O desemprego no Brasil atingiu 5,6% no trimestre encerrado em setembro, segundo a Pnad Contínua. É o menor índice da série histórica, iniciada em 2012, e o terceiro trimestre seguido nesse patamar. Em 2024, a taxa era de 6,4%, mostrando uma queda expressiva.
IBGE: a taxa de desemprego repete o recorde de baixa. Entenda o impacto
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,6% no trimestre até setembro, o menor da série histórica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Cerca de 6,045 milhões de pessoas estavam sem trabalho — o menor número já registrado — o que representa menos 809 mil brasileiros na fila do desemprego em relação ao ano anterior.
A população ocupada ficou em 102,4 milhões, recorde histórico, enquanto o nível de ocupação chegou a 58,7%, sinalizando estabilidade e baixo desemprego no país.
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Avanço da formalização e estabilidade na informalidade

Empregos formais em alta
O número de trabalhadores empregados no setor privado chegou a 52,7 milhões no trimestre encerrado em setembro, o maior contingente já registrado no país. Desse total, 39,2 milhões têm carteira assinada, representando um novo recorde histórico. Em 12 meses, houve alta de 2,7%, com 1 milhão de novos trabalhadores formais.
Esse avanço da formalização indica um ambiente econômico mais favorável para contratações com carteira assinada, impulsionado por fatores como crescimento de setores estratégicos, aumento da renda e confiança do consumidor.
Empregos informais estáveis
Os empregados sem carteira ficaram em 13,5 milhões, número estável no trimestre e 4% abaixo do nível de 2024, o que representa uma redução de 569 mil pessoas. Já o setor público emprega 12,8 milhões de pessoas, com crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.
A taxa de informalidade alcançou 37,8% da população ocupada, o equivalente a 38,7 milhões de trabalhadores. Apesar de ainda ser elevada, ela manteve o mesmo nível do trimestre anterior e ficou ligeiramente abaixo da taxa observada um ano antes, que era de 38,8%.
Entre os informais, os trabalhadores por conta própria somaram 25,9 milhões, número estável em relação ao trimestre anterior e 4,1% maior em comparação ao mesmo período de 2024. Isso indica que o trabalho autônomo segue sendo uma alternativa importante para milhões de brasileiros, mas com tendência de leve formalização.
Setores que cresceram e que recuaram
Mesmo com estabilidade no total de pessoas ocupadas, alguns setores da economia mostraram movimentos diferentes.
Setores com expansão
Dois setores se destacaram positivamente entre os dez grupos de atividade analisados:
- Agricultura, pecuária, pesca e aquicultura: crescimento de 3,4%, com aumento de cerca de 260 mil pessoas empregadas;
- Construção civil: expansão também de 3,4%, o que representa mais 249 mil trabalhadores.
Esses segmentos continuam sendo grandes motores de geração de emprego, especialmente em regiões com forte vocação agrícola e no setor da construção, impulsionado por programas habitacionais e investimentos em infraestrutura.
Setores com retração
Em contrapartida, dois setores registraram retração no número de trabalhadores:
- Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas: queda de 1,4%, o que representa cerca de 274 mil pessoas a menos;
- Serviços domésticos: retração de 2,9%, com 165 mil vagas perdidas.
Na comparação com 2024, o avanço da ocupação se concentrou em transporte, armazenagem e correio (+6,7%, ou mais 371 mil pessoas) e administração pública, educação, saúde e serviços sociais (+3,9%, ou mais 724 mil). O único recuo expressivo foi novamente nos serviços domésticos, que registraram queda de 5,1%, o equivalente a 301 mil trabalhadores a menos.
Segundo especialistas, esses dados mostram que, embora o mercado de trabalho siga em alta, a recuperação ainda é desigual entre os setores. A construção e a agropecuária têm sido fundamentais para sustentar o emprego, enquanto segmentos ligados ao consumo das famílias enfrentam desaceleração.
Renda e massa salarial em recorde histórico
O rendimento médio real habitual atingiu R$ 3.507, o maior valor da série histórica do IBGE. O valor se manteve estável no trimestre, mas é 4% superior ao registrado um ano antes.
Já a massa de rendimento real habitual — soma dos rendimentos de todos os trabalhadores — alcançou R$ 354,6 bilhões, novo recorde histórico, com alta anual de 5,5% (equivalente a mais R$ 18,5 bilhões).
Esses números confirmam que, mesmo com estabilidade na taxa de ocupação, o poder de compra da população aumentou, impulsionado pela renda real e pela formalização crescente.
Setores com maior aumento de renda
Na comparação trimestral, apenas o setor de alojamento e alimentação teve aumento de rendimento, com alta de 5,5% (R$ 122 a mais). Em relação a 2024, o crescimento foi mais amplo:
- Agricultura, pecuária, pesca e aquicultura: +6,5%;
- Construção: +5,5%;
- Informação, comunicação e atividades financeiras: +3,9%;
- Administração pública, saúde e educação: +4,3%;
- Serviços domésticos: +6,2%.
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Esses aumentos refletem ganhos reais de salário e maior estabilidade nas relações de trabalho, reforçando o cenário positivo para o trabalhador brasileiro.
Sustentabilidade da recuperação do emprego

De acordo com analistas do IBGE, o fato de a taxa de desemprego se manter em patamares baixos nos últimos meses indica sustentabilidade na retração do desemprego. Isso demonstra que a economia está conseguindo absorver mais pessoas, sem gerar desequilíbrios expressivos.
No entanto, a estabilidade também sugere que o ritmo de criação de novas vagas diminuiu. Ou seja, o país atingiu um ponto de equilíbrio em que o desemprego é baixo, mas a expansão do emprego começa a perder fôlego.
Desafios pela frente
Mesmo com resultados positivos, há pontos de atenção:
- Informalidade persistente: ainda afeta mais de um terço dos trabalhadores, revelando fragilidade nas garantias trabalhistas e previdenciárias.
- Desigualdade regional: o emprego cresce de forma desigual entre as regiões, com concentração nas áreas mais desenvolvidas.
- Geração de empregos de qualidade: a formalização precisa avançar em setores de maior produtividade e renda.
- Influência de fatores externos: choques internacionais podem afetar exportações e investimentos, impactando o mercado de trabalho.
Expectativas para os próximos meses
A expectativa é de que o nível de emprego se mantenha elevado até o final de 2025, impulsionado pela estabilidade da economia, investimentos em infraestrutura e fortalecimento do mercado interno. A política monetária mais estável e o controle da inflação também favorecem a confiança de empresas e consumidores.
Ainda assim, o desafio será manter o ritmo de formalização e reduzir a dependência de setores sazonais, como a agropecuária, garantindo uma recuperação ampla e duradoura.
Conclusão
A taxa de desemprego de 5,6% no trimestre encerrado em setembro consolida o Brasil em um dos melhores momentos do seu mercado de trabalho em mais de uma década. O aumento da formalização, a alta da renda e o recorde na massa salarial mostram que a economia caminha com estabilidade e geração de oportunidades.
O cenário é otimista, mas requer atenção: a manutenção da informalidade e a desaceleração em alguns setores pedem políticas públicas contínuas para garantir que o crescimento seja sustentável e inclusivo.
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