O Banco Itaú Unibanco, maior instituição financeira privada do Brasil, anunciou nesta semana a demissão de cerca de mil funcionários, em um movimento que gerou grande repercussão no mercado de trabalho e no setor bancário.
Itaú revela que parte dos colaboradores em home office não cumpria a jornada completa
Itaú demitiu cerca de mil funcionários por alegada baixa produtividade no home office. Sindicato critica falta de transparência e aponta demissão em massa.
Segundo a empresa, os desligamentos ocorreram devido a “problemas de produtividade” no regime de home office, com alguns casos críticos de colaboradores registrando apenas 20% de atividade digital durante a jornada de trabalho.
Enquanto o Itaú defende a medida como necessária para preservar a confiança interna, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região classificou as dispensas como “demissão em massa desproporcional e injustificável”, levantando questionamentos sobre a transparência do processo.
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Justificativa do Itaú

Monitoramento da atividade digital
No comunicado oficial divulgado em 10 de julho, o Itaú informou que analisou padrões de comportamento de colaboradores em regime remoto durante um período de quatro meses. Segundo a instituição:
- Casos extremos chegaram a 20% de atividade digital por dia;
- Mesmo em dias de baixa atividade, alguns funcionários registraram horas extras sem justificativa plausível;
- A média geral de produtividade digital no banco em home office é de 75%, considerada “adequada” pela gestão.
Exemplos citados pelo banco
- Em uma área com 316 analistas, a média foi de 72% de atividade digital. Funcionários desligados variavam entre 27% e 37% de atividade.
- Em outra estrutura, com 30 analistas, a média foi de 75%, mas um colaborador desligado apresentou apenas 39%.
De acordo com o Itaú, tais discrepâncias configuraram uma “quebra de confiança”, ainda que alguns dos profissionais demitidos tivessem boa avaliação de performance.
O conceito de “patamar adequado”
O Itaú definiu o índice de 75% de atividade digital como parâmetro aceitável para mensurar a produtividade em home office. O cálculo leva em conta:
- Sazonalidade das tarefas;
- Intervalos regulares de descanso;
- Fluxos normais de trabalho híbrido.
Os casos abaixo desse patamar, quando repetidos de forma sistemática, foram classificados como “desvio de padrão de comportamento”, justificando as demissões.
Reação do Sindicato
Críticas à falta de transparência
O Sindicato dos Bancários contestou fortemente a medida, argumentando que o banco não apresentou critérios claros para avaliar a produtividade. Segundo a entidade:
“Apesar de o banco alegar queda de produtividade para justificar as mil demissões, o número excessivo de desligamentos, caracterizando demissão em massa, é desproporcional e injustificável diante da realidade.”
Defesa dos trabalhadores
O sindicato destacou que as regras do teletrabalho foram pactuadas em negociação coletiva, prevendo garantias mínimas aos funcionários. Entre elas:
- Promoção e orientação do gestor antes de medidas punitivas;
- Critérios objetivos de avaliação;
- Transparência e comunicação direta;
- Direito à defesa em casos de desempenho abaixo do esperado.
Na visão da entidade, a forma como o Itaú conduziu os desligamentos desrespeitou princípios básicos de dignidade no trabalho e devido processo.
O contexto do home office no setor bancário
Adoção massiva durante a pandemia
O setor bancário foi um dos que mais aderiram ao home office na pandemia da Covid-19. No caso do Itaú, milhares de funcionários migraram para o modelo híbrido, que ainda hoje é praticado em várias áreas.
Desafios de monitoramento
A digitalização acelerada trouxe novos métodos de controle de produtividade, baseados em registros de acesso a sistemas, e-mails, videoconferências e uso de aplicativos corporativos. Contudo, especialistas alertam para riscos de:
- Excesso de vigilância;
- Desconsideração de tarefas não digitais;
- Pressão psicológica e aumento de burnout.
A polêmica da “atividade digital”
Métrica em debate
A mensuração de produtividade pelo índice de “atividade digital” é controversa. Nem toda atividade de um analista ou gestor ocorre em sistemas digitais, podendo envolver:
- Estudo e análise de documentos;
- Reuniões informais ou ligações não registradas;
- Planejamento estratégico fora de plataformas monitoradas.
Assim, críticos apontam que o indicador pode não refletir o trabalho real desempenhado.
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Impactos no ambiente corporativo
A adoção rígida dessa métrica pode gerar:
- Clima de desconfiança entre empresa e funcionários;
- Dificuldade de adaptação em modelos híbridos;
- Risco de desmotivação entre equipes produtivas, mas não contempladas pelos índices digitais.
Questão legal e trabalhista
Demissão em massa
No Brasil, demissões em massa têm sido objeto de debate jurídico. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) já decidiu que tais desligamentos devem ser acompanhados de negociação prévia com sindicatos, o que não teria ocorrido neste caso, segundo a entidade.
Possíveis desdobramentos
- Ações coletivas ou individuais de reintegração;
- Indenizações por danos morais e materiais;
- Reforço na regulamentação do teletrabalho e dos critérios de produtividade.
Repercussões no mercado financeiro

Imagem institucional
O Itaú, que busca consolidar sua marca como referência em inovação digital e responsabilidade social, enfrenta agora críticas de gestão autoritária e falta de diálogo com os trabalhadores.
Impacto no setor
Outros bancos e fintechs observam de perto o caso, já que a forma de avaliar produtividade no home office pode servir de precedente para futuras práticas trabalhistas.
Considerações finais
As demissões no Itaú escancararam o delicado equilíbrio entre controle de produtividade e direitos trabalhistas em um cenário de home office consolidado.
Se, por um lado, a instituição financeira alega quebra de confiança diante de índices baixos de atividade digital, por outro, o sindicato denuncia a falta de transparência e a ausência de critérios claros para justificar o corte de cerca de mil trabalhadores.
O episódio acende o debate sobre a humanização da gestão corporativa, o respeito às negociações coletivas e os limites do monitoramento digital. No centro da polêmica estão os trabalhadores, que enfrentam a insegurança de um modelo híbrido cada vez mais exigente — mas que ainda carece de regras claras, equilíbrio e justiça.
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