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Defasagem de 157% no Imposto de Renda: entenda como isso afeta quem trabalha

Defasagem da tabela do Imposto de Renda chega a 157% e penaliza a classe média. Veja impactos, números e o que muda em 2026.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
imposto de renda

A defasagem histórica da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) voltou ao centro do debate econômico em 2026. Segundo levantamento do Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), a diferença acumulada entre a inflação oficial e os reajustes efetivamente aplicados à tabela chegou a 157,22%, considerando os resíduos desde 1996, quando foi encerrado o mecanismo de correção automática.

O dado, calculado após a divulgação do IPCA de 2025 — que fechou em 4,26%, conforme o IBGE — evidencia um problema estrutural do sistema tributário brasileiro: a corrosão do poder de compra dos contribuintes, especialmente da classe média, que passa a pagar mais imposto mesmo sem aumento real de renda.

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O que significa a defasagem da tabela do Imposto de Renda

A defasagem ocorre quando as faixas de tributação do Imposto de Renda não acompanham a inflação. Na prática, isso faz com que salários reajustados apenas para repor perdas inflacionárias passem a ser tributados ou enquadrados em alíquotas maiores.

Como a defasagem se acumulou desde 1996

Desde o fim do reajuste automático da tabela do IRPF, em 1996, a inflação seguiu seu curso natural, enquanto as faixas de tributação permaneceram longos períodos congeladas.

Períodos de congelamento mais críticos

Entre 2016 e 2022, a tabela ficou completamente congelada. Nesse intervalo, a inflação acumulada ultrapassou dois dígitos, aprofundando ainda mais o chamado “efeito arrasto”.

O impacto do IPCA de 2025 no cálculo

Com o IPCA de 4,26% em 2025, a defasagem média saltou de 154,49% para 157,22%, segundo o Sindifisco. Esse avanço reforça a tese de que ajustes pontuais não são suficientes para corrigir o problema estrutural.

Quanto deveria ser a tabela do IR se fosse totalmente corrigida

De acordo com o estudo do Sindifisco Nacional, caso toda a inflação acumulada desde 1996 fosse incorporada à tabela:

Nova faixa de isenção teórica

  • Apenas rendimentos acima de R$ 6.694,37 seriam tributados
  • A alíquota máxima de 27,5% só incidiria sobre rendas mensais superiores a R$ 12.374,74

Comparação com a tabela vigente em 2026

Atualmente, a alíquota máxima começa a ser aplicada a partir de R$ 7.350,01, o que demonstra o quanto a tabela ainda está distante de uma correção integral.

Evolução recente da faixa de isenção do Imposto de Renda

Apesar da defasagem estrutural, os últimos anos registraram avanços pontuais na ampliação da faixa de isenção.

Primeiro ajuste no governo Lula

Em 2023, no primeiro ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a faixa de isenção foi corrigida em 10,93%, passando de R$ 1.903,98 para R$ 2.112,00, já com dedução mensal de R$ 528,00.

Novos ajustes em 2025

Em 2025, o governo promoveu dois novos aumentos:

  • Faixa isenta para rendimentos de até R$ 2.824,00
  • Posteriormente elevada para R$ 3.036,00, equivalente a dois salários mínimos

Reforma do IR entra em vigor em 2026

A partir de janeiro de 2026, entrou em vigor a reforma da tributação da renda:

  • Isenção total até R$ 5.000,00 mensais
  • Redução linear entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00
  • Acima disso, aplicação da tabela progressiva tradicional

Avanço reconhecido, mas insuficiente, avalia o Sindifisco

O presidente do Sindifisco Nacional, Dão Real, reconhece que a ampliação da isenção até R$ 5 mil representa um avanço importante.

Justiça tributária e imposto mínimo da alta renda

Segundo o sindicato, a medida ganha relevância ao ser combinada com a criação de uma alíquota efetiva mínima de 10% para contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 1,2 milhão.

Diferença ainda penaliza a classe média

Apesar disso, Dão Real destaca que ainda existe uma diferença de R$ 1.694,37 entre a faixa de isenção atual e aquela que seria necessária caso a tabela fosse totalmente corrigida pela inflação.

Simulações mostram impacto direto no bolso do contribuinte

O estudo do Sindifisco apresenta simulações que evidenciam o peso da defasagem para diferentes faixas de renda.

Quem ganha R$ 6.500 por mês

  • Imposto pago a mais: R$ 535,04 mensais
  • Valor anual adicional: mais de R$ 6.400

Quem recebe R$ 10 mil mensais

  • Imposto pago a maior: R$ 1.186,87 por mês
  • Percentual: 371,80% acima do que seria devido com correção integral

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Alta renda sente menos o impacto

Para rendimentos superiores a R$ 100 mil mensais, o impacto relativo da defasagem é de apenas 7,86%, o que evidencia o caráter regressivo do sistema atual.

O efeito arrasto e a regressividade do IR

A não correção integral da tabela mantém o chamado efeito arrasto, fenômeno em que aumentos nominais apenas para recompor a inflação levam o contribuinte a pagar mais imposto.

Por que o efeito arrasto é prejudicial

  • Penaliza quem não teve ganho real de renda
  • Aumenta a carga tributária de forma indireta
  • Afeta principalmente trabalhadores assalariados e aposentados

Classe média é a mais afetada

Segundo o Sindifisco, o peso da defasagem recai desproporcionalmente sobre a classe média, enquanto contribuintes de renda muito alta conseguem absorver melhor o impacto.

Correção da tabela não é renúncia fiscal, diz sindicato

O Sindifisco reforça que a correção integral da tabela do IRPF não configura renúncia fiscal, mas sim recomposição do valor real da base de tributação.

Exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal

Quando a correção é parcial, o governo precisa compensar a perda de arrecadação, o que gera entraves políticos e fiscais para ajustes mais amplos.

Debate deve ir além da faixa de isenção

Para o sindicato, limitar os ajustes apenas à faixa de isenção não resolve o problema estrutural e perpetua distorções no sistema tributário.

Perspectivas para os próximos anos

Especialistas avaliam que a pressão por uma correção mais ampla da tabela deve continuar, especialmente diante da persistência da inflação e da necessidade de aliviar o peso tributário sobre a classe média.

Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem pagando mais Imposto de Renda do que pagariam em um sistema plenamente corrigido, reforçando a urgência de um debate estrutural sobre justiça tributária no país.

Considerações finais

A defasagem de 157,22% da tabela do Imposto de Renda expõe um problema histórico que vai além de ajustes pontuais. Embora a ampliação da faixa de isenção até R$ 5 mil represente um avanço relevante, os números mostram que a classe média continua arcando com um peso tributário desproporcional.

Sem uma correção mais ampla das demais faixas, o efeito arrasto seguirá corroendo a renda dos contribuintes e aprofundando a regressividade do sistema.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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