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Escala 6×1: 70% dos deputados são contra mudanças, segundo levantamento da Quaest

Pesquisa Genial/Quaest revela que 70% dos deputados federais são contra o fim da escala 6x1. Proposta de Erika Hilton não avança na Câmara.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski5 min de leitura
Escala 6x1 famosos/jornada PEC

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (2) pela Genial/Quaest revelou que a maioria dos deputados federais é contrária ao fim da escala de trabalho 6×1, modelo adotado por grande parte do setor de serviços no Brasil. Segundo o levantamento, 70% dos parlamentares rejeitam a ideia, o que indica forte resistência política a eventuais mudanças nesse regime.

A pesquisa reacende o debate sobre as condições de trabalho no país e a possibilidade de modernização das leis trabalhistas. No entanto, a sinalização vinda do Congresso mostra que qualquer proposta de mudança no curto prazo enfrentará obstáculos significativos.

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O que diz a pesquisa Genial/Quaest

pec
Imagem: Diego Grandi / Shutterstock.com

Conduzida com 183 dos 513 deputados federais, a pesquisa apontou os seguintes números:

  • 70% se declararam contra o fim da escala 6×1
  • 22% são favoráveis à mudança
  • 8% não souberam ou não quiseram responder

O levantamento indica que a maioria do Congresso defende a manutenção do modelo atual, no qual o trabalhador atua seis dias seguidos e tem direito a um dia de descanso, o que está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O que é a escala 6×1?

A chamada escala 6×1 é um regime de trabalho regulamentado pela CLT. Nele, o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga no sétimo, totalizando uma folga semanal obrigatória. Esse formato é amplamente adotado em setores como comércio, saúde, hotelaria e indústria, por permitir escalas contínuas e cobrir finais de semana e feriados.

Apesar de legal e consolidada, a escala é criticada por sindicatos e movimentos sociais, que a consideram exaustiva e prejudicial ao bem-estar do trabalhador.

A proposta de mudança da escala

A ideia de acabar com a escala 6×1 ganhou visibilidade a partir de uma iniciativa da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Ela protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para revogar o modelo atual e instituir novas regras, mais flexíveis e favoráveis ao trabalhador.

Segundo Erika, o objetivo da proposta é alinhar o Brasil com práticas trabalhistas mais humanas e saudáveis, especialmente em um cenário pós-pandemia, no qual a saúde mental e a qualidade de vida têm sido amplamente discutidas.

No entanto, a PEC não avançou na Câmara. O texto não foi pautado nem discutido nas comissões responsáveis, o que, somado aos dados da pesquisa, sugere que a iniciativa tem pouca chance de prosperar no ambiente legislativo atual.

Argumentos contra e a favor da escala 6×1

Contra o fim da escala 6×1

  • Setores econômicos alegam que o fim da escala inviabilizaria a logística de funcionamento de empresas que dependem de atendimento ininterrupto.
  • Custo operacional seria elevado, com a necessidade de mais contratações ou pagamento de horas extras.
  • Segurança jurídica: parlamentares temem que a mudança gere insegurança legal para empresas e para contratos vigentes.

A favor do fim da escala

  • Bem-estar do trabalhador: ativistas e parlamentares progressistas defendem que o modelo atual é ultrapassado e desgastante.
  • Saúde física e mental: argumenta-se que a carga contínua compromete a qualidade de vida.
  • Produtividade e modernização: apoiadores acreditam que novas jornadas mais equilibradas podem gerar melhores resultados a longo prazo.

Por que a proposta não avança?

A resistência na Câmara está relacionada a diversos fatores:

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  • Pressão de setores empresariais, especialmente do comércio e da indústria.
  • Baixo apoio político: a proposta parte de um partido com pouca influência sobre a pauta econômica, o PSOL.
  • Ambiente conservador no Congresso, que tradicionalmente apoia reformas que favorecem o mercado em detrimento de mudanças trabalhistas.

Além disso, a tramitação de uma PEC é complexa. São necessárias assinaturas de pelo menos 171 deputados para que ela avance, além de aprovação em dois turnos nas duas casas legislativas, com quórum qualificado.

Repercussão política

A divulgação da pesquisa gerou reações imediatas nas redes sociais. Enquanto sindicatos classificaram os dados como um “retrocesso”, lideranças empresariais elogiaram a posição dos deputados por garantir “previsibilidade ao setor produtivo”.

Erika Hilton, por sua vez, se manifestou afirmando que seguirá na luta por condições de trabalho mais justas:

“Não vamos desistir de um modelo que priorize a dignidade e a saúde do trabalhador brasileiro.”

O que esperar nos próximos meses?

escala 6x1 - trabalhadores
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Apesar da derrota momentânea, o tema deve continuar em debate nas audiências públicas e discussões de reforma trabalhista previstas para o segundo semestre de 2025. Especialistas alertam que a mudança da escala 6×1, se vier, será gradual e dependerá de mobilização social e articulação política robusta.

Considerações finais

A escala 6×1 é parte central da estrutura trabalhista brasileira, e qualquer tentativa de reformulá-la exigirá mais do que vontade política: será preciso mudar mentalidades, sensibilizar a opinião pública e apresentar alternativas viáveis para empresas e trabalhadores. Por ora, a maioria dos deputados parece manter-se fiel ao modelo tradicional.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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