Pedir demissão pode gerar dúvidas, principalmente sobre os descontos aplicáveis ao não cumprimento do aviso prévio. Quem decide encerrar o contrato de trabalho e não deseja cumprir o período de aviso deve estar atento às consequências financeiras previstas na legislação trabalhista.
Quanto desconta se não cumprir o aviso prévio? Entenda
Entenda como funciona o desconto do aviso prévio na rescisão quando o trabalhador pede demissão. Veja regras, valores e direitos.
Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a empresa tem o direito de descontar um valor proporcional ao tempo que o empregado deixou de trabalhar.
Leia mais:
Trabalho temporário: veja quais são os direitos do trabalhador neste caso
O que é o aviso prévio na prática?

O aviso prévio é uma exigência legal para garantir que a outra parte tenha tempo de se organizar antes do encerramento do contrato de trabalho. Ele pode ser comunicado tanto pelo empregador quanto pelo empregado.
Existem duas modalidades:
Aviso prévio trabalhado
Nesta situação, o trabalhador cumpre os dias exigidos após comunicar ou ser informado sobre a rescisão. Durante esse período, continua exercendo suas funções normalmente.
Se a demissão for iniciativa da empresa, o trabalhador tem direito a reduzir a jornada em duas horas por dia ou ser dispensado dos últimos sete dias.
Aviso prévio indenizado
Aqui, o colaborador é dispensado de trabalhar, mas recebe o valor referente aos dias que cumpriria. Quando o empregado pede demissão e não cumpre o aviso, é o contrário: o valor é descontado da rescisão.
Demissão sem cumprimento de aviso: qual é o valor do desconto?
O desconto por não cumprimento do aviso prévio corresponde ao salário base do trabalhador, calculado sobre o período que ele deveria ter trabalhado.
Por exemplo:
- Se o aviso prévio for de 30 dias e o trabalhador não cumprir, o desconto será de um salário mensal.
- Se o aviso for proporcional ao tempo de serviço (exemplo: 45 dias para quem tem mais de um ano de empresa), o desconto será proporcional a esse período.
O cálculo sempre considera o salário integral, sem descontos por faltas.
Existe multa se o empregado não cumprir o aviso prévio?
O termo “multa” popularmente usado refere-se ao próprio desconto do salário. A legislação permite que a empresa desconte o valor correspondente ao período não trabalhado.
No entanto, algumas empresas podem negociar a dispensa do desconto, principalmente quando o motivo da saída é uma nova oportunidade de emprego.
Quem pede demissão tem direito a quais verbas rescisórias?
Mesmo que o trabalhador não cumpra o aviso, ele ainda mantém o direito de receber:
- Saldo de salário pelos dias trabalhados no mês da saída
- Férias vencidas e proporcionais, com adicional de um terço
- 13º salário proporcional aos meses trabalhados
- Depósito de FGTS referente ao período trabalhado
Vale lembrar que, ao pedir demissão, o trabalhador não tem direito à multa de 40% sobre o FGTS nem ao saque integral do fundo.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O aviso prévio proporcional: o que muda?
Desde 2011, a CLT prevê o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço. A cada ano completo na empresa, são acrescidos três dias ao aviso, podendo chegar ao máximo de 90 dias.
Exemplo:
- Empregado com 1 ano de empresa: 33 dias de aviso
- Empregado com 5 anos de empresa: 45 dias de aviso
- Empregado com 10 anos de empresa: 60 dias de aviso
Se o trabalhador pedir demissão e não quiser cumprir o período proporcional, o desconto também seguirá essa contagem.
O FGTS é depositado sobre o período de aviso prévio?

Sim. Independentemente de ser trabalhado ou indenizado, o empregador deve realizar o depósito do FGTS sobre o valor correspondente ao aviso prévio.
Isso significa que o saldo do FGTS continuará recebendo os depósitos até a data final do aviso, mesmo que ele não tenha sido cumprido presencialmente.
Como evitar o desconto do aviso prévio?
A única forma de evitar o desconto legal do aviso prévio ao pedir demissão é negociar diretamente com o empregador. Algumas empresas aceitam liberar o funcionário sem o desconto, principalmente se houver justificativa urgente, como nova contratação.
Porém, essa é uma decisão exclusiva da empresa. Caso não haja acordo, o desconto é aplicado conforme previsto na CLT.
Pode ser do seu interesse:
