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Campinas terá megadata center previsto para 2027 com grande impacto na capacidade nacional

Novo data center em Campinas terá até 400 MW, foco em IA e resfriamento líquido, com investimento de bilhões e milhares de empregos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Campinas terá megadata center previsto para 2027 com grande impacto na capacidade nacional

Um novo data center em Campinas, no interior de São Paulo, promete ampliar de forma significativa a infraestrutura digital brasileira. O empreendimento da TERRANOVA, anunciado em 20 de agosto de 2026, será instalado na Fazenda Pau d’Alho, às margens da Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340), e terá como foco o processamento de aplicações de inteligência artificial (IA), computação em nuvem e outros serviços digitais.

O projeto foi apresentado como uma das maiores iniciativas recentes do setor no país. A primeira etapa deverá entrar em operação em 2027, enquanto a implantação completa está prevista para ocorrer até 2029.

Segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), o Brasil alcançou 1 gigawatt (GW) de capacidade de TI comissionada no primeiro trimestre de 2026. Isso significa que a capacidade projetada para o complexo de Campinas poderá representar uma parcela expressiva da infraestrutura atualmente em operação no país.

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Banco do Brasil: Agência 2913 em Campinas (SP)

Imagem: Reprodução

Quanto terá o novo data center de Campinas?

O Campus Campinas ocupará aproximadamente 944 mil metros quadrados, dos quais cerca de 115 mil metros quadrados serão destinados à área construída.

O projeto prevê uma subestação com capacidade inicial de 300 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para até 1 GW. Na primeira fase, estão previstos 216 MW de capacidade de tecnologia da informação, enquanto futuras expansões poderão levar a estrutura para aproximadamente 386 MW de capacidade de TI.

Há, portanto, uma diferença importante entre a capacidade da infraestrutura elétrica e a capacidade efetivamente destinada aos equipamentos de TI. Essa distinção ajuda a entender por que números como MW e GW são tão importantes no setor.

Para efeito de comparação, 400 MW correspondem a 40% de 1 GW. Por isso, caso o complexo alcance essa escala, sua capacidade será equivalente a uma parcela muito relevante da infraestrutura de data centers atualmente comissionada no Brasil.

Por que a energia é tão importante para um data center?

Data centers concentram grandes quantidades de servidores, equipamentos de armazenamento e sistemas de comunicação. Todos eles precisam de energia contínua e de alta confiabilidade.

Além de alimentar os computadores, a eletricidade também é necessária para sistemas de refrigeração, segurança, iluminação, distribuição elétrica e outros componentes essenciais.

A expansão do setor de inteligência artificial aumentou ainda mais essa demanda. Modelos de IA exigem grandes volumes de processamento, especialmente durante treinamento e execução de aplicações, o que impulsiona a procura por instalações capazes de suportar cargas computacionais de alta densidade.

O próprio projeto da TERRANOVA foi estruturado para atender justamente esse crescimento. A Prefeitura de Campinas informou que a primeira fase terá 216 MW de capacidade de TI e que o empreendimento poderá ser ampliado nas etapas seguintes.

Investimento pode chegar a R$ 20 bilhões

O investimento inicial anunciado para o Campus Campinas é de aproximadamente R$ 5 bilhões. Considerando as diferentes fases de implantação, o projeto poderá alcançar R$ 20 bilhões.

A previsão é de aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos ao longo das etapas do empreendimento, além de oportunidades relacionadas à construção, engenharia, tecnologia, manutenção, segurança, energia e serviços especializados.

O empreendimento também está inserido no Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável (PIDS). A TERRANOVA foi a primeira empresa a receber incentivo fiscal no polo, e o alvará para a implantação foi entregue durante o anúncio do projeto.

A escolha de Campinas não é por acaso. A cidade possui uma infraestrutura consolidada de telecomunicações, proximidade com universidades e centros de pesquisa e presença de empresas de tecnologia. O município também já integra o mapa nacional de data centers, com instalações de diferentes operadores.

Data center terá tecnologia de resfriamento líquido

Um dos pontos de maior atenção no projeto é o consumo de recursos naturais. Servidores de alta capacidade produzem muito calor e precisam ser mantidos dentro de condições adequadas de temperatura para funcionar de maneira segura.

Em vez de depender exclusivamente de sistemas tradicionais baseados em ar-condicionado, o empreendimento utilizará tecnologia de liquid cooling, ou resfriamento líquido.

Nesse modelo, a água fria circula por um sistema fechado próximo aos equipamentos para retirar o calor produzido pelos servidores. Como o circuito é fechado, a proposta é reduzir perdas por evaporação e, consequentemente, diminuir o consumo de água associado à refrigeração.

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A estratégia ganha relevância justamente em um momento de expansão dos data centers voltados para inteligência artificial, que podem trabalhar com equipamentos de maior densidade computacional.

Projeto prevê áreas verdes e infraestrutura para a região

O impacto do empreendimento não ficará restrito à área tecnológica. Cerca de 285 mil metros quadrados do terreno serão preservados como áreas verdes ou destinados ao município.

Também estão previstas obras de infraestrutura, incluindo estação de tratamento de água e esgoto, parque público e novas vias.

A estação de tratamento deverá atender não apenas ao empreendimento, mas também a uma área mais ampla da região, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Campinas.

Esse tipo de contrapartida é particularmente relevante porque grandes data centers exigem infraestrutura energética, viária, hídrica e de conectividade compatível com sua escala.

Campinas pode ganhar ainda mais importância no mercado de IA

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O avanço do projeto reforça uma tendência maior: o Brasil está se tornando um mercado estratégico para infraestrutura digital e inteligência artificial.

A ABDC apontou que o país atingiu 1 GW de capacidade de TI comissionada no primeiro trimestre de 2026. Paralelamente, empresas do setor continuam anunciando novas expansões para atender à demanda de serviços em nuvem, processamento de dados e IA.

Outro fator determinante é a disponibilidade de energia. Em março de 2026, a Siemens Energy anunciou um contrato superior a R$ 100 milhões com a TERRANOVA para infraestrutura elétrica dos futuros campi em Campinas. O acordo inclui uma subestação isolada a gás de 300 MW e transformadores de potência.

Na prática, isso mostra que a expansão dos data centers depende de uma cadeia muito maior do que apenas construir prédios para servidores. É necessário garantir energia, conectividade, refrigeração, segurança, infraestrutura urbana e mão de obra especializada.

(Foto: Reprodução)

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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