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Itaú revela que parte dos colaboradores em home office não cumpria a jornada completa

Itaú demitiu cerca de mil funcionários por alegada baixa produtividade no home office. Sindicato critica falta de transparência e aponta demissão em massa.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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O Banco Itaú Unibanco, maior instituição financeira privada do Brasil, anunciou nesta semana a demissão de cerca de mil funcionários, em um movimento que gerou grande repercussão no mercado de trabalho e no setor bancário.

Segundo a empresa, os desligamentos ocorreram devido a “problemas de produtividade” no regime de home office, com alguns casos críticos de colaboradores registrando apenas 20% de atividade digital durante a jornada de trabalho.

Enquanto o Itaú defende a medida como necessária para preservar a confiança interna, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região classificou as dispensas como “demissão em massa desproporcional e injustificável”, levantando questionamentos sobre a transparência do processo.

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Justificativa do Itaú

Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

Monitoramento da atividade digital

No comunicado oficial divulgado em 10 de julho, o Itaú informou que analisou padrões de comportamento de colaboradores em regime remoto durante um período de quatro meses. Segundo a instituição:

  • Casos extremos chegaram a 20% de atividade digital por dia;
  • Mesmo em dias de baixa atividade, alguns funcionários registraram horas extras sem justificativa plausível;
  • A média geral de produtividade digital no banco em home office é de 75%, considerada “adequada” pela gestão.

Exemplos citados pelo banco

  • Em uma área com 316 analistas, a média foi de 72% de atividade digital. Funcionários desligados variavam entre 27% e 37% de atividade.
  • Em outra estrutura, com 30 analistas, a média foi de 75%, mas um colaborador desligado apresentou apenas 39%.

De acordo com o Itaú, tais discrepâncias configuraram uma “quebra de confiança”, ainda que alguns dos profissionais demitidos tivessem boa avaliação de performance.


O conceito de “patamar adequado”

O Itaú definiu o índice de 75% de atividade digital como parâmetro aceitável para mensurar a produtividade em home office. O cálculo leva em conta:

  • Sazonalidade das tarefas;
  • Intervalos regulares de descanso;
  • Fluxos normais de trabalho híbrido.

Os casos abaixo desse patamar, quando repetidos de forma sistemática, foram classificados como “desvio de padrão de comportamento”, justificando as demissões.


Reação do Sindicato

Críticas à falta de transparência

O Sindicato dos Bancários contestou fortemente a medida, argumentando que o banco não apresentou critérios claros para avaliar a produtividade. Segundo a entidade:

“Apesar de o banco alegar queda de produtividade para justificar as mil demissões, o número excessivo de desligamentos, caracterizando demissão em massa, é desproporcional e injustificável diante da realidade.”

Defesa dos trabalhadores

O sindicato destacou que as regras do teletrabalho foram pactuadas em negociação coletiva, prevendo garantias mínimas aos funcionários. Entre elas:

  • Promoção e orientação do gestor antes de medidas punitivas;
  • Critérios objetivos de avaliação;
  • Transparência e comunicação direta;
  • Direito à defesa em casos de desempenho abaixo do esperado.

Na visão da entidade, a forma como o Itaú conduziu os desligamentos desrespeitou princípios básicos de dignidade no trabalho e devido processo.


O contexto do home office no setor bancário

Adoção massiva durante a pandemia

O setor bancário foi um dos que mais aderiram ao home office na pandemia da Covid-19. No caso do Itaú, milhares de funcionários migraram para o modelo híbrido, que ainda hoje é praticado em várias áreas.

Desafios de monitoramento

A digitalização acelerada trouxe novos métodos de controle de produtividade, baseados em registros de acesso a sistemas, e-mails, videoconferências e uso de aplicativos corporativos. Contudo, especialistas alertam para riscos de:

  • Excesso de vigilância;
  • Desconsideração de tarefas não digitais;
  • Pressão psicológica e aumento de burnout.

A polêmica da “atividade digital”

Métrica em debate

A mensuração de produtividade pelo índice de “atividade digital” é controversa. Nem toda atividade de um analista ou gestor ocorre em sistemas digitais, podendo envolver:

  • Estudo e análise de documentos;
  • Reuniões informais ou ligações não registradas;
  • Planejamento estratégico fora de plataformas monitoradas.

Assim, críticos apontam que o indicador pode não refletir o trabalho real desempenhado.

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Impactos no ambiente corporativo

A adoção rígida dessa métrica pode gerar:

  • Clima de desconfiança entre empresa e funcionários;
  • Dificuldade de adaptação em modelos híbridos;
  • Risco de desmotivação entre equipes produtivas, mas não contempladas pelos índices digitais.

Questão legal e trabalhista

Demissão em massa

No Brasil, demissões em massa têm sido objeto de debate jurídico. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) já decidiu que tais desligamentos devem ser acompanhados de negociação prévia com sindicatos, o que não teria ocorrido neste caso, segundo a entidade.

Possíveis desdobramentos

  • Ações coletivas ou individuais de reintegração;
  • Indenizações por danos morais e materiais;
  • Reforço na regulamentação do teletrabalho e dos critérios de produtividade.

Repercussões no mercado financeiro

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Imagem: Freepik e Canva

Imagem institucional

O Itaú, que busca consolidar sua marca como referência em inovação digital e responsabilidade social, enfrenta agora críticas de gestão autoritária e falta de diálogo com os trabalhadores.

Impacto no setor

Outros bancos e fintechs observam de perto o caso, já que a forma de avaliar produtividade no home office pode servir de precedente para futuras práticas trabalhistas.


Considerações finais

As demissões no Itaú escancararam o delicado equilíbrio entre controle de produtividade e direitos trabalhistas em um cenário de home office consolidado.

Se, por um lado, a instituição financeira alega quebra de confiança diante de índices baixos de atividade digital, por outro, o sindicato denuncia a falta de transparência e a ausência de critérios claros para justificar o corte de cerca de mil trabalhadores.

O episódio acende o debate sobre a humanização da gestão corporativa, o respeito às negociações coletivas e os limites do monitoramento digital. No centro da polêmica estão os trabalhadores, que enfrentam a insegurança de um modelo híbrido cada vez mais exigente — mas que ainda carece de regras claras, equilíbrio e justiça.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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