Em sessão realizada na tarde desta terça-feira, 22 de abril de 2025, a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF) da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou um projeto de lei que marca um avanço importante nas políticas de inclusão: o PL nº 706/2023.
Cotas PCD em concursos: projeto de Lei garante a pessoas com TEA, Down e doenças raras
Pessoas com Transtorno do Espectro Autista poderão concorrer às vagas para deficientes em concursos públicos do DF, segundo novo PL.
De autoria do deputado Eduardo Pedrosa (União), a proposta assegura a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Síndrome de Down e doenças raras o direito de disputar vagas reservadas a pessoas com deficiência em concursos públicos do Distrito Federal.
A aprovação contou com três votos favoráveis e agora o texto segue para análise de outras comissões permanentes antes de ser submetido ao plenário da Câmara Legislativa.
O que muda com o PL 706/2023?

O projeto altera dispositivos legais que tratam da reserva de vagas para pessoas com deficiência, ampliando esse conceito para incluir condições como o autismo, a Síndrome de Down e doenças raras, independentemente do grau, sintomas ou manifestações específicas.
Segundo o deputado Eduardo Pedrosa, a medida busca aprimorar a legislação já existente, principalmente no que diz respeito à Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O objetivo é garantir igualdade de oportunidades, sem criar distorções no processo de seleção pública.
O parlamentar destaca que a mudança não compromete a meritocracia dos concursos, mas sim reforça o princípio da equidade. “O que estamos propondo é a garantia de que essas pessoas tenham acesso justo às vagas, considerando as barreiras que enfrentam na sociedade e no mercado de trabalho”, afirmou Pedrosa durante a reunião.
Aspectos legais e sociais do projeto
A proposta segue alinhada à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), da qual o Brasil é signatário. Também se baseia na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que prevê adaptações e direitos para garantir a plena participação de pessoas com deficiência em todas as esferas da vida social.
Além disso, a medida está em conformidade com a Lei nº 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
Impacto social e visibilidade para o TEA
A aprovação da proposta pode representar um marco importante na luta por inclusão social. Estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros convivam com o Transtorno do Espectro Autista.
Muitas dessas pessoas enfrentam dificuldades não apenas no diagnóstico e tratamento, mas também no acesso ao mercado de trabalho. Com o novo projeto, a tendência é que essas barreiras sejam minimizadas por meio de políticas públicas mais eficazes.
Avanços paralelos na pauta da saúde

Na mesma reunião, foi aprovado o PL nº 369/2023, de autoria do deputado Gabriel Magno (PT), que trata da Política Distrital de Atenção Integral às Imunodeficiências Primárias. Esse tipo de condição genética afeta o desenvolvimento do sistema imunológico, tornando o indivíduo mais vulnerável a infecções.
A proposta reconhece as pessoas com essa condição como pessoas com deficiência, o que as enquadra nas proteções previstas na Lei nº 6.637/2020, conhecida como o Estatuto da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal.
Com a aprovação, o Sistema Único de Saúde (SUS) deverá assegurar o diagnóstico precoce, o acompanhamento e o tratamento multidisciplinar adequado para essas pessoas. A expectativa é melhorar a qualidade de vida de quem vive com imunodeficiência primária, ampliando a rede de suporte e acolhimento.
Cuidados paliativos no pré-natal e neonatal
Também recebeu aval da CEOF o PL nº 490/2023, apresentado pela deputada Jaqueline Silva (MDB), que trata da obrigatoriedade da oferta de cuidados paliativos nos serviços de saúde pública, em casos de diagnóstico de malformações fetais graves durante o período pré-natal.
A medida visa garantir suporte físico, emocional e espiritual à gestante e à família, desde o momento do diagnóstico até o pós-parto, caso o recém-nascido venha a falecer ou necessite de acompanhamento intensivo.
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Definição e abrangência dos cuidados paliativos
De acordo com diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidados paliativos são um conjunto de práticas realizadas por equipe multidisciplinar com o objetivo de proporcionar conforto e qualidade de vida a pacientes com doenças potencialmente fatais. Isso inclui o alívio da dor, apoio psicológico, social e espiritual.
O projeto determina que o SUS deverá disponibilizar esse tipo de atendimento em todas as unidades que realizem acompanhamento pré-natal, em parceria com instituições de apoio e equipes capacitadas.
Participação e representatividade parlamentar

A reunião contou com a presença ativa dos deputados Eduardo Pedrosa, Jorge Vianna (PSD) e Joaquim Roriz Neto (PL), todos membros da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A votação reforçou o comprometimento da Casa com a promoção de políticas públicas inclusivas e humanizadas.
Agora, os três projetos seguem para apreciação nas demais comissões da Câmara Legislativa. Caso sejam aprovados em todas as etapas, seguirão para votação no plenário e, posteriormente, sanção do governador.
A expectativa é de que as propostas sejam bem recebidas, dada a sua relevância social e o impacto direto na vida de milhares de cidadãos do Distrito Federal.
Conclusão
O avanço do PL 706/2023 é uma vitória para a inclusão e o respeito às diferenças. Ao garantir que pessoas com autismo, Síndrome de Down e doenças raras possam concorrer às vagas destinadas a pessoas com deficiência em concursos públicos, o Distrito Federal dá um passo importante em direção à equidade e à justiça social.
Imagem: SewCream / Shutterstock.com
