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Conta em reais da Crypto.com será encerrada para clientes do Brasil

Duas plataformas de criptomoedas anunciaram mudanças relevantes para clientes brasileiros nesta semana. A Crypto.com informou que encerrará sua conta em reais (BRL) em 25 de outubro de 2026, enquanto a Lemon anunciou o fim de suas operações no Brasil. As medidas têm alcances diferentes. A Crypto.com continuará oferecendo serviços de negociação e custódia de criptomoedas […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
Crypto.com

Duas plataformas de criptomoedas anunciaram mudanças relevantes para clientes brasileiros nesta semana. A Crypto.com informou que encerrará sua conta em reais (BRL) em 25 de outubro de 2026, enquanto a Lemon anunciou o fim de suas operações no Brasil.

As medidas têm alcances diferentes. A Crypto.com continuará oferecendo serviços de negociação e custódia de criptomoedas no país, mas deixará de permitir depósitos, saques e conversões diretas entre reais e cripto dentro do aplicativo. Já a Lemon pretende encerrar completamente sua operação brasileira.

As decisões ocorrem durante a implementação do novo marco regulatório do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais. Uma regra específica começa a produzir efeitos em 30 de outubro de 2026, restringindo a atuação de instituições financeiras e de pagamento com empresas de cripto que não estejam autorizadas ou em processo de autorização junto ao BC.

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O que muda para os clientes da Crypto.com?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A principal mudança será o encerramento da Conta em BRL, utilizada por brasileiros para movimentar reais dentro do aplicativo da Crypto.com.

A partir de 25 de outubro de 2026, não será mais possível depositar reais a partir de uma conta bancária pessoal, sacar BRL para uma conta bancária verificada ou negociar diretamente reais por criptomoedas — e vice-versa.

Isso significa que o usuário que atualmente deposita reais, compra uma criptomoeda e depois eventualmente vende o ativo para voltar ao real terá de utilizar outro caminho para fazer a conversão para BRL.

A empresa, entretanto, não anunciou o encerramento de todos os seus serviços no Brasil. De acordo com o comunicado oficial, os usuários continuarão podendo depositar, retirar e negociar mais de 400 criptomoedas e utilizar o cartão Visa da Crypto.com.

O que acontece com o dinheiro que estiver na conta?

Quem possui saldo em reais deve tomar uma providência antes de 25 de outubro.

A Crypto.com recomenda duas alternativas: retirar o saldo em BRL para uma conta bancária verificada ou convertê-lo em criptomoedas diretamente pelo aplicativo.

Caso o usuário não faça nenhuma dessas operações, o saldo em reais que permanecer na conta após a data de encerramento será convertido automaticamente em USDC, pela taxa de mercado vigente no momento da conversão.

O USDC é uma stablecoin, ou seja, uma criptomoeda desenvolvida para acompanhar o valor do dólar americano.

Também há uma consequência para quem utiliza operações programadas. Ordens limite, compras recorrentes e operações TWAP financiadas pela conta em reais serão canceladas em 25 de outubro.

A Crypto.com vai sair do Brasil?

Não há, até o momento, anúncio de encerramento completo das operações da Crypto.com no país.

O comunicado oficial trata especificamente do fim da Conta em BRL. A plataforma afirma que os demais benefícios existentes no aplicativo não serão afetados e que os clientes continuarão podendo negociar criptomoedas e utilizar o cartão.

A empresa também não informou oficialmente que o encerramento da conta em reais ocorreu por causa da nova regulamentação do Banco Central.

A coincidência das datas chama atenção: a conta em reais será encerrada em 25 de outubro, cinco dias antes da entrada em vigor da restrição prevista na Resolução BCB nº 520. Ainda assim, a proximidade dos acontecimentos, por si só, não permite afirmar que a regulamentação foi a causa da decisão da Crypto.com.

Lemon vai deixar de operar no Brasil

A situação da Lemon é mais ampla.

A plataforma anunciou em 16 de setembro que encerrará suas operações no Brasil. Diferentemente da Crypto.com, a empresa relacionou diretamente sua decisão às novas exigências regulatórias do mercado brasileiro.

Segundo comunicado enviado aos clientes, a Lemon afirmou que as novas regras estabelecidas para o setor não favorecem, na avaliação da companhia, o desenvolvimento de seus produtos.

O cronograma de encerramento já foi divulgado.

  • 16 de setembro: novos depósitos deixam de ser aceitos;
  • 30 de setembro: o Lemon Card será desligado;
  • 16 de outubro: as contas brasileiras serão excluídas automaticamente.

As operações da empresa em Argentina, Colômbia e Peru não fazem parte desse encerramento, segundo a Lemon.

O que o cliente da Lemon deve fazer?

Quem ainda possui dinheiro ou criptomoedas na plataforma deve consultar o aplicativo e os canais oficiais de atendimento da empresa para verificar o procedimento aplicável ao próprio saldo antes do encerramento da conta.

Como a exclusão das contas brasileiras está prevista para 16 de outubro, deixar a movimentação para os últimos dias pode aumentar o risco de o usuário enfrentar dificuldades para resolver pendências dentro do prazo.

O Lemon Card, por sua vez, tem uma data específica de desligamento: 30 de setembro de 2026.

Por que o Banco Central está mudando as regras para criptomoedas?

O Banco Central passou a exercer uma função mais ampla de regulamentação, autorização e supervisão das empresas que prestam serviços relacionados a ativos virtuais.

A Resolução BCB nº 520, publicada em novembro de 2025 e com entrada em vigor em 2 de fevereiro de 2026, estabeleceu regras para a constituição e o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs), além de disciplinar a prestação desses serviços por instituições já autorizadas pelo BC.

O novo modelo estabelece requisitos relacionados a temas como proteção e transparência dos clientes, prevenção à lavagem de dinheiro, governança, segurança, controles internos e prestação de informações.

Na prática, o objetivo da regulamentação é inserir as empresas que atuam com criptoativos dentro de um ambiente de supervisão mais estruturado.

O que muda em 30 de outubro?

O artigo 91 da Resolução BCB nº 520 determina que, a partir de 30 de outubro de 2026, instituições financeiras, instituições de pagamento e outras instituições autorizadas pelo Banco Central não poderão realizar ou viabilizar determinadas operações com prestadoras de serviços de ativos virtuais que não estejam autorizadas ou em processo de autorização no Brasil.

A restrição alcança, entre outras atividades, operações envolvendo negociação, intermediação e custódia de ativos virtuais, além de determinadas operações de câmbio, contas de pagamento e transações de pagamento utilizadas para viabilizar essas operações.

É justamente essa mudança que ajuda a explicar por que o segundo semestre de 2026 está sendo marcado por ajustes no mercado brasileiro de criptomoedas.

A nova regra significa que criptomoedas serão proibidas no Brasil?

Não.

A regulamentação do Banco Central não proíbe brasileiros de possuir ou negociar criptomoedas. O que mudou foi o ambiente regulatório para as empresas que prestam serviços relacionados a esses ativos.

O BC passou a ter competência para regular, autorizar e supervisionar as prestadoras de serviços de ativos virtuais.

A Resolução BCB nº 520 também prevê regras de transição para empresas que já atuavam no mercado e precisam se adequar ao novo regime de autorização.

Por isso, o movimento observado entre algumas plataformas não significa que o mercado de criptoativos esteja sendo encerrado no país. As empresas precisam decidir como se adequar às novas exigências, solicitar autorização quando aplicável ou ajustar os serviços oferecidos aos clientes brasileiros.

O que o cliente da Crypto.com precisa fazer agora?

Para quem utiliza a conta em reais da Crypto.com, há três pontos principais para conferir antes de 25 de outubro:

  1. Saldo em reais: retirar para uma conta bancária verificada ou converter para cripto.
  2. Ordens programadas: verificar compras recorrentes, ordens limite e operações TWAP vinculadas à conta em BRL.
  3. Necessidade de conversão futura: quem utiliza a plataforma para entrar e sair de criptomoedas em reais deverá considerar que essa operação não estará mais disponível diretamente pelo aplicativo.

Quem optar por manter o saldo em reais até depois do prazo deve saber que a Crypto.com fará a conversão automática para USDC pela cotação de mercado vigente.

O que muda para quem usa criptomoedas no Brasil?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O impacto mais evidente para o consumidor é a redução de algumas opções de integração entre o sistema financeiro tradicional e as plataformas de criptomoedas.

No caso da Crypto.com, o usuário não perde necessariamente o acesso à negociação de criptomoedas, mas perde a possibilidade de movimentar BRL diretamente dentro da conta em reais.

No caso da Lemon, o impacto é maior porque a empresa está encerrando a operação brasileira.

As duas situações mostram que a adaptação às novas regras do Banco Central já está produzindo mudanças concretas nos produtos disponíveis aos consumidores brasileiros. Ao mesmo tempo, ainda não é possível determinar quais plataformas manterão todos os serviços atuais depois que o novo regime estiver plenamente implementado.

Conclusão

A Crypto.com e a Lemon anunciaram mudanças diferentes, mas que acontecem em um momento de transformação regulatória do mercado brasileiro de criptomoedas.

A Crypto.com encerrará a conta em reais em 25 de outubro de 2026, mantendo, segundo a própria empresa, serviços de negociação de criptomoedas e o cartão. Quem tiver saldo em BRL deve sacar ou converter os recursos antes do prazo; caso contrário, o valor será convertido automaticamente em USDC.

A Lemon encerrará suas operações no Brasil, com desligamento do Lemon Card em 30 de setembro e exclusão das contas brasileiras em 16 de outubro. A companhia atribuiu a decisão às novas exigências regulatórias.

Para o consumidor, a recomendação prática é verificar o saldo, as ordens programadas e os serviços utilizados em cada plataforma. Também é necessário acompanhar os comunicados oficiais, já que o novo regime do Banco Central ainda está entrando em uma fase decisiva de implementação.

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