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Crédito no Brasil cresce, mas queixas por calote alcançam novo pico histórico

Em junho de 2025, o crédito no Brasil cresce moderadamente, mas a inadimplência atinge seu maior nível desde 2018. Entenda os impactos.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
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Em meio a um cenário econômico desafiador, o mercado de crédito no Brasil apresentou crescimento modesto em junho, segundo dados recentes do Banco Central (BC). Apesar do aumento no estoque total de crédito, a inadimplência registrou alta, atingindo níveis que não eram vistos desde 2018, o que levanta alertas sobre o aumento das queixas por calotes entre consumidores e empresas.

Panorama do crédito no Brasil em junho

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

Segundo o Banco Central, o estoque total de crédito no país atingiu R$ 6,686 trilhões em junho, representando um crescimento de 0,5% em relação a maio. Embora o volume total de recursos emprestados continue crescendo, a taxa anual desacelerou, passando de 11,8% em maio para 10,7% em junho, indicando uma certa desaceleração na expansão do crédito.

Leia mais: Banco Central relata recuo no crédito consignado do INSS após casos de fraude

Apesar do crescimento do estoque, as novas concessões de crédito apresentaram retração de 1,5% na comparação mensal. Essa queda reflete um cenário mais cauteloso por parte das instituições financeiras, diante das incertezas econômicas e da elevação dos índices de inadimplência.

Inadimplência: o alerta que cresce

O segmento de crédito com recursos livres — em que as condições de empréstimos são negociadas livremente entre bancos e clientes — apresentou aumento da inadimplência, subindo de 4,9% para 5,0% em junho. Este é o maior índice desde fevereiro de 2018, quando o país enfrentava um cenário econômico turbulento.

Consequências para o mercado e consumidores

O aumento da inadimplência preocupa bancos, investidores e consumidores, já que ele pode indicar dificuldades financeiras crescentes entre tomadores de crédito. Para as instituições financeiras, o aumento dos calotes eleva o risco das operações, podendo resultar em restrição de crédito e aumento dos juros para os clientes.

Spread bancário e taxa de juros

Spread bancário mantém-se estável em 31,6 pontos percentuais

O spread bancário — diferença entre o custo que os bancos têm para captar recursos e o que cobram dos clientes — permaneceu estável em 31,6 pontos percentuais no segmento de recursos livres. Embora estável, o valor segue alto em comparação a padrões internacionais, refletindo custos operacionais, inadimplência e a percepção de risco no mercado brasileiro.

Juros no crédito livre e direcionado

As taxas de juros cobradas nos empréstimos com recursos livres mantiveram-se estáveis em 45,4% ao ano. Por outro lado, os empréstimos com recursos direcionados, que são regidos por regras específicas do governo e geralmente têm taxas menores, tiveram queda de 0,2 ponto percentual, situando-se em 11,8% ao ano.

Concessões por tipo de crédito

Tipo de créditoVariação (%) em junho 2025Taxa de Juros (%) ao ano
Recursos Livres-1,4%45,4%
Recursos Direcionados-2,3%11,8%

Fonte: Banco Central do Brasil

Fatores que influenciam o cenário atual do crédito

Cenário econômico e inflação

A desaceleração econômica, combinada com taxas de inflação ainda elevadas, tem impactado diretamente o poder de compra e a capacidade de pagamento dos consumidores, refletindo no aumento dos índices de inadimplência.

Política monetária e taxa Selic

A política monetária adotada pelo Banco Central, que atua principalmente por meio da taxa Selic, tem mantido os juros básicos em patamares elevados para controlar a inflação. No entanto, isso encarece o crédito para pessoas físicas e jurídicas, o que pode restringir o acesso e elevar o risco de calotes.

Risco de crédito e avaliação das instituições

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Os bancos reforçam a análise de risco dos clientes para evitar novos inadimplementos, o que torna o processo de concessão de crédito mais seletivo e rigoroso. Essa medida é uma tentativa de equilibrar o crescimento do crédito com a segurança financeira das instituições.

Impactos para o consumidor e recomendações

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Consequências do aumento da inadimplência para o consumidor

A elevação dos calotes pode resultar em mais restrições de crédito no mercado, aumento das taxas de juros e maior dificuldade para obtenção de empréstimos e financiamentos. Para o consumidor, isso significa a necessidade de maior planejamento financeiro e cuidado na contratação de dívidas.

Dicas para evitar inadimplência

  • Faça um planejamento financeiro mensal e controle rigoroso dos gastos.
  • Avalie sua capacidade real de pagamento antes de contratar empréstimos.
  • Prefira linhas de crédito com taxas de juros mais baixas e condições que se encaixem no seu orçamento.
  • Busque renegociar dívidas em atraso para evitar a piora do histórico de crédito.

FAQ – Perguntas frequentes

Qual a diferença entre crédito livre e crédito direcionado?
O crédito direcionado tem regras específicas definidas pelo governo, como taxas de juros mais baixas e finalidade determinada (exemplo: financiamento habitacional). Já o crédito livre é mais flexível, mas geralmente tem juros mais altos.

Por que a inadimplência está aumentando?
O aumento da inadimplência está ligado à desaceleração econômica, desemprego, inflação alta e maior custo do crédito, que dificultam o pagamento das dívidas pelos consumidores.

Considerações finais

A tendência para os próximos meses dependerá fortemente do desempenho da economia, da evolução das taxas de juros e do comportamento dos indicadores de crédito. A capacidade de adaptação de bancos e clientes será crucial para manter o mercado de crédito saudável e acessível para todos.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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