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Financiamento de imóveis sofrerão reajustes e classe média baixa pode se beneficiar

O governo Lula anuncia mudanças no crédito imobiliário com juros reduzidos e aumento do teto de financiamento, beneficiando famílias.

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
crédito habitacional

De olho na classe média e buscando estimular o mercado da construção civil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um pacote habitacional que promete facilitar o acesso ao crédito imobiliário.

A iniciativa prevê a liberação de R$ 20 bilhões até 2026 para financiar a compra de 80 mil moradias, com foco em trabalhadores que ganham entre R$ 12 mil e R$ 20 mil mensais — um público que, até então, ficava fora dos programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida e enfrentava juros altos no mercado tradicional.

Mudanças no crédito habitacional

caixa
Imagem: Daenin / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

A principal mudança é o aumento do teto do imóvel financiável dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), além da elevação do percentual máximo financiado pela Caixa Econômica Federal. A intenção é tornar o crédito mais acessível e reduzir a necessidade de grandes entradas.

Leia mais: Caixa Tem se torna porta de entrada para o mundo dos investimentos em 2025

Teto ampliado para R$ 2,25 milhões

Atualmente, o SFH permite o financiamento de imóveis de até R$ 1,5 milhão, com a Caixa cobrindo no máximo 70% do valor.
Com o novo modelo, o teto sobe para R$ 2,25 milhões, e a Caixa poderá financiar até 80% do valor do imóvel. Isso representa um alívio para quem tinha dificuldade de arcar com a entrada, principalmente nas grandes capitais, onde o preço dos imóveis disparou.

Juros menores que a Selic

Os juros serão limitados a 12% ao ano, abaixo da taxa Selic, atualmente em 15%, o que reduz o custo total do financiamento. Além disso, os compradores poderão usar o FGTS para a entrada ou para amortizar o saldo devedor, medida que amplia o poder de compra das famílias.

Como vai funcionar o novo modelo

O programa moderniza o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), permitindo o uso de recursos que hoje ficam parados no Banco Central como depósitos compulsórios.

Regras atuais do SBPE

Hoje, o sistema funciona da seguinte forma:

  • 65% dos recursos da poupança devem obrigatoriamente ser destinados ao crédito habitacional;
  • 20% ficam retidos pelo Banco Central, como depósito compulsório;
  • 15% ficam livres para outras operações bancárias.

O que muda com o novo pacote

Com as novas regras, os bancos poderão usar parte do dinheiro antes retido, desde que comprovem a aplicação em financiamentos imobiliários.
A mudança será gradual, ocorrendo entre 2025 e 2027. Nesse período, o depósito compulsório cai de 20% para 15%, liberando 5 pontos percentuais diretamente para o crédito habitacional.

Transição até 2027

A partir de janeiro de 2027, o sistema passará a operar integralmente com:

  • Fim da obrigação de destinar 65% da poupança à habitação;
  • Extinção dos depósitos compulsórios, permitindo que até 100% dos recursos da poupança sejam usados para financiar imóveis.

O impacto para quem quer comprar um imóvel

O novo formato promete democratizar o acesso ao financiamento habitacional para uma camada da população que ficou desassistida nos últimos anos.

Segundo dados do setor, mais de 60% das famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil enfrentam dificuldades para conseguir crédito em condições favoráveis. Elas não se enquadram nos programas sociais, mas também não têm renda suficiente para lidar com juros de mercado.

Benefício direto à classe média

Essa faixa de renda é composta majoritariamente por profissionais liberais, pequenos empresários e servidores públicos, que formam a chamada classe média emergente. O pacote busca atender esse público e, ao mesmo tempo, atrair seu apoio político e econômico, em um momento em que o governo tenta equilibrar políticas sociais com estímulos ao consumo.

Estímulo à economia e geração de empregos

Além de facilitar o acesso à casa própria, o pacote deve aquecer o setor da construção civil, responsável por cerca de 6% do PIB brasileiro.
O governo estima que a liberação dos recursos movimentará cadeias produtivas de materiais de construção, móveis e serviços, gerando milhares de empregos diretos e indiretos até 2026.

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Poupança e crédito: um sistema mais eficiente

O governo justifica que a medida também tornará o uso da poupança mais eficiente.
Nos últimos anos, o volume aplicado na caderneta caiu significativamente, reflexo da baixa rentabilidade frente à alta da Selic e à migração dos investidores para produtos de renda fixa mais atrativos.

Em setembro de 2025, o total de recursos da poupança destinados à habitação era de R$ 755 bilhões, abaixo do recorde de R$ 801 bilhões registrado em dezembro de 2020.
Com as novas regras, esses recursos devem ser direcionados de forma mais dinâmica para o crédito imobiliário, ampliando o alcance das linhas de financiamento.

Linhas de crédito para reformas e imóveis usados

Caixa leiloa 3 mil imóveis com um valor médio de R$ 100 mil imóvel
Imagem: Fusionstudio / shutterstock.com

As novas condições valem tanto para imóveis novos quanto usados, desde que o valor esteja dentro dos limites do SFH.
Além disso, o governo estuda linhas especiais para reformas residenciais, voltadas a famílias com renda de até R$ 9,6 mil mensais.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Quem poderá se beneficiar do novo crédito imobiliário?
Trabalhadores com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, que não se enquadram no Minha Casa, Minha Vida, mas enfrentam dificuldades para acessar crédito de mercado.

2. Qual será o limite de valor do imóvel financiável?
O teto sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, dentro das regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

3. Qual será o percentual máximo de financiamento pela Caixa?
A Caixa poderá financiar até 80% do valor do imóvel, reduzindo o valor da entrada.

4. Qual a taxa de juros prevista?
Os juros serão de até 12% ao ano, inferiores à taxa Selic, hoje em 15%.

Considerações finais

O novo pacote habitacional do governo Lula representa uma reformulação profunda do crédito imobiliário no Brasil. Ao reduzir juros, ampliar limites e liberar mais recursos para o sistema, a medida busca estimular o setor da construção civil, fortalecer a classe média e impulsionar o crescimento econômico nos próximos anos.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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