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CPMI do INSS deve iniciar 2026 mirando em Lulinha e senador da base do governo

Oposição articula convocação de Lulinha e Weverton Rocha na CPMI do INSS após nova fase da Operação Sem Desconto.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
lulinha

A retomada dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, prevista para fevereiro de 2026, promete elevar a temperatura política no Congresso Nacional. Parlamentares de oposição articulam uma ofensiva para tentar convocar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador governista Weverton Rocha (PDT-MA) para prestar depoimento. Ambos passaram a ocupar o centro das atenções após a deflagração da mais recente fase da Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal no último dia 18.

A investigação apura um esquema bilionário de descontos fraudulentos em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS, envolvendo associações, sindicatos, empresários e possíveis conexões políticas.

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Oposição aposta em novo cenário na CPMI

Tentativas anteriores foram barradas

Pedidos de convocação tanto de Lulinha quanto de Weverton Rocha já haviam sido apresentados anteriormente na CPMI. No entanto, as solicitações acabaram rejeitadas por uma maioria governista que assumiu o controle das votações no colegiado.

Com o avanço das investigações e a divulgação de novas informações pela Polícia Federal, parlamentares da oposição acreditam que o cenário pode mudar, abrindo espaço para reverter derrotas anteriores e viabilizar as convocações.

Retomada dos trabalhos em fevereiro de 2026

A estratégia é concentrar os esforços nos primeiros dias de retomada da CPMI, aproveitando o impacto político da nova fase da operação para pressionar parlamentares indecisos e ampliar o apoio aos requerimentos.

Weverton Rocha no centro das investigações

Suspeita de participação no núcleo político do esquema

O senador Weverton Rocha, vice-líder do governo no Senado, é apontado pela Polícia Federal como um dos beneficiários finais dos desvios investigados. Segundo os investigadores, ele faria parte do “núcleo político” que teria viabilizado as atividades de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, descrito como um dos principais articuladores do esquema criminoso.

Weverton chegou a ser alvo de buscas e apreensões, e a PF solicitou sua prisão. O pedido, contudo, foi negado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Defesa nega irregularidades

Em nota à imprensa, o senador negou envolvimento com corrupção e afirmou que a decisão do STF reconheceu a ausência de provas que o vinculem a práticas ilícitas. Weverton também argumentou que relações profissionais de terceiros não podem ser usadas para imputar responsabilidade sem fatos concretos.

Indícios apontados pela PF

Entre as principais evidências citadas pela Polícia Federal estão conversas de assessores do “Careca do INSS” que mencionariam pagamentos de valores desviados das contas de aposentados envolvendo o nome do senador. Há ainda suspeitas sobre o uso, por Weverton, de um avião particular pertencente a um grupo empresarial do qual Antônio Camilo seria sócio.

Lulinha não é investigado, mas aparece em apurações

Relação com empresária investigada

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não é investigado formalmente pela Operação Sem Desconto. Ainda assim, seu nome passou a ser citado em razão da proximidade com a empresária Roberta Luchsinger, apontada como destinatária de pagamentos feitos pelo “Careca do INSS”.

A Polícia Federal apura cinco transferências de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, feitas por Antônio Camilo a uma empresa de Roberta. Em mensagens analisadas pelos investigadores, o empresário afirma que o destinatário final dos valores seria “o filho do rapaz”, sem especificar o nome.

Mensagens e anotações levantam suspeitas

Em um diálogo entre Roberta e Camilo, a empresária tenta tranquilizá-lo ao citar episódios envolvendo “Fábio”, mencionando casos antigos que teriam sido superados. Opositores levantaram a hipótese de que a referência seria a Lulinha, que em 2015 processou políticos e comunicadores por associarem seu nome à empresa Friboi.

Outro ponto citado é uma agenda apreendida pela Polícia Federal, que traz a anotação “Fábio (filho Lula)” ao lado de informações sobre credenciais de acesso a um camarote em Brasília.

Defesa afirma relação de amizade

Em declaração feita anteriormente, a defesa de Lulinha afirmou que ele e Roberta Luchsinger são amigos, mas negou qualquer envolvimento do filho do presidente com o escândalo do INSS.

Relator reapresenta pedidos de convocação

Novos requerimentos protocolados

Diante das novas revelações, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou em 19 de dezembro um novo requerimento solicitando a convocação de Lulinha. O parlamentar também pediu a oitiva de Roberta Luchsinger.

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No documento, Alfredo sustenta que Fábio Luís Lula da Silva é pessoa de interesse para os trabalhos da comissão, diante das informações que demandam esclarecimentos no contexto das investigações.

Ampliação do rol de convocados

Além de Lulinha, o relator solicitou a convocação do senador Weverton Rocha, de seu ex-assessor Gustavo Gaspar e do ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal. Segundo o deputado, as apurações buscam revelar possíveis conexões políticas que teriam garantido a sobrevivência e a blindagem do esquema criminoso.

Oposição vê operação como ponto de virada

Críticas de parlamentares oposicionistas

Para o deputado Kim Kataguiri (União-SP), as revelações da Polícia Federal são escandalosas e demonstram que o problema é estrutural. Ele afirmou que os indícios contra o senador Weverton seriam ainda mais graves, citando supostos benefícios diretos e relações próximas com integrantes do esquema.

Já o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) declarou que as mensagens envolvendo Roberta Luchsinger e o “Careca do INSS” vão além de indícios e tornam inevitável a convocação de Lulinha.

CPMI deve ser prorrogada até julho de 2026

Assinaturas garantem extensão dos trabalhos

Além das convocações, a oposição conseguiu reunir as assinaturas necessárias para prorrogar os trabalhos da CPMI do INSS até 26 de julho de 2026. O requerimento conta com o apoio de 175 deputados federais e 29 senadores, número suficiente para a prorrogação automática.

Sem a extensão, os trabalhos seriam encerrados em 28 de março. A justificativa apresentada destaca o grande volume de provas ainda em análise, incluindo mais de 1.500 quebras de sigilo bancário e fiscal e centenas de oitivas pendentes.

Comissão entra em 2026 com escopo ampliado

Com a prorrogação, a CPMI ganha fôlego político e mais tempo para aprofundar investigações que atingem nomes próximos ao governo, mantendo o escândalo dos descontos fraudulentos do INSS no centro do debate político nacional ao longo de 2026.

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Imagem: Reprodução

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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