O governo federal estima um impacto de aproximadamente R$ 30 bilhões nas contas públicas com medidas adotadas para reduzir o preço do diesel no país. A informação foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista coletiva.
Haddad estima R$ 30 bilhões em renúncia de PIS/Cofins e diesel
Haddad diz que medidas para reduzir preço do diesel custarão R$ 30 bilhões, compensadas por imposto sobre exportação de petróleo.
Segundo o ministro, o pacote inclui zerar temporariamente as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e a concessão de subvenções ao combustível, com o objetivo de aliviar os custos de transporte e conter pressões inflacionárias.
A expectativa do governo é que esse impacto seja totalmente compensado pela criação de um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto.
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Como o governo pretende compensar o custo das medidas
De acordo com Haddad, o impacto de R$ 30 bilhões se divide em duas frentes principais.
Renúncia fiscal com PIS e Cofins
A redução ou suspensão das contribuições do PIS e da Cofins sobre o diesel deve gerar uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 20 bilhões para o governo federal.
Esses tributos são contribuições federais que incidem sobre a receita das empresas e fazem parte da composição de preços de diversos produtos, incluindo combustíveis.
Ao reduzir ou zerar essas cobranças, o governo busca diminuir o preço final do diesel para transportadores e consumidores.
Subvenções ao combustível
Além da renúncia fiscal, o governo também pretende conceder subsídios diretos ao diesel, estimados em cerca de R$ 10 bilhões.
Essas subvenções funcionam como uma compensação financeira ao setor, ajudando a manter o preço do combustível em níveis considerados mais estáveis.
Imposto sobre exportações de petróleo
Para compensar o custo das medidas, o governo anunciou a criação de um imposto de 12% sobre exportações de petróleo bruto.
Segundo Haddad, a arrecadação proveniente dessa tributação deverá cobrir integralmente o impacto fiscal das medidas.
O petróleo exportado pelo Brasil é produzido principalmente por empresas do setor de óleo e gás, incluindo a estatal Petrobras e outras companhias que atuam na exploração do pré-sal.
A nova cobrança tem caráter temporário, segundo o governo.
Objetivo é estimular o refino no Brasil
Além de compensar a renúncia fiscal, o governo afirma que o imposto sobre exportações também tem uma função estratégica.
De acordo com Haddad e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, a medida pretende estimular o refino do petróleo dentro do próprio país.
Isso porque, atualmente, parte significativa da produção brasileira de petróleo é exportada sem passar por refinarias nacionais.
Segundo Haddad, existem refinarias no Brasil operando com capacidade ociosa relevante.
O ministro citou que pelo menos duas refinarias estão utilizando cerca de 50% da capacidade disponível, o que indica potencial para ampliar o processamento interno do petróleo.
Por que o preço do diesel preocupa o governo
O diesel é um dos combustíveis mais sensíveis para a economia brasileira.
Isso acontece porque ele é amplamente utilizado em setores estratégicos, como:
- transporte de cargas
- transporte público
- agricultura
- logística e distribuição
Qualquer aumento significativo no preço do diesel pode provocar efeitos em cadeia na economia, elevando custos de transporte e pressionando os preços de alimentos e produtos.
Por esse motivo, governos frequentemente adotam medidas fiscais ou regulatórias para tentar conter oscilações bruscas no valor do combustível.
Medidas devem ser temporárias
O ministro da Fazenda destacou que tanto a redução de tributos quanto o imposto sobre exportações não devem ser permanentes.
Segundo Haddad, a expectativa é que as medidas sejam aplicadas por um período limitado, semelhante ao que ocorreu em iniciativas adotadas em anos anteriores.
Ele citou como referência políticas aplicadas em 2023, quando o governo também adotou medidas temporárias para enfrentar oscilações no mercado de combustíveis.
A ideia é que, após o período de transição, o mercado volte a operar sem a necessidade dessas intervenções fiscais.
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Debate sobre impacto econômico
Especialistas avaliam que políticas desse tipo podem ter diferentes impactos.
Entre os possíveis efeitos positivos estão:
- redução temporária de custos para transportadores
- menor pressão inflacionária
- estabilidade no preço dos combustíveis
Por outro lado, críticos apontam que intervenções fiscais podem gerar distorções de mercado ou afetar a competitividade das exportações.
O debate sobre equilíbrio entre arrecadação pública, política energética e competitividade internacional costuma acompanhar decisões desse tipo no setor de combustíveis.
Papel do Brasil no mercado global de petróleo
O Brasil é atualmente um dos maiores produtores de petróleo do mundo, impulsionado principalmente pela exploração do pré-sal.
Nos últimos anos, o país ampliou significativamente suas exportações de petróleo bruto.
A criação de um imposto sobre essas exportações pode influenciar decisões de empresas do setor sobre:
- produção
- refino interno
- comercialização internacional
Por isso, a medida também é acompanhada de perto por investidores e especialistas do mercado energético.
O que esperar nos próximos meses
A eficácia das medidas anunciadas dependerá de fatores como:
- comportamento do mercado internacional de petróleo
- variação do dólar
- capacidade de refino nacional
- impacto da nova tributação nas exportações
Se os resultados esperados se confirmarem, o governo acredita que será possível manter o preço do diesel mais estável sem provocar perda fiscal líquida para o país.
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Imagem: TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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