O setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026, segundo o relatório Estatísticas Fiscais, divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (30). O resultado representa uma alta de aproximadamente 66,3% em relação ao déficit de R$ 33,7 bilhões observado no mesmo mês de 2025.
Déficit do setor público cresce 66% em maio, segundo o BC
Déficit do setor público chegou a R$ 56,1 bilhões em maio de 2026, enquanto a dívida bruta avançou para 81,1% do PIB.
O setor público consolidado reúne as contas da União, dos estados, dos municípios e das empresas estatais. O indicador é um dos principais termômetros da situação fiscal do país e influencia diretamente a percepção de investidores, agências de classificação de risco e a condução da política monetária.
Além do aumento do déficit mensal, o levantamento mostra que a dívida bruta do governo geral avançou para 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), reforçando os desafios para o equilíbrio das contas públicas.
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O que é o déficit primário do setor público?

O déficit primário representa a situação em que as despesas do governo superam suas receitas, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.
Na prática, esse indicador mede se o governo consegue financiar suas despesas correntes apenas com a arrecadação de impostos, contribuições e outras receitas.
Quando ocorre déficit, significa que o setor público precisa recorrer ao aumento do endividamento para cobrir essa diferença.
Esse dado é acompanhado de perto pelo mercado financeiro porque serve como indicador da sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazo.
Resultado pior que o registrado em 2025
Em maio de 2026, o déficit ficou significativamente acima do observado um ano antes.
Comparação dos resultados para o mês de maio
| Ano | Resultado |
|---|---|
| 2022 | Déficit de R$ 33 bilhões |
| 2023 | Déficit de R$ 50,2 bilhões |
| 2024 | Déficit de R$ 63,9 bilhões |
| 2025 | Déficit de R$ 33,7 bilhões |
| 2026 | Déficit de R$ 56,1 bilhões |
Embora o resultado de 2026 permaneça abaixo do registrado em maio de 2024, representa uma deterioração expressiva frente ao desempenho do ano passado.
Governo central foi o principal responsável pelo resultado
O déficit foi concentrado principalmente nas contas do governo federal.
Veja o desempenho de cada segmento do setor público:
- Governo central: déficit de R$ 55,2 bilhões;
- Governos regionais (estados e municípios): déficit de R$ 1,2 bilhão;
- Empresas estatais: superávit de R$ 273 milhões.
Na prática, o pequeno resultado positivo das estatais teve impacto limitado e não foi suficiente para compensar os déficits registrados pelos demais entes públicos.
Déficit acumulado chega a R$ 149 bilhões em 12 meses
O relatório também aponta que, considerando os últimos 12 meses encerrados em maio, o setor público consolidado acumula déficit de R$ 149 bilhões.
Esse montante corresponde a 1,14% do PIB, percentual superior ao registrado no acumulado até abril, indicando uma piora gradual da trajetória fiscal.
O acompanhamento do resultado em 12 meses é considerado importante porque reduz os efeitos sazonais da arrecadação e dos gastos públicos, oferecendo uma visão mais consistente da evolução das contas do governo.
Dívida bruta sobe para 81,1% do PIB
Outro dado que chamou atenção foi o avanço da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG).
O indicador passou para 81,1% do PIB, alcançando aproximadamente R$ 10,6 trilhões.
Em relação a abril, houve aumento de 0,9 ponto percentual.
A dívida bruta engloba os compromissos financeiros do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais, sendo considerada uma das principais métricas de solvência fiscal utilizadas internacionalmente.
Diversos fatores contribuíram para esse avanço, entre eles:
- necessidade de financiamento do déficit público;
- pagamento de juros da dívida;
- emissões de títulos públicos;
- variações cambiais e financeiras que afetam o estoque da dívida.
Por que esses números são importantes?
Os indicadores fiscais têm impacto direto sobre diversos aspectos da economia brasileira.
Entre os principais efeitos estão:
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Política de juros
Contas públicas mais pressionadas podem dificultar o processo de redução da taxa básica de juros (Selic), uma vez que aumentam as preocupações com a inflação e com a credibilidade da política fiscal.
Custo do financiamento
Quanto maior a percepção de risco fiscal, maior tende a ser o prêmio exigido pelos investidores para financiar a dívida pública, elevando os custos de captação do governo.
Investimentos
Empresas e investidores acompanham de perto os indicadores fiscais ao decidir sobre novos investimentos no país. Um ambiente de maior estabilidade nas contas públicas costuma favorecer o crescimento econômico no longo prazo.
Câmbio
A piora das contas fiscais também pode aumentar a volatilidade do dólar, especialmente em períodos de maior incerteza econômica.
O que observar nos próximos meses?

Os próximos relatórios do Banco Central serão fundamentais para verificar se o aumento do déficit representa um movimento pontual ou o início de uma tendência de deterioração fiscal.
Além disso, o mercado continuará acompanhando fatores como:
- desempenho da arrecadação federal;
- evolução das despesas obrigatórias;
- cumprimento das metas fiscais estabelecidas pelo governo;
- trajetória da dívida pública;
- impacto das decisões sobre política monetária e crescimento econômico.
A combinação desses indicadores ajudará a definir o cenário das contas públicas ao longo de 2026.
Conclusão
O déficit de R$ 56,1 bilhões registrado em maio de 2026 evidencia uma piora das contas do setor público em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, a elevação da dívida bruta para 81,1% do PIB reforça a importância do acompanhamento da política fiscal brasileira.
Embora as empresas estatais tenham apresentado resultado positivo no mês, os déficits do governo federal e dos governos regionais determinaram o desempenho consolidado. Nos próximos meses, investidores, economistas e agentes do mercado seguirão atentos aos indicadores fiscais para avaliar a sustentabilidade das contas públicas e seus possíveis reflexos sobre juros, inflação e crescimento da economia brasileira.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
