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Taxa de desemprego recua para 5,4% e alcança mínima para o período

Taxa de desemprego cai para 5,4%, menor nível para o trimestre desde o início da série. Entenda os dados e os impactos na economia.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana8 min de leitura
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O mercado de trabalho brasileiro apresentou mais um resultado positivo em 2026. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, alcançando o menor patamar para esse período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento também mostrou aumento da ocupação, redução do número de pessoas desalentadas e crescimento da renda média em relação ao ano anterior. Apesar do cenário favorável, especialistas destacam que ainda existem desafios importantes, como a elevada informalidade e a necessidade de ampliar a geração de empregos de maior qualidade.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, o Brasil encerrou o trimestre de abril a junho com uma taxa de desocupação de 5,4%, superando o resultado do trimestre anterior, quando o índice era de 6%.

Além de representar uma queda significativa na comparação trimestral, o resultado estabelece um novo recorde para o período desde que a pesquisa começou a ser realizada.

Em números absolutos, o país passou de 6,6 milhões para 5,9 milhões de pessoas desempregadas, uma redução de 10,9% em apenas três meses.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, houve diminuição de 6,3%, equivalente a aproximadamente 392 mil brasileiros que deixaram a condição de desemprego.

Número de trabalhadores ocupados também cresce

Enquanto o desemprego diminuiu, o total de pessoas trabalhando aumentou.

A população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas, crescimento de 1,1% em relação ao trimestre encerrado em março.

Na comparação anual, foram incorporados cerca de 742 mil trabalhadores ao mercado.

Esse avanço elevou o nível de ocupação para 58,8%, indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que efetivamente possui algum tipo de atividade remunerada.

Quanto maior esse percentual, maior tende a ser o aproveitamento da força de trabalho disponível no país.

Força de trabalho permanece elevada

Outro dado importante apresentado pela pesquisa é o crescimento da força de trabalho brasileira.

O indicador chegou a 108,9 milhões de pessoas, registrando alta de 0,3% frente ao trimestre anterior.

Isso significa que mais brasileiros passaram a buscar uma colocação profissional ou permaneceram empregados durante o período analisado.

Ao mesmo tempo, a população fora da força de trabalho permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior, somando 66,5 milhões de pessoas.

Na comparação anual, porém, houve aumento de 971 mil pessoas nessa condição.

Queda da subutilização mostra melhora no mercado

Além da taxa oficial de desemprego, o IBGE acompanha a chamada taxa composta de subutilização da força de trabalho.

Esse indicador considera pessoas desempregadas, trabalhadores que atuam menos horas do que gostariam e indivíduos disponíveis para trabalhar, mas que não conseguiram buscar emprego recentemente.

No trimestre encerrado em junho, a taxa caiu para 12,9%.

Esse resultado representa redução de 1,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e queda de 1,5 ponto percentual na comparação anual.

Ao todo, 14,7 milhões de brasileiros permanecem nessa condição.

Apesar do número ainda elevado, houve redução de aproximadamente 1,8 milhão de pessoas em relação ao mesmo período do ano passado.

Desalento apresenta nova redução

Outro destaque positivo da pesquisa foi a diminuição da população desalentada.

Esse grupo reúne pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acreditarem que não encontrariam oportunidades, por falta de qualificação ou por dificuldades na região onde vivem.

Segundo o levantamento, o Brasil possui atualmente 2,3 milhões de desalentados.

Na comparação trimestral, houve queda de 14,7%.

Em relação ao mesmo período de 2025, a redução foi ainda maior, chegando a 17%.

Na prática, isso demonstra que parte dessas pessoas voltou a procurar trabalho ou conseguiu uma ocupação.

Carteira assinada continua estável

O levantamento mostra que o número de empregados com carteira assinada permaneceu praticamente inalterado.

São 39,4 milhões de trabalhadores formais no setor privado.

Embora não tenha ocorrido crescimento expressivo, a estabilidade indica manutenção dos postos formais de trabalho.

Por outro lado, os trabalhadores sem carteira assinada chegaram a 13,6 milhões.

Esse contingente aumentou 2,2% em relação ao trimestre anterior, representando aproximadamente 288 mil pessoas a mais.

Esse dado reforça que parte da recuperação do mercado continua sendo sustentada por vínculos informais.

Trabalho por conta própria segue elevado

Os trabalhadores por conta própria continuam representando uma parcela significativa da economia brasileira.

Segundo o IBGE, são 26,1 milhões de pessoas nessa condição.

O número permaneceu estável tanto na comparação trimestral quanto na anual.

Esse grupo inclui profissionais autônomos, microempreendedores individuais (MEIs), prestadores de serviços e trabalhadores independentes.

Embora muitos encontrem nessa modalidade uma oportunidade de geração de renda, especialistas apontam que boa parte desses trabalhadores enfrenta desafios relacionados à proteção previdenciária e à estabilidade financeira.

Setor público amplia contratações

Entre os segmentos que mais contribuíram para o crescimento do emprego está o setor público.

O número de trabalhadores ocupados em órgãos públicos chegou a 13 milhões de pessoas.

O crescimento foi de 2,6% em relação ao trimestre anterior.

Áreas como administração pública, educação, saúde e serviços sociais responderam por parcela importante dessa expansão.

Transporte lidera criação de vagas

Entre as atividades econômicas, o setor de transporte, armazenagem e correio apresentou um dos melhores desempenhos.

Na comparação trimestral, houve crescimento de 3,9%, equivalente a aproximadamente 235 mil novos trabalhadores.

Na comparação anual, a alta foi de 4,9%.

O avanço acompanha o fortalecimento da logística, do comércio eletrônico e dos serviços de entrega registrados nos últimos anos.

Serviços domésticos registram queda

Nem todos os setores apresentaram crescimento.

Os serviços domésticos tiveram redução de 5% na comparação anual.

Isso representa cerca de 289 mil trabalhadores a menos na atividade.

Especialistas atribuem parte desse movimento ao aumento da formalização em outras áreas e às mudanças nas relações de trabalho ocorridas após a pandemia.

Rendimento médio cresce em relação ao ano passado

Outro indicador positivo é o rendimento médio real habitual.

O valor foi estimado em R$ 3.738.

Embora tenha permanecido praticamente estável em relação ao trimestre anterior, houve crescimento de 2,8% frente ao mesmo período de 2025.

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Na prática, isso significa aumento do poder de compra dos trabalhadores, especialmente em um cenário de inflação mais controlada.

Massa de rendimentos bate R$ 380,3 bilhões

A massa de rendimento real habitual, que corresponde ao total recebido pelos trabalhadores brasileiros, alcançou R$ 380,3 bilhões.

O indicador permaneceu estável frente ao trimestre anterior, mas cresceu 3,6% na comparação anual.

O aumento representa aproximadamente R$ 13,2 bilhões adicionais circulando na economia.

Esse crescimento tende a impulsionar o consumo das famílias e fortalecer setores ligados ao comércio e aos serviços.

O que explica a melhora do mercado de trabalho?

Diversos fatores ajudam a explicar o desempenho positivo observado nos últimos meses.

Entre eles estão:

Crescimento da atividade econômica

A expansão de setores como logística, transporte, comércio e serviços favoreceu novas contratações.

Inflação mais controlada

Com preços mais estáveis, empresas conseguem planejar investimentos e ampliar equipes.

Recuperação do consumo

O aumento da renda e da confiança das famílias contribui para elevar a demanda por produtos e serviços.

Investimentos públicos

Contratações na administração pública, educação e saúde também ajudaram a impulsionar o nível de ocupação.

Quais desafios ainda permanecem?

Apesar dos números positivos, o mercado de trabalho brasileiro ainda enfrenta obstáculos relevantes.

Entre eles estão:

Informalidade elevada

Mais de 13 milhões de trabalhadores seguem sem carteira assinada, o que reduz o acesso a direitos trabalhistas e previdenciários.

Subutilização da mão de obra

Mesmo com queda recente, 14,7 milhões de brasileiros ainda trabalham menos do que gostariam ou permanecem disponíveis para ocupar uma vaga.

Diferenças regionais

A recuperação do emprego ocorre de forma desigual entre estados e municípios, refletindo características econômicas distintas.

Perspectivas para os próximos meses

Economistas avaliam que o mercado de trabalho deve continuar apresentando resultados positivos caso a atividade econômica permaneça aquecida.

Entretanto, fatores como juros, cenário internacional, investimentos privados e evolução da produtividade continuarão influenciando o ritmo de geração de empregos.

A expectativa é de que os próximos levantamentos do IBGE indiquem estabilidade ou novas reduções na taxa de desemprego, desde que o crescimento econômico seja sustentado.

Considerações finais

Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Os dados do trimestre encerrado em junho confirmam um momento favorável para o mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego de 5,4% representa o menor resultado para o período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, refletindo a criação de vagas, a redução do desalento e o aumento da população ocupada.

Ao mesmo tempo, os indicadores mostram que ainda existem desafios importantes, principalmente relacionados à informalidade, à qualidade dos empregos e à subutilização da força de trabalho.

Os próximos meses serão decisivos para verificar se essa trajetória de melhora conseguirá se consolidar de forma sustentável, ampliando oportunidades para trabalhadores de diferentes regiões e setores da economia.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Jessica Cassana

Autor

Jessica Cassana

Jéssica Cassana é especialista em benefícios sociais e atua como redatora no portal Seu Crédito Digital. Com linguagem acessível e conteúdo direto ao ponto, compartilha orientações práticas sobre o Bolsa Família, CadÚnico, CRAS, Caixa Tem e demais programas do governo. Sua missão é ajudar os leitores a entender e acessar seus direitos com mais autonomia, segurança e clareza.

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