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Explosão de filiações em entidades suspeitas de fraudes no INSS durante pandemia; veja os dados

Investigação revela R$ 6 bilhões em descontos indevidos nos benefícios do INSS. Biometria agora é obrigatória para autorizar descontos.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
INSS

Dados fornecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, revelam que houve uma escalada expressiva na quantidade de aposentados e pensionistas com descontos em folha para associações — muitas vezes sem autorização. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam um esquema de fraude que pode ter desviado até R$ 6 bilhões desde 2019.

O objetivo dessas associações seria oferecer serviços aos segurados, mas muitos dos descontos foram aplicados sem consentimento. A apuração identificou entidades que registraram picos abruptos de novos associados ao longo dos anos, principalmente entre 2020 e 2023.

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Dados disponíveis a partir de março de 2020

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Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Apesar das denúncias apontarem irregularidades desde 2014, o INSS afirma que só possui dados estruturados a partir de março de 2020. As informações indicam variações mensais no número de associados com descontos em contracheque.

Análise ano a ano: crescimento, picos e quedas

2020: crescimento impulsionado pela pandemia

Em abril de 2020, o número de novos associados saltou em 58 mil. A principal responsável por esse aumento foi a Conafer, com 60 mil novos descontos. Em contrapartida, a Contag perdeu 4,6 mil associados.

Adições mensais entre abril e agosto de 2020

Nos meses seguintes, a média de novas adesões se manteve alta, com cerca de 20 mil adições por mês, sempre com a Conafer liderando. Um inquérito da Polícia Civil do DF revelou que a entidade aproveitou a pandemia para registrar uma quantidade “inacreditável” de descontos — entre abril e julho de 2020 foram mais de 133 mil novos registros.

A partir de setembro, os números caíram, com média de apenas 2.700 novas adesões mensais até dezembro.

2021: retração e instabilidade

O ano começou com saldo negativo, com mais saídas do que entradas. Em fevereiro, a Conafer teve redução de quase 36 mil associados, coincidindo com alertas do Ministério Público do DF ao INSS. A situação só se reverteu em julho.

Novembro teve pico expressivo

Em novembro de 2021, a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB) adicionou 50 mil novos descontos. No mês seguinte, quase a mesma quantidade foi excluída, gerando suspeitas sobre a real autorização dos beneficiários.

2022: rompimento da barreira dos 100 mil

Em 2022, houve crescimento mensal médio de 33 mil associados. O marco do ano foi julho, com 111 mil novos registros — a primeira vez em que a barreira dos 100 mil foi superada em um único mês.

Participação de novas entidades

Novas associações, como Unaspub e AAPPS, passaram a realizar descontos. A Conafer continuou figurando entre as entidades com maior volume de registros, ao lado da Ambec, que em março somou 27 mil novos beneficiários.

A superação dessa marca acelerou as adesões nos meses seguintes, criando um padrão de crescimento acelerado.

2023: quebra da barreira dos 300 mil

Com 25 associações ativas, o número de novos descontos disparou em julho, quando 380 mil aposentados passaram a ter descontos mensais. A CBPA sozinha adicionou 190 mil registros.

Aceleração contínua

A Ambec e a Conafer mantiveram seus ritmos agressivos. Em outubro, o INSS registrou mais um recorde: 384 mil novos associados. Novembro e dezembro também ultrapassaram a marca dos 300 mil.

Medidas de controle e a chegada da biometria

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Imagem: Freepik e Canva

Biometria como tentativa de contenção

Em março de 2024, o INSS publicou uma instrução normativa obrigando a inclusão de biometria facial e assinatura digital nas autorizações de desconto. A medida passou a valer em abril.

2024: picos e queda subsequente

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Janeiro e março de 2024 registraram recordes — 630 mil e 796 mil novos associados, respectivamente. Em abril, com a implementação da biometria, houve uma leve queda. Mas foi nos meses seguintes que o impacto se tornou evidente: a base de associados começou a cair, com oito meses consecutivos de retração.

Em julho de 2024, uma decisão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, criou uma exceção temporária que resultou em 785 mil novos registros sem a exigência de biometria — o que reacendeu os alertas de fraude.

2025: reversão dos números

Com a consolidação das exigências de autenticação, 2025 iniciou com redução de 215 mil associados com desconto. Essa queda sinaliza o possível fim do ciclo de crescimento inflado por práticas fraudulentas.

O impacto da fraude no sistema previdenciário

R$ 6 bilhões sob suspeita

A fraude praticada por entidades com supostos serviços prestados a aposentados e pensionistas gerou prejuízos estimados em R$ 6 bilhões, segundo a Polícia Federal. A ausência de critérios rigorosos de controle e a falta de verificação de consentimento contribuíram para o avanço do esquema.

A responsabilidade institucional

O escândalo levou à demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, após a deflagração da Operação Sem Desconto. A expectativa é de que novas regras de segurança sejam implementadas para impedir reincidências.

O que esperar a partir de agora

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Imagem: Freepik e Canva

Com a adoção definitiva da biometria e a investigação em andamento, o sistema começa a mostrar sinais de contenção de danos. No entanto, o histórico de fraudes expõe fragilidades graves no controle de descontos em folha de aposentados.

A CGU e a PF seguem investigando quais entidades deverão ser responsabilizadas. O Congresso Nacional também discute a criação de mecanismos legais que impeçam práticas abusivas, como exigência de autorização presencial para novos descontos.

Conclusão

O caso mostra como falhas administrativas e regulatórias permitiram a proliferação de descontos indevidos em aposentadorias, afetando milhões de beneficiários. A biometria surge como medida técnica promissora, mas especialistas alertam que é preciso vigilância contínua e transparência para evitar que novos casos de fraude se repitam.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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