O Banco do Brasil (BB), principal instituição financeira do agronegócio no país, enfrenta um desafio crucial em 2025: a inadimplência persistente no crédito rural. Apesar dos esforços para mitigar riscos, o índice de atrasos no setor segue elevado, refletindo a pressão sobre produtores rurais e o sistema bancário.
Banco do Brasil projeta estabilização da inadimplência agro até o 4º trimestre
Banco do Brasil registra inadimplência resiliente no agronegócio, mas projeta estabilização em 2026 com ajustes estratégicos. Saiba mais!
Durante evento realizado em Nova York, a presidente-executiva Tarciana Medeiros reconheceu a resiliência da inadimplência, mas ressaltou que o banco aposta em medidas estratégicas para garantir estabilização já a partir do quarto trimestre e, sobretudo, em 2026.
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Cenário da inadimplência no agronegócio

Evolução recente dos índices
No fim de junho de 2025, a inadimplência no agronegócio chegou a 3,49%, contra 1,32% no mesmo período de 2024, revelando um aumento expressivo. Esse salto preocupa o mercado, já que a média histórica da carteira agro do BB sempre esteve abaixo dos índices gerais de atraso do sistema financeiro.
Perspectiva da diretoria
De acordo com o vice-presidente de gestão financeira do banco, Geovanne Tobias, os números do terceiro trimestre devem repetir o padrão observado no segundo, ainda sob pressão. Contudo, ele afirmou esperar estabilização a partir do quarto trimestre, com apoio de medidas regulatórias e renegociações em curso.
O BB como “banco do agro”
Identidade consolidada
Em seu discurso, Tarciana reforçou que o Banco do Brasil seguirá sendo o “banco do agro”, posição conquistada pela sua carteira robusta de R$ 405 bilhões no setor rural.
Estratégia de concessão
Segundo a executiva, a prioridade tem sido a seleção criteriosa de crédito, com destaque para operações com recursos controlados e atenção à recomposição da capacidade de pagamento dos produtores.
“Vamos atuar com recursos controlados, mas também apoiar nossos clientes na renegociação de dívidas e na recuperação da saúde financeira”, destacou Medeiros.
Ajustes estratégicos do Banco do Brasil
Nova matriz de resiliência
Um dos pontos centrais da reestruturação é a implementação de uma nova matriz de resiliência, pela qual todas as concessões de crédito passam por filtros de risco mais rigorosos.
Revisão de processos
A presidente afirmou que houve uma revisão completa dos processos de cobrança, o que já resultou em ganhos de eficiência. O BB intensificou ainda o uso de inteligência artificial na análise de crédito, reduzindo falhas e acelerando decisões.
Atuação judicial
O banco também passou a reforçar a cobrança judicial, como forma de assegurar a sustentabilidade da carteira. Essa postura mais firme busca dar sinais ao mercado de que o BB está comprometido com a qualidade de seus ativos.
Garantias mais robustas no crédito agro

Alienação fiduciária
Segundo o vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, Felipe Prince, a principal mudança foi a ampliação do uso da alienação fiduciária de imóveis como garantia. Esse tipo de proteção, considerado mais sólido, passou a representar metade das novas operações com produtores.
Crescimento do percentual
De acordo com a apresentação do banco, os desembolsos vinculados a garantias reais subiram de 31% na safra 2024/2025 para 60% na safra 2025/2026. Esse movimento busca blindar a carteira contra possíveis calotes e elevar a segurança das operações.
Impactos no mercado financeiro
Reação das ações
Apesar das preocupações, o mercado reagiu positivamente ao discurso da executiva. No pregão das 13h31 do dia 24 de setembro, as ações do Banco do Brasil subiam 0,4%, cotadas a R$ 22,21, enquanto o Ibovespa recuava 0,2%.
Esse comportamento sugere que investidores confiam nas medidas de ajuste anunciadas, ainda que os desafios permaneçam no curto prazo.
Importância do setor agro
Como o agronegócio representa uma das principais forças da economia brasileira, o desempenho da carteira do BB nesse segmento é acompanhado de perto por analistas, investidores e pelo próprio governo.
Desafios enfrentados em 2025
Ano de ajustes
Tarciana Medeiros classificou 2025 como “um dos anos mais desafiadores da trajetória do BB”. O período tem sido marcado por ajustes profundos na estratégia, com o objetivo de preparar a instituição para crescer de forma sólida em 2026.
Pressão sobre produtores
A inadimplência elevada também reflete dificuldades enfrentadas por produtores rurais, que lidam com custos crescentes, oscilações climáticas e preços mais voláteis de commodities. Esses fatores impactam diretamente a capacidade de pagamento e elevam os riscos de crédito.
O papel da tecnologia na concessão de crédito
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Inteligência artificial
O uso intensivo de IA permite maior eficiência na análise de risco e melhora a tomada de decisão. O banco destacou que essa tecnologia tem sido aplicada não apenas na concessão, mas também na cobrança e monitoramento de contratos.
Modelos preditivos
Com algoritmos preditivos, o BB consegue antecipar sinais de deterioração na capacidade de pagamento e atuar preventivamente, seja renegociando dívidas ou ajustando condições de crédito.
Renegociação e recuperação de dívidas
Apoio aos clientes
O banco tem buscado conciliar medidas de cobrança mais rigorosas com a abertura para renegociações, de forma a evitar que produtores percam acesso ao crédito rural.
Movimento em andamento
Segundo a presidente, esse processo já está avançado e tem contribuído para reduzir a pressão sobre a inadimplência, mesmo em um cenário adverso.
Expectativas para 2026

Estabilização dos índices
O Banco do Brasil aposta que, a partir do quarto trimestre de 2025, haverá uma estabilização da inadimplência, com reflexos mais claros em 2026.
Crescimento sólido
A estratégia, segundo a diretoria, é crescer com solidez, combinando rigor na concessão de crédito, garantias robustas e inovação tecnológica.
Reforço na imagem institucional
Ao manter sua posição como principal financiador do agronegócio brasileiro, o BB busca reafirmar sua identidade como “banco do agro”, mas com um perfil de atuação mais cauteloso diante dos riscos atuais.
Considerações finais
O Banco do Brasil atravessa um momento delicado, no qual precisa equilibrar sua histórica vocação de apoio ao agronegócio com a necessidade de preservar a qualidade de sua carteira.
A inadimplência resiliente é um alerta, mas as medidas anunciadas — como reforço das garantias, uso de inteligência artificial e renegociação de dívidas — indicam um caminho de recuperação.
Se os ajustes surtirem efeito, 2026 pode marcar a virada do banco, com maior solidez e confiança do mercado. Até lá, o desempenho da carteira rural seguirá no radar de analistas, produtores e investidores.
