A carteira de crédito total dos bancos brasileiros deve crescer 9,2% em 2025, segundo projeção da Federação Nacional dos Bancos (Febraban). O dado representa uma leve revisão para cima em relação à estimativa anterior, que apontava expansão de 8,9%. O levantamento foi realizado com 20 instituições financeiras e reflete a leitura mais recente do setor bancário sobre o desempenho do mercado de crédito no país.
A projeção foi divulgada na “Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas”, publicada nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, e está alinhada com os dados mais recentes do mercado. Mesmo diante do patamar elevado da taxa Selic, o saldo de crédito segue apresentando crescimento considerado robusto pelos analistas, ainda que a tendência seja de desaceleração gradual nos próximos anos.
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Revisão para cima reflete desempenho do crédito direcionado
Expansão acima do previsto em 2025
De acordo com a Febraban, a principal razão para a revisão das projeções para 2025 é o desempenho do crédito direcionado, especialmente aquele voltado para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e para linhas de consumo destinadas às famílias. Esse segmento tem sido fortemente influenciado por programas governamentais de estímulo ao crédito, que ampliaram o acesso a financiamentos em condições mais favoráveis.
A expectativa de crescimento do crédito direcionado subiu de 10,1% para 10,9%, consolidando-se como o principal motor da expansão do mercado bancário. Esse avanço ocorre em um cenário no qual parte significativa das operações conta com recursos subsidiados ou regras específicas, o que reduz o impacto direto da política monetária restritiva.
Crédito para pessoa jurídica ganha destaque
Dentro do crédito direcionado, o destaque é o financiamento para pessoas jurídicas. A projeção de crescimento desse segmento foi revisada de 13,6% para 15,3%, evidenciando o papel das empresas na sustentação da expansão do crédito em 2025.
Papel dos programas governamentais
Os analistas apontam que programas públicos de fomento ao crédito, especialmente voltados às MPMEs, têm sido decisivos para esse desempenho. Essas iniciativas ajudam a mitigar os efeitos do custo elevado do dinheiro, permitindo que empresas continuem investindo, mantendo capital de giro e sustentando suas operações.
Carteira livre desacelera em meio a juros altos
Revisão negativa no crédito não direcionado
Em contrapartida, a carteira livre de crédito, que não conta com direcionamento ou subsídios específicos, deve apresentar leve desaceleração. A projeção de crescimento desse segmento caiu de 8,1% para 8,0%, refletindo um ambiente financeiro mais restritivo.
O recuo é mais evidente no crédito para pessoas jurídicas, cuja expectativa de expansão foi reduzida de 5,1% para 3,6%. Esse movimento está associado a fatores como o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), a elevação da Selic e a maior concorrência do mercado de capitais, que tem atraído empresas em busca de alternativas de financiamento fora do sistema bancário tradicional.
Impacto do mercado de capitais
Com taxas de juros elevadas, muitas empresas passaram a avaliar emissões de debêntures, notas comerciais e outros instrumentos como forma de diversificar suas fontes de recursos. Esse movimento reduz a demanda por crédito bancário livre e contribui para a desaceleração observada nas projeções da Febraban.
Crédito para pessoas físicas mantém ritmo elevado
Crescimento revisado para cima
Apesar do cenário mais desafiador para empresas, o crédito voltado às pessoas físicas apresentou revisão positiva. A expectativa de crescimento passou de 10,3% para 11,0% em 2025, indicando que o consumo das famílias segue sustentando parte relevante da expansão do crédito.
No entanto, a pesquisa alerta para uma piora na composição dessas operações, com maior participação de linhas de crédito rotativo, tradicionalmente associadas a juros mais elevados e maior risco de inadimplência.
Risco no aumento do crédito rotativo
O crescimento do crédito rotativo preocupa analistas do setor, pois pode indicar maior pressão sobre o orçamento das famílias. Em um contexto de juros altos, esse tipo de financiamento tende a elevar o endividamento e reduzir a capacidade de pagamento no médio prazo, o que pode impactar a qualidade da carteira dos bancos.
Desaceleração gradual em 2026
Expectativa de moderação no ritmo de crescimento
A pesquisa da Febraban também trouxe projeções para 2026, indicando que o mercado de crédito deve continuar crescendo, porém em ritmo mais moderado. Para o próximo ano, a estimativa de expansão do crédito total subiu de 7,9% para 8,2%.
A maioria dos analistas consultados, cerca de 73,7%, acredita que o crescimento será moderado, enquanto 15,8% avaliam que o ritmo de expansão deve se manter semelhante ao observado em 2025.
Crédito direcionado segue como motor
O crédito direcionado, especialmente para empresas, deve continuar sendo o principal impulsionador da expansão em 2026. Segundo o relatório, tanto a carteira direcionada quanto a livre apresentam melhora nas expectativas, ainda que em um cenário de desaceleração gradual.
“A projeção de crescimento do crédito em 2026 está em linha com os dados mais recentes, que indicam uma desaceleração gradual, mas ainda robusta, do mercado de crédito”, afirma o relatório da Febraban.
Contexto macroeconômico e desafios à frente
Selic elevada e impacto no crédito
Mesmo com o crescimento projetado, o ambiente macroeconômico segue desafiador. A taxa Selic elevada continua sendo um fator de contenção para a expansão mais acelerada do crédito, especialmente nas linhas livres. Ainda assim, a resiliência do mercado bancário brasileiro tem surpreendido parte dos analistas.
Perspectivas para bancos e consumidores
Para os bancos, o cenário exige atenção redobrada à qualidade das carteiras e à gestão de riscos, especialmente no segmento de pessoas físicas. Já para consumidores e empresas, o momento pede planejamento financeiro e avaliação cuidadosa das condições de crédito disponíveis.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
