A demanda por etanol deve ganhar força no Brasil durante o segundo semestre de 2026. Uma pesquisa realizada pela consultoria Argus com grandes distribuidoras de combustíveis projeta crescimento de 17% nas vendas em julho e de 19% em agosto, na comparação com os mesmos meses de 2025.
Demanda por etanol pode crescer até 19% e mudar a escolha dos motoristas nos postos
Demanda por etanol pode subir 17% em julho e 19% em agosto. Entenda preços, gasolina E32 e quando o combustível compensa.
O movimento chama atenção porque ocorre em um momento no qual o etanol hidratado, vendido diretamente nas bombas, voltou a apresentar forte competitividade em relação à gasolina em diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo, o governo elevou temporariamente de 30% para 32% a quantidade de etanol anidro misturada à gasolina comum.
Esses dois mercados são diferentes, mas estão conectados. O motorista de carro flex pode escolher o etanol hidratado no posto, enquanto o etanol anidro entra obrigatoriamente na composição da gasolina.
Na prática, isso significa que o consumo do biocombustível pode crescer por duas frentes: pela escolha direta dos motoristas e pelo aumento da quantidade usada pelas distribuidoras na produção da gasolina vendida no país.
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Por que a procura por etanol deve aumentar?

O principal motivo apontado pelas distribuidoras é a melhora da competitividade do etanol em relação à gasolina.
Quando o preço do biocombustível cai e a gasolina permanece mais cara, o motorista de veículo flex tende a comparar os valores antes de abastecer. Essa mudança de escolha pode provocar uma transferência rápida da demanda de um combustível para o outro.
As projeções indicam que o consumo de etanol hidratado pode crescer 17% em julho e 19% em agosto, diante dos mesmos períodos do ano anterior. A gasolina, por outro lado, deve apresentar estabilidade em julho e uma pequena retração de 1% em agosto.
O resultado esperado não significa que todos os motoristas brasileiros passarão a abastecer com etanol. Os preços variam bastante entre estados, cidades e até entre postos localizados no mesmo bairro.
Ainda assim, quando a diferença fica suficientemente grande, o etanol se torna uma opção mais atraente para parte relevante da frota flex.
Preço menor ajuda a explicar a mudança nas bombas
Entre janeiro e o início de julho de 2026, o preço médio nacional do etanol hidratado apresentou uma trajetória de queda.
Segundo dados do levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, o etanol chegou ao começo de julho custando pouco mais de R$ 4 por litro na média brasileira. A gasolina comum permaneceu acima de R$ 6,50 por litro no mesmo período.
Com base nos valores citados no levantamento para a semana de 5 a 11 de julho — R$ 4,06 pelo etanol e R$ 6,58 pela gasolina —, o preço do biocombustível representava aproximadamente 61,7% do preço da gasolina.
Essa relação coloca o etanol em uma posição bastante competitiva para muitos veículos flex.
Como comparar etanol e gasolina?
A regra mais conhecida diz que o etanol costuma compensar quando seu preço corresponde a até 70% do valor da gasolina.
O cálculo é simples:
Preço do etanol ÷ preço da gasolina
No exemplo da média nacional:
R$ 4,06 ÷ R$ 6,58 = 0,617
Multiplicando por 100, o resultado é cerca de 61,7%.
Pela regra tradicional, o etanol estaria claramente vantajoso.
No entanto, o limite de 70% não deve ser encarado como uma verdade absoluta. Veículos mais modernos podem ter desempenho diferente, e alguns modelos conseguem aproveitar melhor o etanol.
O ideal é que cada motorista observe o consumo real do próprio carro.
Um exemplo mais preciso para o motorista
Imagine que um automóvel faça:
- 10 quilômetros por litro com etanol;
- 14 quilômetros por litro com gasolina.
Com o etanol a R$ 4,06, o custo por quilômetro seria:
R$ 4,06 ÷ 10 km = R$ 0,406 por quilômetro
Com a gasolina a R$ 6,58, o custo seria:
R$ 6,58 ÷ 14 km = R$ 0,470 por quilômetro
Nesse exemplo, o etanol representaria uma economia aproximada de 6,4 centavos por quilômetro.
Em uma viagem de 500 quilômetros, a diferença chegaria a aproximadamente R$ 32.
O cálculo real depende do veículo, da forma de dirigir, do trânsito, do uso do ar-condicionado e das condições da estrada.
Mercado de trabalho também influencia o consumo
A demanda por combustíveis não depende apenas dos preços.
Quando o emprego e a renda avançam, mais pessoas se deslocam para trabalhar, viajam, consomem produtos e utilizam serviços de transporte. Empresas também podem ampliar suas operações, aumentando a circulação de mercadorias e trabalhadores.
No trimestre encerrado em abril de 2026, a taxa de desemprego ficou em 5,8%, abaixo dos 6,6% registrados no mesmo período de 2025. O rendimento médio real dos trabalhadores alcançou R$ 3.732.
O IBGE informou ainda que a taxa de desocupação caiu 0,8 ponto percentual na comparação anual, embora tenha aumentado em relação ao trimestre móvel encerrado em janeiro de 2026.
Esse cenário ajuda a sustentar o consumo de combustíveis, principalmente em períodos de férias, viagens e maior atividade econômica.
A projeção das distribuidoras, portanto, combina dois fatores:
- preço do etanol mais competitivo;
- maior capacidade de consumo e deslocamento das famílias.
O que muda com a gasolina E32?
O governo federal decidiu elevar temporariamente de 30% para 32% o percentual de etanol anidro misturado à gasolina comum.
A gasolina vendida nos postos não é composta apenas por gasolina derivada do petróleo. Antes de chegar ao consumidor, ela recebe uma parcela obrigatória de etanol anidro, que não contém a mesma quantidade de água do etanol hidratado vendido separadamente.
Com a nova regra, cada 100 litros de gasolina comum passam a conter:
- 68 litros de gasolina A;
- 32 litros de etanol anidro.
Antes, a proporção era de 70 litros de gasolina A e 30 litros de etanol.
A Empresa de Pesquisa Energética já considerava, em suas perspectivas de curto prazo, a utilização do mandato de 32% entre julho e dezembro de 2026.
Etanol anidro e hidratado são a mesma coisa?
Não.
O etanol hidratado é o combustível que o motorista coloca diretamente no tanque de um carro flex.
Já o etanol anidro é utilizado principalmente na mistura obrigatória da gasolina. Ele contém uma quantidade menor de água e não é oferecido ao consumidor da mesma forma nas bombas.
Dessa maneira, o aumento de 30% para 32% não significa que o motorista colocou mais etanol hidratado no veículo. Significa que a gasolina comum já chega ao posto com uma proporção maior de etanol anidro.
A nova mistura pode aumentar ainda mais a demanda?
Sim, mas o impacto não aparece necessariamente de forma imediata.
A pesquisa das distribuidoras teria sido concluída antes do anúncio oficial do aumento da mistura. Por isso, as projeções de alta de 17% e 19% não incorporariam integralmente a nova demanda gerada pela gasolina E32.
Com a elevação de dois pontos percentuais, as distribuidoras precisam comprar mais etanol anidro para produzir o mesmo volume de gasolina comum.
Por exemplo, para preparar 1 milhão de litros de gasolina:
- com a mistura de 30%, eram necessários 300 mil litros de etanol;
- com a mistura de 32%, passam a ser necessários 320 mil litros.
A diferença é de 20 mil litros adicionais de etanol para cada 1 milhão de litros de combustível final.
Em escala nacional, essa mudança pode representar uma procura adicional relevante pelo biocombustível.
Entidades do setor avaliam que a nova mistura tende a ampliar a demanda nos meses seguintes, embora o efeito completo dependa do cronograma de adaptação das distribuidoras e da vigência da medida.
O motorista deve sentir diferença no preço da gasolina?
O efeito final na bomba ainda é incerto.
O etanol costuma custar menos que a gasolina pura na cadeia de produção. Por esse motivo, substituir uma parcela adicional de gasolina A por etanol anidro pode contribuir para reduzir o custo de composição do combustível.
A estimativa divulgada após a decisão apontou uma possível redução de aproximadamente R$ 0,03 por litro da gasolina. Entretanto, isso não significa que todos os postos obrigatoriamente reduzirão o preço exatamente nesse valor.
O preço final depende de vários componentes:
- valor cobrado pelas refinarias e importadores;
- preço do etanol anidro;
- tributos;
- custos de transporte;
- margens das distribuidoras;
- margens dos postos;
- concorrência local.
Assim, parte da redução pode chegar rapidamente ao consumidor, enquanto outra parte pode ser absorvida ao longo da cadeia.
Também existe o risco de que uma valorização do etanol anidro, provocada pelo aumento da demanda, reduza parte da economia inicialmente esperada.
Mais etanol na gasolina muda o consumo do carro?
Em termos gerais, o etanol possui menor quantidade de energia por litro do que a gasolina.
Isso significa que um combustível com uma proporção maior de etanol pode provocar um pequeno aumento no consumo, medido em litros por quilômetro.
No entanto, a mudança de 30% para 32% é relativamente pequena. O efeito percebido por um motorista pode ser difícil de separar de outros fatores, como trânsito, calibragem dos pneus, manutenção, qualidade do combustível e forma de condução.
A elevação foi baseada em avaliações técnicas para verificar a compatibilidade do combustível com os veículos e com os sistemas de abastecimento.
Para o consumidor, não há necessidade de adaptação no carro nem de escolha de uma bomba diferente. A gasolina comum comercializada pelos postos já deve seguir a especificação em vigor.
O crescimento do etanol pode pressionar os preços?
Uma demanda maior tende a favorecer produtores, usinas e distribuidores. Entretanto, ela também pode provocar pressão de alta caso a oferta não acompanhe o consumo.
O Brasil possui uma estrutura ampla de produção de etanol, baseada principalmente na cana-de-açúcar e, de forma crescente, no milho.
A oferta depende de fatores como:
- volume de cana processada;
- produção de milho;
- produtividade das lavouras;
- condições climáticas;
- decisão das usinas entre açúcar e etanol;
- estoques disponíveis;
- demanda interna e exportações.
Quando o preço internacional do açúcar está mais atraente, algumas usinas podem direcionar maior parcela da cana para a produção do alimento. Isso reduz o volume disponível para o combustível.
Por outro lado, o avanço do etanol de milho ajuda a ampliar a oferta durante períodos nos quais a moagem de cana é menor.
O efeito final sobre os preços dependerá do equilíbrio entre essa produção e o crescimento esperado do consumo.
São Paulo continua sendo referência para o mercado
O estado de São Paulo costuma ser observado de perto porque reúne uma grande frota de veículos flex, elevada produção de cana e ampla oferta de etanol.
A proximidade entre as usinas e os centros consumidores reduz custos logísticos, ajudando o biocombustível a apresentar preços mais competitivos.
Em estados mais distantes das áreas produtoras, o transporte pode encarecer o etanol. Por isso, mesmo que a média nacional indique vantagem, o consumidor precisa comparar os valores em sua própria cidade.
A decisão de abastecer com etanol pode fazer sentido em São Paulo, Goiás ou Mato Grosso, mas não necessariamente será a melhor escolha em todos os estados do Norte ou do Nordeste.
Gasolina deve perder espaço?
A projeção não indica uma queda brusca da gasolina.
A expectativa é de estabilidade no consumo em julho e recuo de aproximadamente 1% em agosto, na comparação anual.
Isso mostra que a gasolina continuará ocupando a maior parte do mercado. O que pode ocorrer é uma mudança na composição das vendas, com o etanol hidratado conquistando uma participação maior.
Dados da ANP mostram que o etanol hidratado representava 31,8% das vendas totais de combustíveis do ciclo Otto em abril de 2026. No mesmo mês de 2025, essa participação era de 32,4%.
Em janeiro de 2026, a participação havia ficado em 29,6%, abaixo dos 32,3% registrados um ano antes, após a perda de competitividade observada durante parte de 2025.
A queda dos preços ao longo de 2026 pode ajudar o biocombustível a recuperar esse espaço nos meses seguintes.
E o diesel?
As distribuidoras projetam estabilidade no volume mensal de diesel entre julho e agosto, próximo de 6,3 milhões de metros cúbicos.
Na comparação anual, entretanto, as estimativas indicam comportamentos diferentes:
- queda de 1,4% em julho;
- crescimento de 3,8% em agosto.
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O diesel está mais ligado ao transporte de cargas, ao agronegócio, à indústria e ao desempenho geral da economia do que à decisão direta dos proprietários de veículos flex.
Além da demanda interna, o mercado brasileiro é influenciado pelos preços internacionais e pela disponibilidade de produto importado.
O Brasil é importador líquido de diesel, o que significa que a produção nacional não é suficiente para atender todo o consumo. Qualquer redução relevante da oferta internacional pode aumentar a concorrência pelos carregamentos e encarecer as importações.
O aumento do etanol pode beneficiar a economia?
O avanço da demanda tende a movimentar diferentes partes da cadeia produtiva.
O setor envolve:
- produtores de cana-de-açúcar e milho;
- usinas;
- transportadoras;
- distribuidoras;
- postos;
- fabricantes de equipamentos;
- prestadores de serviços;
- trabalhadores rurais e industriais.
Uma procura maior pode estimular a produção e novos investimentos. Também fortalece uma fonte de energia renovável produzida em larga escala dentro do Brasil.
O etanol ainda ajuda a reduzir a dependência de gasolina importada e amplia a utilização de biocombustíveis na matriz de transportes.
Por outro lado, o crescimento precisa ser acompanhado de oferta suficiente. Caso contrário, a valorização do produto pode diminuir sua vantagem econômica diante da gasolina.
Etanol é sempre mais sustentável?
O etanol é considerado um combustível renovável porque é produzido a partir de matérias-primas vegetais, como cana e milho.
Durante o crescimento, as plantas absorvem dióxido de carbono da atmosfera. Embora o cultivo, a produção e o transporte também gerem emissões, o balanço tende a ser inferior ao dos combustíveis fósseis em diversas condições.
Isso não significa que toda produção tenha impacto ambiental nulo.
A sustentabilidade depende de fatores como:
- uso da terra;
- origem da matéria-prima;
- consumo de água;
- utilização de fertilizantes;
- eficiência industrial;
- distância de transporte;
- aproveitamento de resíduos.
No Brasil, programas como o RenovaBio buscam diferenciar produtores conforme a eficiência ambiental e incentivar a redução das emissões no setor de combustíveis.
O que o motorista deve observar antes de abastecer?
A projeção de crescimento não significa que o etanol será automaticamente a melhor escolha em todos os postos.
Antes de abastecer, o consumidor pode seguir três passos.
Compare os preços
Divida o preço do etanol pelo preço da gasolina.
Um resultado abaixo de 0,70 costuma indicar vantagem para o etanol pela regra tradicional.
Observe o consumo real do veículo
Zere o computador de bordo ou anote a quilometragem ao encher o tanque.
Depois, divida a distância percorrida pela quantidade de litros abastecidos. Repita o teste com os dois combustíveis em condições parecidas.
Calcule o custo por quilômetro
Divida o preço do litro pelo rendimento do carro.
O combustível com menor custo por quilômetro será financeiramente mais vantajoso naquele momento.
Perspectiva para os próximos meses
O etanol entra no segundo semestre de 2026 com um conjunto favorável de fatores: preços mais baixos, melhora na renda, procura crescente por combustíveis renováveis e elevação da mistura obrigatória na gasolina.
A projeção de alta de 17% em julho e 19% em agosto mostra que as distribuidoras esperam uma recuperação expressiva diante de 2025.
Ainda assim, o cenário pode mudar rapidamente. Clima, safra, preço do açúcar, petróleo, câmbio e decisões tributárias influenciam diretamente o mercado.
Para o motorista, a recomendação mais segura continua sendo comparar os preços locais e conhecer o rendimento do próprio veículo.
Se a diferença observada no começo de julho for mantida, com o etanol próximo de 62% do preço da gasolina na média nacional, o biocombustível tende a permanecer como uma alternativa economicamente atraente para boa parte dos carros flex.
Perguntas frequentes sobre etanol e gasolina

A demanda por etanol deve aumentar quanto em 2026?
A pesquisa com distribuidoras projeta crescimento de 17% em julho e de 19% em agosto de 2026, na comparação com os mesmos meses de 2025.
O etanol está compensando mais que a gasolina?
Depende da cidade e do veículo. Com os valores médios de R$ 4,06 para o etanol e R$ 6,58 para a gasolina, a relação fica em aproximadamente 61,7%, indicando vantagem para o etanol pela regra tradicional dos 70%.
Como saber qual combustível compensa?
Divida o preço do etanol pelo preço da gasolina. Para uma análise mais precisa, calcule o custo por quilômetro de cada combustível usando o consumo real do veículo.
O que é gasolina E32?
É a gasolina comum composta por 68% de gasolina A e 32% de etanol anidro. A mistura anterior utilizava 30% de etanol.
A gasolina E32 pode ser usada em qualquer carro?
A gasolina vendida nos postos deve seguir as especificações oficiais. O motorista não precisa fazer adaptações nem escolher uma bomba específica por causa da nova mistura.
Mais etanol na gasolina reduz o preço?
Existe potencial de redução porque o etanol pode substituir uma parcela da gasolina pura. Entretanto, o valor final depende dos preços dos componentes, dos tributos, dos custos logísticos e das margens das empresas.
Etanol anidro é vendido diretamente nos postos?
Não da mesma forma que o hidratado. O etanol anidro é utilizado principalmente na mistura da gasolina. O hidratado é o combustível disponível para abastecimento direto de veículos flex.
Quem abastece com etanol perde desempenho?
O etanol normalmente proporciona menor autonomia por litro, mas pode entregar bom desempenho do motor. A vantagem econômica depende da relação entre preço e consumo.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
