De olho na classe média e buscando estimular o mercado da construção civil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um pacote habitacional que promete facilitar o acesso ao crédito imobiliário.
Financiamento de imóveis sofrerão reajustes e classe média baixa pode se beneficiar
O governo Lula anuncia mudanças no crédito imobiliário com juros reduzidos e aumento do teto de financiamento, beneficiando famílias.
A iniciativa prevê a liberação de R$ 20 bilhões até 2026 para financiar a compra de 80 mil moradias, com foco em trabalhadores que ganham entre R$ 12 mil e R$ 20 mil mensais — um público que, até então, ficava fora dos programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida e enfrentava juros altos no mercado tradicional.
Mudanças no crédito habitacional

A principal mudança é o aumento do teto do imóvel financiável dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), além da elevação do percentual máximo financiado pela Caixa Econômica Federal. A intenção é tornar o crédito mais acessível e reduzir a necessidade de grandes entradas.
Leia mais: Caixa Tem se torna porta de entrada para o mundo dos investimentos em 2025
Teto ampliado para R$ 2,25 milhões
Atualmente, o SFH permite o financiamento de imóveis de até R$ 1,5 milhão, com a Caixa cobrindo no máximo 70% do valor.
Com o novo modelo, o teto sobe para R$ 2,25 milhões, e a Caixa poderá financiar até 80% do valor do imóvel. Isso representa um alívio para quem tinha dificuldade de arcar com a entrada, principalmente nas grandes capitais, onde o preço dos imóveis disparou.
Juros menores que a Selic
Os juros serão limitados a 12% ao ano, abaixo da taxa Selic, atualmente em 15%, o que reduz o custo total do financiamento. Além disso, os compradores poderão usar o FGTS para a entrada ou para amortizar o saldo devedor, medida que amplia o poder de compra das famílias.
Como vai funcionar o novo modelo
O programa moderniza o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), permitindo o uso de recursos que hoje ficam parados no Banco Central como depósitos compulsórios.
Regras atuais do SBPE
Hoje, o sistema funciona da seguinte forma:
- 65% dos recursos da poupança devem obrigatoriamente ser destinados ao crédito habitacional;
- 20% ficam retidos pelo Banco Central, como depósito compulsório;
- 15% ficam livres para outras operações bancárias.
O que muda com o novo pacote
Com as novas regras, os bancos poderão usar parte do dinheiro antes retido, desde que comprovem a aplicação em financiamentos imobiliários.
A mudança será gradual, ocorrendo entre 2025 e 2027. Nesse período, o depósito compulsório cai de 20% para 15%, liberando 5 pontos percentuais diretamente para o crédito habitacional.
Transição até 2027
A partir de janeiro de 2027, o sistema passará a operar integralmente com:
- Fim da obrigação de destinar 65% da poupança à habitação;
- Extinção dos depósitos compulsórios, permitindo que até 100% dos recursos da poupança sejam usados para financiar imóveis.
O impacto para quem quer comprar um imóvel
O novo formato promete democratizar o acesso ao financiamento habitacional para uma camada da população que ficou desassistida nos últimos anos.
Segundo dados do setor, mais de 60% das famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil enfrentam dificuldades para conseguir crédito em condições favoráveis. Elas não se enquadram nos programas sociais, mas também não têm renda suficiente para lidar com juros de mercado.
Benefício direto à classe média
Essa faixa de renda é composta majoritariamente por profissionais liberais, pequenos empresários e servidores públicos, que formam a chamada classe média emergente. O pacote busca atender esse público e, ao mesmo tempo, atrair seu apoio político e econômico, em um momento em que o governo tenta equilibrar políticas sociais com estímulos ao consumo.
Estímulo à economia e geração de empregos
Além de facilitar o acesso à casa própria, o pacote deve aquecer o setor da construção civil, responsável por cerca de 6% do PIB brasileiro.
O governo estima que a liberação dos recursos movimentará cadeias produtivas de materiais de construção, móveis e serviços, gerando milhares de empregos diretos e indiretos até 2026.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Poupança e crédito: um sistema mais eficiente
O governo justifica que a medida também tornará o uso da poupança mais eficiente.
Nos últimos anos, o volume aplicado na caderneta caiu significativamente, reflexo da baixa rentabilidade frente à alta da Selic e à migração dos investidores para produtos de renda fixa mais atrativos.
Em setembro de 2025, o total de recursos da poupança destinados à habitação era de R$ 755 bilhões, abaixo do recorde de R$ 801 bilhões registrado em dezembro de 2020.
Com as novas regras, esses recursos devem ser direcionados de forma mais dinâmica para o crédito imobiliário, ampliando o alcance das linhas de financiamento.
Linhas de crédito para reformas e imóveis usados

As novas condições valem tanto para imóveis novos quanto usados, desde que o valor esteja dentro dos limites do SFH.
Além disso, o governo estuda linhas especiais para reformas residenciais, voltadas a famílias com renda de até R$ 9,6 mil mensais.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quem poderá se beneficiar do novo crédito imobiliário?
Trabalhadores com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, que não se enquadram no Minha Casa, Minha Vida, mas enfrentam dificuldades para acessar crédito de mercado.
2. Qual será o limite de valor do imóvel financiável?
O teto sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, dentro das regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
3. Qual será o percentual máximo de financiamento pela Caixa?
A Caixa poderá financiar até 80% do valor do imóvel, reduzindo o valor da entrada.
4. Qual a taxa de juros prevista?
Os juros serão de até 12% ao ano, inferiores à taxa Selic, hoje em 15%.
Considerações finais
O novo pacote habitacional do governo Lula representa uma reformulação profunda do crédito imobiliário no Brasil. Ao reduzir juros, ampliar limites e liberar mais recursos para o sistema, a medida busca estimular o setor da construção civil, fortalecer a classe média e impulsionar o crescimento econômico nos próximos anos.
Pode ser do seu interesse:
