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Fintechs criticam limite de juros no consignado privado; entenda o motivo

O governo federal anunciou uma plataforma de crédito consignado para trabalhadores celetistas. Entenda as implicações da medida.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Fintechs criticam limite de juros no consignado privado; entenda o motivo

Na quarta-feira (29/1), o governo federal anunciou um avanço significativo na área de crédito para trabalhadores da iniciativa privada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou a criação de uma plataforma virtual destinada a facilitar o acesso ao crédito consignado para milhões de brasileiros celetistas, ou seja, trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Este é mais um passo do governo para fomentar a inclusão financeira e expandir o crédito para um público que, até então, encontrava dificuldades em acessar esse tipo de empréstimo.

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Um Passo Importante para os Trabalhadores Privados

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Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Nos últimos meses, o governo federal tem discutido mecanismos para possibilitar o crédito consignado aos trabalhadores da iniciativa privada. Tradicionalmente, esse tipo de empréstimo é acessado por servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS. A grande diferença reside no fato de que esses trabalhadores gozam de maior estabilidade no emprego, o que reduz o risco para as instituições financeiras.

O governo planeja utilizar o eSocial, plataforma já existente que centraliza as informações trabalhistas, como meio para a oferta e contratação do crédito consignado. Esse sistema já unifica os dados de relações trabalhistas, mas, no cenário atual, a concessão de crédito consignado depende de convênios entre as empresas e as instituições financeiras. Isso acaba excluindo muitos trabalhadores, como funcionários domésticos e empregados de pequenas empresas.

O Impacto Econômico do Novo Modelo

Atualmente, o crédito consignado movimenta cerca de R$ 600 bilhões para servidores públicos e aposentados. No entanto, os trabalhadores da iniciativa privada têm acesso a um volume de crédito muito inferior, cerca de R$ 40 bilhões. O governo federal acredita que, com a nova plataforma, o volume de crédito consignado para os trabalhadores privados pode triplicar, alcançando a marca de R$ 120 bilhões.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a medida ainda depende de ajustes que serão realizados no mês de fevereiro, com o envio de uma medida provisória (MP) ou projeto de lei (PL) para o Congresso Nacional. A expectativa é que a aprovação do modelo traga uma revolução na oferta de crédito para trabalhadores da iniciativa privada.

O Papel das Fintechs e a Resistência ao Teto de Juros

Uma das grandes discussões que permeiam essa reformulação do crédito consignado é a possibilidade de estabelecimento de um teto para as taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras. Tradicionalmente, o setor bancário tem sido resistente a essa ideia, argumentando que um limite artificial poderia afetar a competitividade do mercado e as condições de oferta de crédito.

As fintechs, por sua vez, compartilham dessa visão. Organizações como Zetta, que reúne nomes de peso do setor financeiro digital, como Nubank, PicPay e Mercado Pago, também se posicionam contra a imposição de um teto para os juros. Para Eduardo Lopes, presidente da Zetta, a fixação de um limite não seria adequada, pois cada situação de risco é única. “Qualquer limite que for colocado vai ser artificial. Cada situação de risco vai ser diferente”, disse Lopes ao portal Metrópoles.

A Zetta defende que a reformulação do crédito consignado deve garantir um ambiente de ampla concorrência, o que ajudaria a melhorar as condições de oferta de crédito para os trabalhadores. As fintechs, que possuem modelos de negócios baseados em inovação e menores custos operacionais, veem esse tipo de medida como uma forma de democratizar o acesso ao crédito.

Reuniões com Bancos e a Exclusão das Fintechs

Na mesma quarta-feira do anúncio, o presidente Lula se reuniu com ministros do Trabalho, da Fazenda e da Casa Civil, além da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e CEOs de grandes bancos. No entanto, as fintechs não foram convidadas para esse encontro, gerando certo desconforto entre os representantes do setor de tecnologia financeira.

Por outro lado, o governo federal tem defendido que o novo modelo de crédito consignado para a iniciativa privada possa substituir o saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), embora ainda não haja consenso sobre essa substituição. A proposta gerou debates acalorados, já que muitos trabalhadores têm se beneficiado da modalidade de saque-aniversário como uma forma de obter liquidez em momentos de necessidade.

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Desafios para o Governo e Expectativas

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Imagem: Nattakorn_Maneerat / shutterstock.com

Apesar de todo o esforço do governo federal em buscar soluções para ampliar o acesso ao crédito, o caminho ainda não está totalmente traçado. A questão do teto para os juros do consignado segue como um ponto de atrito, com setores do mercado financeiro apresentando resistência à fixação de limites. Além disso, o governo precisará lidar com o desafio de equilibrar a oferta de crédito com a mitigação dos riscos para as instituições financeiras.

Outro desafio relevante é a inclusão de todos os trabalhadores no novo modelo. Atualmente, a concessão de crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada é limitada a aqueles que possuem vínculo formal de trabalho e estão ligados a empresas que firmaram convênios com as instituições financeiras. A nova plataforma precisa ser capaz de alcançar também os trabalhadores informais, que representam uma parcela significativa da força de trabalho no Brasil.

A promessa é que a medida seja formalizada e enviada ao Congresso Nacional em fevereiro. A expectativa é que, com a aprovação da medida, o mercado de crédito consignado se expanda de forma significativa, beneficiando milhões de trabalhadores da iniciativa privada.

Conclusão

A proposta de criar uma plataforma digital de crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada é um passo importante para a inclusão financeira no Brasil. O governo federal precisa, agora, superar desafios regulatórios e encontrar um equilíbrio entre a proteção ao consumidor e a liberdade do mercado.

O setor financeiro, incluindo bancos tradicionais e fintechs, deverá se adaptar a um novo cenário, onde a concorrência e a inovação poderão determinar as melhores condições de crédito para os trabalhadores celetistas.

Imagem: Reprodução/Miguel Schincariol/AFP

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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