O recente anúncio de reformulação do Bolsa Família no Brasil trouxe à tona uma preocupação significativa. Mesmo com um aumento no orçamento sem precedentes e uma revisão do benefício, o programa ainda deixa uma parte desproporcional da população na pobreza, com ênfase especial na disparidade racial.
Dado preocupante sobre o Bolsa Família é revelado; confira agora
Pesquisadores relevaram dados sobre o Bolsa Família após a recente reformulação do governo; um dado é preocupante.
De acordo com um estudo inédito realizado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP) e divulgado pela BBC News Brasil, 71% dos 45 milhões de brasileiros que devem permanecer em situação de pobreza neste ano são negros.
É importante destacar que a população negra representa 56% do total do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, isso revela que apesar dos esforços do Bolsa Família, uma grande parcela dos beneficiários que permanecerão em situação de pobreza é composta por pessoas negras.
Bolsa Família combate a pobreza, mas não a desigualdade racial

Esses números ressaltam a persistência de desigualdades profundamente enraizadas no Brasil, muitas das quais têm raízes históricas relacionadas ao racismo sistêmico. Por um lado, ao longo de seus 20 anos, o Bolsa Família realmente desempenha um papel fundamental no combate à fome e à pobreza.
Contudo, o estudo do Made-USP destaca que ele não é suficiente para abordar de forma abrangente as questões de desigualdade racial. Os pesquisadores argumentam que políticas públicas focadas e ações afirmativas são essenciais para melhorar o acesso à educação.
Consequentemente, isso reduziria as desigualdades sociais que afetam as populações negras. Além disso, é crucial enfrentar o racismo sistêmico na sociedade e considerar medidas de reparação histórica para abordar as desigualdades econômicas e sociais.
Um olhar crítico para o Bolsa Família
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A diretora do Made-USP, Luiza Nassif-Pires, destaca a importância de políticas de cuidado, como a expansão de creches e serviços de apoio a idosos e pessoas com deficiência. Isso permite que mais mulheres, especialmente as mulheres negras, acessem o mercado de trabalho e alcancem rendas mais elevadas para suas famílias.
Entre 2003 e 2015, o programa reduziu a taxa de pobreza em apenas 0,66 ponto percentual (p.p.) por ano. Porém, entre 2012 e 2019, esse número aumentou para 0,89 p.p. Em comparação, programas mais recentes, como o Auxílio Emergencial, o Auxílio Brasil e o novo Bolsa Família, com valores de transferência mais substanciais, tiveram impactos muito maiores na redução da pobreza.
Imagem: Sidney de Almeida / shutterstock.com
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