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Alterações na CNH derrubam procura e setor de autoescolas registra demissões

Mudanças na CNH derrubam demanda, provocam demissões e geram alerta sobre a formação de novos condutores no Rio Grande do Norte.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
CNH 3

O setor de autoescolas do Rio Grande do Norte atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Desde a entrada em vigor das novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em 9 de dezembro do ano passado, centros de formação de condutores enfrentam queda brusca na demanda, demissões em massa e incertezas quanto à sustentabilidade do modelo atual. Representantes da categoria alertam não apenas para o impacto econômico, mas também para possíveis prejuízos à qualidade da formação dos futuros motoristas.

As mudanças alteraram profundamente a dinâmica do processo de habilitação no Brasil e, no RN, os efeitos foram imediatos. Com a flexibilização das exigências, muitos candidatos deixaram de procurar as autoescolas tradicionais, comprometendo receitas e levando empresários do setor a reavaliar a continuidade de suas atividades.

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Fim da obrigatoriedade das autoescolas

Uma das alterações mais significativas foi a retirada da obrigatoriedade de frequentar uma autoescola para realizar a prova prática de direção. A medida abriu espaço para que candidatos busquem outras formas de preparação, reduzindo drasticamente a procura pelos Centros de Formação de Condutores (CFCs).

Redução das horas-aula práticas

Outra mudança relevante foi a diminuição das aulas práticas obrigatórias, que passaram de 20 horas para apenas 2 horas. Para os empresários do setor, a redução compromete não só a receita das autoescolas, mas também a qualidade do aprendizado dos futuros condutores.

Eliminação das aulas teóricas obrigatórias

Além disso, as aulas teóricas deixaram de ser obrigatórias, permitindo que o candidato estude de forma autônoma. Embora a flexibilização seja vista por alguns como positiva, profissionais da área alertam para o risco de formação deficiente em temas essenciais como legislação de trânsito e direção defensiva.

Atuação de instrutores autônomos

Com as novas regras, aulas práticas podem ser ministradas por instrutores autônomos credenciados pelo Detran. Essa mudança intensificou a concorrência e colocou as autoescolas tradicionais em desvantagem competitiva.

Demissões em massa e fechamento de unidades

Impacto estimado em até 70% da categoria

Para o presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Rio Grande do Norte (SindCFC-RN), Eduardo Domingo, o cenário é crítico. Segundo ele, as mudanças provocaram uma crise profunda no setor. “O setor de autoescolas acabou”, afirma, ao estimar que cerca de 70% dos profissionais devem ser demitidos.

Eduardo destaca que a redução no número de aulas práticas desestimula completamente a procura pelos serviços das autoescolas. “Quem vai procurar autoescola para fazer duas aulas?”, questiona, ao prever o fechamento de diversas unidades nos próximos meses.

Exemplos práticos da crise

O impacto já é visível em diversas cidades do estado. Em Parnamirim, o diretor Pedro Ronaldo relata que a CFC Aliança, administrada por ele, reduziu o quadro de funcionários de 68 para apenas 13 colaboradores após a entrada em vigor das novas regras.

Com 26 anos de atuação no setor, Ronaldo afirma que a queda na demanda chega a 80%. Diante do cenário, ele avalia a possibilidade de mudar de ramo. “O que vimos foi demissão em massa e má formação de condutores”, resume.

Concorrência com instrutores autônomos

Desigualdade no modelo de competição

A concorrência com instrutores autônomos é apontada como um dos principais desafios para a sobrevivência das autoescolas. Segundo Pedro Ronaldo, é inviável competir em igualdade de condições. “É impossível concorrer com um instrutor autônomo. O critério de validação da aula prática é vergonhoso”, critica.

Sem os custos de manutenção de uma estrutura física, funcionários e frota de veículos, os instrutores independentes conseguem cobrar valores muito menores, atraindo candidatos que buscam economia.

Sustentabilidade financeira comprometida

Renildo Duarte, diretor de uma autoescola em Candelária e responsável pelo CFC Via Certa, em Natal, relata uma redução de cerca de 80% no quadro de profissionais. Ele explica que o modelo atual inviabiliza a manutenção da estrutura tradicional das autoescolas.

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“Se eu dava 20 aulas por R$ 1.200, não tem como manter a estrutura dando duas aulas por R$ 200”, afirma. A diminuição da receita, segundo ele, resulta em contas atrasadas, fechamento de escolas e prejuízos acumulados.

Impacto econômico e social das mudanças

Consequências financeiras para o setor

Do ponto de vista econômico, a redução no número de aulas obrigatórias diminuiu significativamente a arrecadação das autoescolas. O efeito direto é o corte de custos por meio de demissões e encerramento de atividades, afetando centenas de trabalhadores no estado.

Preocupação com a formação dos condutores

Além do impacto financeiro, profissionais alertam para um problema social ainda maior: a qualidade da formação dos novos condutores. Para Renildo Duarte, ninguém aprende a dirigir com apenas duas aulas práticas.

Ele acredita que o número de reprovações nos exames de direção deve aumentar e questiona a capacitação de familiares ou conhecidos que passam a ensinar os candidatos. “Um pai, uma mãe ou um irmão não são, necessariamente, capacitados para formar um condutor”, avalia.

Pontos positivos reconhecidos pelo setor

Apesar das críticas, representantes das autoescolas reconhecem que algumas mudanças trouxeram avanços. Entre eles, a possibilidade de realizar provas práticas com veículos automáticos e a concessão de tempo extra em exames para pessoas com transtorno do espectro autista e déficit de atenção.

Essas medidas são vistas como inclusivas e alinhadas à modernização do processo de habilitação, embora não sejam suficientes, na avaliação do setor, para compensar os prejuízos causados pelas demais alterações.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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