Durante depoimento realizado na quinta-feira (5), o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, afirmou que o AgiBank foi a instituição financeira que mais concedeu empréstimos consignados a aposentados e pensionistas já falecidos.
Consignado do além? Escândalo no INSS revela 2 mil empréstimos liberados para pessoas mortas
Presidente do INSS afirma à CPMI que AgiBank lidera concessão de consignados a beneficiários falecidos; cerca de 2 mil casos.
Segundo o dirigente, foram identificados cerca de 2 mil contratos nessa situação. A declaração foi feita em audiência da CPMI do INSS, comissão que investiga irregularidades no sistema de descontos e empréstimos vinculados a benefícios previdenciários e que ainda não concluiu seus trabalhos.
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O que são empréstimos consignados e por que o caso é grave
O crédito consignado é um tipo de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício previdenciário ou da folha de pagamento. No caso de aposentados e pensionistas do INSS, esse modelo é amplamente utilizado por oferecer juros menores, já que o risco de inadimplência é reduzido.
A concessão de empréstimos após o falecimento do beneficiário, no entanto, aponta falhas graves nos mecanismos de controle e validação, tanto por parte das instituições financeiras quanto dos sistemas de comunicação com o INSS. Na prática, trata-se de contratos firmados sem a existência legal do titular, o que pode configurar fraude ou, no mínimo, negligência operacional.
Como os contratos irregulares foram identificados
De acordo com o presidente do INSS, os dados vieram de cruzamentos internos feitos pelo próprio instituto, que compararam informações de óbitos com registros de operações de crédito consignado. O volume identificado — cerca de 2 mil contratos — chamou atenção dos investigadores e levou o AgiBank a figurar como o principal caso citado na audiência.
Esses cruzamentos fazem parte de um esforço recente do INSS para aprimorar a fiscalização sobre descontos automáticos, após uma série de denúncias envolvendo cobranças indevidas e falhas de consentimento em empréstimos e serviços financeiros.
Impactos para famílias e herdeiros
Quando um empréstimo consignado continua ativo após a morte do beneficiário, os impactos recaem diretamente sobre a família. Em muitos casos, os valores seguem sendo descontados até que o óbito seja registrado e processado nos sistemas, o que pode gerar transtornos financeiros e burocráticos para viúvas, dependentes e herdeiros.
Além disso, a tentativa de cobrança de dívidas inexistentes pode levar famílias a buscar auxílio jurídico para cancelar contratos e reaver valores, sobrecarregando o Judiciário e aumentando o custo social dessas falhas.
O papel da CPMI do INSS nas investigações
A CPMI do INSS foi instalada para apurar irregularidades envolvendo benefícios previdenciários, especialmente descontos indevidos, fraudes em consignados e atuação de intermediários financeiros. O depoimento do presidente do instituto reforça a linha de investigação de que há problemas estruturais na concessão e no controle desses créditos.
Os parlamentares avaliam que os dados apresentados podem embasar pedidos de responsabilização administrativa, civil e, eventualmente, criminal, caso fique comprovado que houve dolo ou descumprimento sistemático de regras por parte das instituições envolvidas.
Possíveis consequências para o sistema de consignados
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Especialistas avaliam que revelações como essa tendem a pressionar o governo e o Congresso a endurecer regras de concessão do crédito consignado. Entre as medidas discutidas estão:
- exigência de validações biométricas mais rigorosas;
- atualização mais rápida dos registros de óbito;
- ampliação da responsabilidade das instituições financeiras;
- maior transparência nos contratos e autorizações.
O próprio INSS já sinalizou a intenção de reforçar mecanismos de controle para evitar que contratos sejam firmados sem a devida confirmação da identidade e da situação do beneficiário.
O que esperar dos próximos passos da CPMI
Como os trabalhos da CPMI do INSS ainda não foram encerrados, novas audiências e a análise detalhada de documentos devem aprofundar a apuração sobre o caso do AgiBank e de outras instituições financeiras. O relatório final da comissão poderá recomendar mudanças legais, sanções e encaminhamentos a órgãos de controle, como Ministério Público e Tribunal de Contas.
Para aposentados e pensionistas, o caso reforça a importância de acompanhar extratos, comunicar óbitos rapidamente ao INSS e desconfiar de ofertas de crédito feitas sem solicitação clara.
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Imagem: Leandro Marques / Shutterstock.com
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