FAQ
O que significa meta contínua de inflação?
A meta contínua de inflação é um modelo em que o Banco Central avalia a inflação mês a mês, considerando o acumulado de 12 meses, com meta de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Como a Selic afeta a economia?
Quando a Selic aumenta, o crédito fica mais caro, o que freia o consumo e ajuda a controlar a inflação. Quando cai, o crédito se torna mais barato, estimulando a economia, mas podendo pressionar os preços.
Considerações finais
A primeira reunião do Copom em 2026 reforça a postura cautelosa do Banco Central diante de um cenário econômico marcado por inflação ainda pressionada em serviços, desaceleração da economia e volatilidade cambial. A manutenção da Selic em 15% ao ano mostra o compromisso da autoridade monetária em garantir a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, mesmo diante de incertezas internas e externas.
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