A seca prolongada nas principais bacias hidrográficas do Brasil reacendeu a discussão sobre a volta do horário de verão como medida para aliviar o sistema elétrico. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os volumes de água caíram até 20% nos últimos dez anos, elevando os riscos de abastecimento.
Abrasel defende volta do horário de verão para reduzir impacto da seca e energia cara
Seca prolongada e riscos no suprimento elétrico reacendem debate sobre o retorno do horário de verão. Medida pode reduzir picos de demanda e aliviar o sistema.
O setor produtivo, representado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), reforça a urgência de ações preventivas.
Para o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci, a demora nas decisões do governo pode resultar em interrupções no fornecimento entre 2026 e 2027, especialmente nas regiões mais dependentes de hidrelétricas.
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Deslocamento do consumo
A medida consiste em adiantar os relógios em uma hora, aproveitando melhor a luminosidade natural no fim da tarde. O efeito esperado é o deslocamento do pico de consumo das 18h às 21h, reduzindo a pressão sobre o sistema.
Potencial de economia
Estudos do ONS indicam que o horário de verão pode reduzir a demanda em até 2 gigawatts nos horários críticos. Essa redução representa o equivalente ao consumo de uma cidade como Brasília, trazendo alívio imediato ao sistema interligado.
Contexto da estiagem
Reservatórios pressionados
Atualmente, os reservatórios das usinas hidrelétricas operam em níveis estáveis, mas a pressão aumenta diante da pior estiagem em décadas registrada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Regiões mais afetadas
- Bacia do Paraná: queda de 20% no volume hídrico acumulado.
- Bacia do São Francisco: cenário semelhante, com impactos em irrigação e geração.
- Sul de São Paulo e norte do Paraná: áreas críticas segundo o Monitor da Seca da ANA.
Projeções preocupantes
O ONS calcula 30% de chance de déficit de potência para o biênio 2026-2027 caso não haja medidas de mitigação.
Pressões técnicas no sistema elétrico
Plano de Operação Energética 2025-2029
Apresentado em agosto, o plano recomenda o horário de verão como ferramenta complementar para equilibrar oferta e demanda.
Desafios adicionais
- Perda da geração solar ao entardecer.
- Crescimento da carga residencial e comercial entre 18h e 19h.
- Intermitência das fontes eólica e solar durante a noite.
Termelétricas em foco
Sem medidas preventivas, o despacho de termelétricas pode crescer 15%, encarecendo a operação e elevando as emissões de carbono.
Argumentos da Abrasel e do setor de serviços
Defesa de Paulo Solmucci
“A postergação governamental compromete a segurança do setor. O prazo para implementação em 2025 permite ajustes sem transtornos”, afirmou o presidente da Abrasel.
Benefícios econômicos
Historicamente, o horário de verão favoreceu bares, restaurantes e comércio de rua. Estudos mostram:
- Aumento de até 15% no faturamento de pequenos estabelecimentos.
- Crescimento de 3% a 5% em grandes redes de varejo.
- Estímulo ao turismo urbano com eventos ao ar livre e maior circulação noturna.
Impactos ambientais e climáticos
Mitigação das emissões
A medida pode reduzir em até 15% as emissões das termelétricas, promovendo sustentabilidade sem necessidade de grandes investimentos imediatos.
Conflito com a irrigação
A estiagem aumenta a demanda por água na agricultura em até 25% em zonas críticas, competindo diretamente com a geração de energia.
Intensidade histórica
Segundo o Cemaden, a seca de 2025 rivaliza com a de 1931, considerada a mais severa do século XX.
Experiência histórica com horário de verão
Anos de vigência
O Brasil adotou a medida por 34 anos, até sua suspensão em 2019.
Resultados obtidos
- Redução média de 2,9% da demanda máxima.
- Maior sincronia entre lazer urbano e jornada de trabalho.
- Sensação de segurança pública reforçada com ruas mais iluminadas.
Reações regionais
- Sudeste: comércio de rua registrava até 15% mais movimento.
- Sul: bares e restaurantes relatavam ganhos contínuos em faturamento.
- Norte e Nordeste: pouca adesão, devido às diferenças de fuso e menor variação de luminosidade.
Posição governamental
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Ministério de Minas e Energia
O ministro Alexandre Silveira afirma que o retorno depende de justificativa técnica clara, sobretudo em cenários de baixa pluviosidade e sobrecarga no pico.
Avaliações em andamento
O governo mantém análises contínuas, mas sem previsão oficial de reinstauração para 2025. Boatos sobre início em novembro foram classificados como infundados.
Situação atual
Reservatórios estão em 68% da capacidade, suficientes para atender à demanda até fevereiro de 2026 sem riscos críticos imediatos.
Opinião pública e controvérsia
Pesquisas recentes
A população está dividida:
- 47% favoráveis.
- 47% contrários.
- Restante indeciso, citando preocupações com ritmos biológicos e impactos na agropecuária.
Posição da Abrasel
A entidade defende a medida como solução de baixo custo e rápida implementação, capaz de combinar eficiência energética e vitalidade econômica.
Estratégias de adaptação urbana e comercial

Setor de serviços
- Pequenos negócios projetam crescimento de 10% a 15% no faturamento mensal.
- Estabelecimentos otimizam turnos e estoques entre 18h e 21h.
- Delivery adapta rotas para horários estendidos, elevando produtividade.
Varejo e turismo
- Lojas de rua no Sudeste preveem alta de 4% nas vendas.
- Eventos ao ar livre ganham maior adesão.
- Hotéis e restaurantes reportam maior ocupação e consumo.
Segurança urbana
A luz natural no início da noite amplia a sensação de segurança, estimulando famílias e grupos a circularem mais em vias públicas.
Considerações finais
O debate sobre o retorno do horário de verão se insere em um contexto de riscos crescentes no suprimento elétrico, agravados por estiagens históricas. Embora os reservatórios estejam estáveis no momento, as projeções do ONS indicam vulnerabilidades para os próximos anos.
Com potencial de reduzir a demanda em até 2 GW nos horários críticos, a medida representa uma alternativa de baixo custo e impacto imediato para aliviar o sistema elétrico. Além dos benefícios técnicos, traz ganhos econômicos ao comércio e ao setor de serviços, e reduz a dependência de termelétricas poluentes.
A decisão final cabe ao governo, mas especialistas, empresários e consumidores reconhecem que o horário de verão pode ser uma ponte estratégica entre a crise hídrica e a transição energética do país.
