Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (2) pela Genial/Quaest revelou que a maioria dos deputados federais é contrária ao fim da escala de trabalho 6×1, modelo adotado por grande parte do setor de serviços no Brasil. Segundo o levantamento, 70% dos parlamentares rejeitam a ideia, o que indica forte resistência política a eventuais mudanças nesse regime.
Escala 6×1: 70% dos deputados são contra mudanças, segundo levantamento da Quaest
Pesquisa Genial/Quaest revela que 70% dos deputados federais são contra o fim da escala 6x1. Proposta de Erika Hilton não avança na Câmara.
A pesquisa reacende o debate sobre as condições de trabalho no país e a possibilidade de modernização das leis trabalhistas. No entanto, a sinalização vinda do Congresso mostra que qualquer proposta de mudança no curto prazo enfrentará obstáculos significativos.
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O que diz a pesquisa Genial/Quaest

Conduzida com 183 dos 513 deputados federais, a pesquisa apontou os seguintes números:
- 70% se declararam contra o fim da escala 6×1
- 22% são favoráveis à mudança
- 8% não souberam ou não quiseram responder
O levantamento indica que a maioria do Congresso defende a manutenção do modelo atual, no qual o trabalhador atua seis dias seguidos e tem direito a um dia de descanso, o que está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O que é a escala 6×1?
A chamada escala 6×1 é um regime de trabalho regulamentado pela CLT. Nele, o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga no sétimo, totalizando uma folga semanal obrigatória. Esse formato é amplamente adotado em setores como comércio, saúde, hotelaria e indústria, por permitir escalas contínuas e cobrir finais de semana e feriados.
Apesar de legal e consolidada, a escala é criticada por sindicatos e movimentos sociais, que a consideram exaustiva e prejudicial ao bem-estar do trabalhador.
A proposta de mudança da escala
A ideia de acabar com a escala 6×1 ganhou visibilidade a partir de uma iniciativa da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Ela protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para revogar o modelo atual e instituir novas regras, mais flexíveis e favoráveis ao trabalhador.
Segundo Erika, o objetivo da proposta é alinhar o Brasil com práticas trabalhistas mais humanas e saudáveis, especialmente em um cenário pós-pandemia, no qual a saúde mental e a qualidade de vida têm sido amplamente discutidas.
No entanto, a PEC não avançou na Câmara. O texto não foi pautado nem discutido nas comissões responsáveis, o que, somado aos dados da pesquisa, sugere que a iniciativa tem pouca chance de prosperar no ambiente legislativo atual.
Argumentos contra e a favor da escala 6×1
Contra o fim da escala 6×1
- Setores econômicos alegam que o fim da escala inviabilizaria a logística de funcionamento de empresas que dependem de atendimento ininterrupto.
- Custo operacional seria elevado, com a necessidade de mais contratações ou pagamento de horas extras.
- Segurança jurídica: parlamentares temem que a mudança gere insegurança legal para empresas e para contratos vigentes.
A favor do fim da escala
- Bem-estar do trabalhador: ativistas e parlamentares progressistas defendem que o modelo atual é ultrapassado e desgastante.
- Saúde física e mental: argumenta-se que a carga contínua compromete a qualidade de vida.
- Produtividade e modernização: apoiadores acreditam que novas jornadas mais equilibradas podem gerar melhores resultados a longo prazo.
Por que a proposta não avança?
A resistência na Câmara está relacionada a diversos fatores:
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- Pressão de setores empresariais, especialmente do comércio e da indústria.
- Baixo apoio político: a proposta parte de um partido com pouca influência sobre a pauta econômica, o PSOL.
- Ambiente conservador no Congresso, que tradicionalmente apoia reformas que favorecem o mercado em detrimento de mudanças trabalhistas.
Além disso, a tramitação de uma PEC é complexa. São necessárias assinaturas de pelo menos 171 deputados para que ela avance, além de aprovação em dois turnos nas duas casas legislativas, com quórum qualificado.
Repercussão política
A divulgação da pesquisa gerou reações imediatas nas redes sociais. Enquanto sindicatos classificaram os dados como um “retrocesso”, lideranças empresariais elogiaram a posição dos deputados por garantir “previsibilidade ao setor produtivo”.
Erika Hilton, por sua vez, se manifestou afirmando que seguirá na luta por condições de trabalho mais justas:
“Não vamos desistir de um modelo que priorize a dignidade e a saúde do trabalhador brasileiro.”
O que esperar nos próximos meses?

Apesar da derrota momentânea, o tema deve continuar em debate nas audiências públicas e discussões de reforma trabalhista previstas para o segundo semestre de 2025. Especialistas alertam que a mudança da escala 6×1, se vier, será gradual e dependerá de mobilização social e articulação política robusta.
Considerações finais
A escala 6×1 é parte central da estrutura trabalhista brasileira, e qualquer tentativa de reformulá-la exigirá mais do que vontade política: será preciso mudar mentalidades, sensibilizar a opinião pública e apresentar alternativas viáveis para empresas e trabalhadores. Por ora, a maioria dos deputados parece manter-se fiel ao modelo tradicional.
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