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FGTS pode ser usado como garantia em empréstimo consignado; entenda como

Lançado pelo governo federal, o Crédito do Trabalhador permite que empregados CLT utilizem até 10% do FGTS como garantia para empréstimos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A partir desta semana, trabalhadores contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) podem contar com uma nova ferramenta de acesso a crédito. Lançado pelo governo federal, o programa Crédito do Trabalhador permite a contratação de empréstimos com uso do saldo do FGTS como garantia, uma inovação que pretende oferecer taxas mais acessíveis e reduzir o superendividamento da população economicamente ativa.

A solicitação pode ser feita exclusivamente pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou por instituições financeiras habilitadas, e as primeiras contratações já estão liberadas.

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Imagem: Freepik e Canva

O que é o programa Crédito do Trabalhador?

Nova linha de crédito com foco nos trabalhadores formais

O Crédito do Trabalhador é um programa criado para ampliar o acesso a empréstimos para profissionais com vínculo formal de trabalho. A principal inovação está na utilização de até 10% do saldo do FGTS como garantia, além da possibilidade de usar 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa.

Essa estrutura de garantias torna o crédito mais seguro para os bancos e, consequentemente, mais barato para os trabalhadores.

Como funciona o novo modelo de empréstimo com FGTS?

Plataforma digital e sistema de leilão de propostas

A contratação do empréstimo é realizada de forma digital:

  1. O trabalhador acessa o aplicativo Carteira de Trabalho Digital.
  2. Informa o valor desejado para empréstimo.
  3. O sistema apresenta propostas de diferentes instituições financeiras.
  4. O trabalhador compara taxas, prazos e condições — como num leilão reverso.
  5. Escolhe a melhor oferta e conclui a contratação digitalmente.

Pagamento e limite mensal

As parcelas do empréstimo serão descontadas diretamente na folha de pagamento, por meio do sistema eSocial, com limite de até 35% da remuneração mensal do trabalhador. O acompanhamento da quitação também poderá ser feito no aplicativo.

Essa estrutura favorece a organização financeira e reduz o risco de inadimplência.

Garantias oferecidas no Crédito do Trabalhador

O programa permite:

  • Utilização de até 10% do saldo atual do FGTS como garantia.
  • Uso de 100% da multa rescisória em caso de demissão.
  • Manutenção do contrato de crédito mesmo com troca de emprego, desde que o novo vínculo seja também via CLT.

Esses elementos tornam a operação mais segura para bancos e mais acessível ao trabalhador.

Vantagens do novo modelo

1. Juros mais baixos

A principal vantagem em relação a outros tipos de crédito é a redução nas taxas de juros. Por haver garantia, os bancos têm menos risco e, portanto, cobram menos.

2. Contratação digital

Todo o processo é feito de forma prática e transparente por meio de aplicativos e plataformas homologadas, sem a necessidade de ir até uma agência bancária.

3. Portabilidade de dívidas

A partir de 25 de abril, trabalhadores com empréstimos consignados antigos poderão migrar seus contratos para o Crédito do Trabalhador. A portabilidade visa trocar dívidas caras por linhas com taxas menores, permitindo melhor controle financeiro.

O que diz o governo sobre o programa

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Imagem: Freepik e Canva

O programa é coordenado pelo Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado, instituído por decreto presidencial. O comitê poderá inclusive:

  • Definir regras de operação
  • Impor tetos para as taxas de juros
  • Estabelecer critérios de elegibilidade

Segundo o Ministério da Fazenda, o programa é parte de um esforço para oferecer alternativas responsáveis de crédito, estimulando o consumo sem gerar inadimplência.

Quem pode solicitar o Crédito do Trabalhador?

  • Trabalhadores com carteira assinada (CLT)
  • Cidadãos que tenham saldo disponível no FGTS
  • Pessoas com acesso à Carteira de Trabalho Digital
  • Trabalhadores que estejam adimplentes ou com margem de crédito disponível

Aposentados e pensionistas do INSS não são o público-alvo principal, embora possam manter consignados tradicionais com taxas menores.

Quando NÃO vale a pena usar o Crédito do Trabalhador?

Segundo especialistas, há situações em que o uso do crédito pode ser desvantajoso:

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  • Aposentados que ainda trabalham: Para esses, o consignado do INSS oferece taxas melhores, por isso é preferível manter esse canal.
  • Para pagar despesas do dia a dia: A orientação é utilizar o crédito apenas em emergências reais ou para quitar dívidas com juros elevados, como:

“Se a ideia é financiar a casa própria, pode valer a pena. Mas usar esse tipo de crédito para cobrir despesas diárias não é recomendável”, alerta Leticia Camargo, planejadora financeira da Planejar.

Como avaliar as propostas: atenção ao CET

Antes de fechar negócio, é essencial analisar o CET (Custo Efetivo Total) do empréstimo. Esse índice representa o custo real da operação, considerando:

  • Juros
  • Taxas administrativas
  • Impostos
  • Seguros embutidos

O CET é o indicador mais importante para comparar ofertas de crédito.

Como obter a Carteira de Trabalho Digital?

Passo a passo para acesso

  1. Acesse o site gov.br e crie sua conta com CPF, nome completo e outros dados.
  2. Responda às perguntas de verificação com base no seu histórico profissional.
  3. Ao concluir, você terá acesso à Carteira de Trabalho Digital, que pode ser baixada como aplicativo (Android e iOS) ou usada pelo navegador.

Quem já tem CPF, já tem carteira digital

A versão digital é automática para todos os cidadãos brasileiros com CPF. Quem nunca teve vínculo formal de trabalho verá apenas os dados cadastrais. Não é necessário solicitar a emissão física.

Crédito do Trabalhador e a luta contra o superendividamento

Imagem: Freepik e Canva

O programa também surge como resposta ao aumento do superendividamento no Brasil, que afeta principalmente famílias de baixa e média renda.

De acordo com dados recentes do Serasa:

  • Mais de 71 milhões de brasileiros estavam com nome negativado no início de 2025
  • Cartão de crédito e cheque especial lideram como principais causas de endividamento
  • Programas de renegociação, como o Desenrola Brasil, já tiveram impacto limitado

O Crédito do Trabalhador tenta oferecer uma alternativa estruturada e segura para aliviar essa situação.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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