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Caso INSS: ligação entre Careca e consultoria de R$ 371 milhões é questionada

Empresa sem estrutura conhecida movimentou R$ 371 milhões e é ligada ao Careca do INSS; CPMI apura indícios de empresa de fachada.

Bruna MachadoPor Bruna Machado4 min de leitura
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ampliou as investigações sobre um esquema financeiro que envolve empresas com movimentações milionárias e indícios de atuação como fachada.

No centro das apurações está a Spyder Consultoria, empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e citada em relatórios de órgãos de controle.

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O que é a Spyder Consultoria e por que ela chamou atenção

A Spyder Consultoria passou a ser investigada após registros de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com sua estrutura formal. Sem site institucional, sem presença ativa em redes sociais e com um capital social declarado de apenas R$ 120 mil, a empresa movimentou R$ 371 milhões em apenas seis meses.

De acordo com dados enviados à CPMI do INSS, somente no primeiro semestre de 2025, a consultoria recebeu R$ 185,5 milhões em créditos e realizou R$ 185,8 milhões em débitos. Segundo parâmetros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), esse volume já seria suficiente para classificar a empresa como de grande porte.

Registro recente e crescimento acelerado

A Junta Comercial de São Paulo aponta que a Spyder foi registrada em dezembro de 2024. Em menos de um mês, já havia movimentado mais de R$ 16 milhões, conforme informações da Receita Federal do Brasil encaminhadas aos parlamentares.

A empresa está registrada em um prédio comercial no bairro do Tatuapé, zona leste da capital paulista, e tem como sócio formal um jovem de 25 anos, auxiliar de serviços gerais, fato que reforçou suspeitas sobre o uso de laranjas em sua estrutura societária.

Como a CPMI do INSS chegou à empresa

A investigação avançou após a identificação de transferências feitas pela Dinar S/A Participações, empresa apontada como uma das utilizadas pelo Careca do INSS. A Dinar, por sua vez, recebeu recursos de outras entidades investigadas, incluindo a Arpar e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), ambas citadas em apurações sobre irregularidades envolvendo o sistema previdenciário.

Esse fluxo financeiro despertou a atenção dos parlamentares e levou à solicitação de quebra de sigilo bancário e fiscal da Spyder Consultoria.

Pagamento a publicitária e relatório do Coaf

Um dos elementos que reforçaram as investigações foi um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou um pagamento de R$ 200 mil da Spyder para a publicitária Danielle Miranda Fonteles.

Danielle Fonteles afirmou, por meio de nota assinada por seus advogados, que não tinha conhecimento da existência da empresa até o momento do depósito. Segundo a defesa, o valor se referia a parte do pagamento pela venda de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia, negociado com Antônio Antunes.

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Negociação desfeita e documentação apresentada

Ainda conforme a nota, o valor transferido era inferior ao previsto contratualmente, e como o comprador perdeu a capacidade de honrar o compromisso, a transação foi desfeita por meio de distrato. A defesa afirma que toda a documentação foi apresentada tanto à CPMI do INSS quanto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Vínculos empresariais e atuação fora do Brasil

Além do episódio envolvendo a consultoria, investigações da Polícia Federal apontam que Danielle Fonteles teria ligação societária com o Careca do INSS em uma empresa de cannabis medicinal sediada em Portugal. Mensagens obtidas pela imprensa indicam que ela atuava na coordenação do projeto no país europeu, reforçando a proximidade entre ambos em outros negócios.

O que está em apuração pela CPMI

A CPMI do INSS apura possíveis crimes como lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e uso de empresas de fachada para circulação de recursos. O material reunido pode ser encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Federal para aprofundamento das investigações e eventual responsabilização dos envolvidos.

O caso também reacende o debate sobre a importância de mecanismos de controle financeiro, como o Coaf, e da atuação do Congresso Nacional na fiscalização de recursos ligados a entidades que operam junto ao sistema previdenciário.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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