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Novo crédito consignado cresce entre trabalhadores com até 4 salários mínimos; saiba por quê

O crédito consignado privado tem ganhado destaque entre os trabalhadores brasileiros com renda de até quatro salários mínimos. Com taxas atrativas e desconto direto em folha, a nova modalidade tem impulsionado a contratação de empréstimos por quem busca alternativas mais acessíveis para reorganizar sua vida financeira.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mais de 62% dos contratos de crédito consignado firmados entre março e junho foram realizados por trabalhadores dessa faixa salarial. A combinação de estabilidade no emprego e menor risco de inadimplência tem atraído as instituições financeiras, que concentram a liberação de recursos entre os que têm maior tempo de vínculo empregatício.

crédito consignado
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

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Quem mais contratou o crédito consignado privado

O levantamento mostra que, ao observar somente quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036), 29,68% optaram por essa nova modalidade. Trabalhadores com renda entre 4 e 8 salários mínimos ficaram com 18,82% dos contratos (R$ 3 bilhões), enquanto os que ganham acima dessa faixa responderam por 18,57% (R$ 4,4 bilhões).

Outro destaque é o tempo de carteira assinada, que tem sido um dos critérios para a liberação dos empréstimos. Entre os que ganham até dois salários, o tempo médio de empresa é de 119 meses (quase 10 anos). Na faixa de 2 a 4 salários, a média sobe para 155 meses (13 anos). Já quem ganha mais de 8 salários apresenta vínculo médio de 192 meses, o equivalente a 16 anos.

Além disso, há diferenças nos valores médios contratados. Os trabalhadores que ganham até 2 salários contrataram, em média, R$ 3.391. Já aqueles com salários superiores a 8 mínimos chegaram a pegar R$ 9.079.

Números do consignado privado

Abaixo, os dados completos divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego:

Faixa salarial | Trabalhadores beneficiados | Média da parcela | Média do valor contratado | Tempo de vínculo (meses) | Valor contratado | Percentual de trabalhadores

Faixa salarialTrabalhadores beneficiadosMédia da parcelaMédia do valor contratadoTempo de vínculoValor contratadoPercentual de trabalhadores
1 a 2 salários mínimos751.502R$ 224,85R$ 3.391,60119R$ 2,6 bilhões29,69%
2 a 4 salários mínimos826.373R$ 294,72R$ 5.139,46155R$ 2,4 bilhões32,65%
4 a 8 salários mínimos480.431R$ 337,31R$ 6.219,54168R$ 3 bilhões18,98%
+ de 8 salários mínimos472.678R$ 472,67R$ 9.079,23192R$ 4,4 bilhões18,68%

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

Juros em queda

Atualmente, a taxa média de juros cobrada nesse tipo de crédito é de 3,47% ao mês, segundo o MTE. Essa taxa vem apresentando tendência de queda, acompanhando o cenário macroeconômico de redução da Selic e da pressão do governo por práticas mais justas no sistema bancário.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou que o governo pretende continuar reduzindo esses juros e não aceitará taxas abusivas. Ele destacou que essa linha de crédito conta com garantias robustas — como até 10% do FGTS e 100% da multa rescisória —, o que deve se refletir em condições melhores para os trabalhadores.

Onde o crédito foi mais contratado

O estado de São Paulo lidera isoladamente o volume de contratações, com R$ 4,5 bilhões em empréstimos realizados. Logo em seguida aparecem Rio de Janeiro e Minas Gerais, empatados com R$ 1,3 bilhão cada. Paraná e Rio Grande do Sul completam o top 5 com R$ 1 bilhão cada.

Veja os 10 estados com maior volume contratado:

  1. São Paulo – R$ 4,5 bilhões
  2. Rio de Janeiro – R$ 1,3 bilhão
  3. Minas Gerais – R$ 1,3 bilhão
  4. Paraná – R$ 1 bilhão
  5. Rio Grande do Sul – R$ 1 bilhão
  6. Bahia – R$ 710 milhões
  7. Santa Catarina – R$ 699 milhões
  8. Goiás – R$ 557 milhões
  9. Pará – R$ 551 milhões
  10. Ceará – R$ 473 milhões

Até o dia 16 de junho, o total de crédito contratado já havia ultrapassado R$ 15,9 bilhões, beneficiando mais de 2,6 milhões de pessoas em todo o país.

Como funciona o consignado privado

Também conhecido como Crédito do Trabalhador, essa modalidade é destinada a empregados com carteira assinada. O diferencial está na forma de pagamento: as parcelas são descontadas diretamente na folha salarial, o que reduz o risco para os bancos e permite taxas menores.

As regras principais incluem:

  • Parcelas mensais limitadas a 35% do salário líquido
  • Garantia de pagamento com até 10% do FGTS e 100% da multa rescisória
  • Exclusivo para trabalhadores formais, sem acesso a autônomos ou informais
  • Necessidade de contrato com instituições financeiras habilitadas

Com esse modelo, o crédito se torna mais acessível para quem tem vínculo estável e regularidade de renda. Além disso, há menos burocracia, o que facilita a liberação do valor.

Pontos de atenção

Embora o crédito consignado seja uma opção mais barata do que empréstimos tradicionais, ele também apresenta riscos. O maior deles é o comprometimento do orçamento com dívidas de médio a longo prazo.

Especialistas recomendam usar esse tipo de crédito para reorganizar dívidas mais caras, como cheque especial ou cartão de crédito, ou para investir em algo com retorno garantido — como reforma do imóvel ou qualificação profissional. É importante evitar o uso para consumo impulsivo.

Outro ponto importante é avaliar com cuidado o contrato e comparar as taxas entre diferentes bancos. Mesmo dentro do consignado, os custos podem variar bastante de uma instituição para outra.

Cortar gastos
Imagem: rafapress / shutterstock.com

O avanço do crédito consignado privado mostra como o modelo pode ser útil para milhares de trabalhadores, sobretudo os que estão na base da pirâmide salarial. Com regras claras, garantias robustas e taxas competitivas, ele se consolida como uma alternativa segura e viável em um momento de retomada econômica.

No entanto, é fundamental usar o crédito com responsabilidade. Mesmo que as condições sejam favoráveis, o endividamento ainda representa um peso no orçamento mensal. Com planejamento e educação financeira, o consignado pode ser um aliado valioso — não uma armadilha.