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Desemprego em queda histórica: Brasil registra menor taxa já medida pelo IBGE

Taxa de desemprego cai para 5,8%, a menor da história. Veja o que isso significa e como impacta a economia.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Pessoa segurando sua carteira de trabalho com o dinheiro do seguro-desemprego

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (31) dados que confirmam uma mudança significativa no cenário do mercado de trabalho brasileiro: a taxa de desemprego atingiu 5,8% no segundo trimestre de 2025, o menor índice já registrado pela série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012.

A marca supera os recordes anteriores e revela uma economia em recuperação mais consistente. Este desempenho expressivo é sustentado por uma série de indicadores positivos, incluindo o crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, a queda da informalidade e o aumento do rendimento médio da população ocupada.

Mas o que está por trás dessa recuperação histórica? A seguir, destrinchamos os dados e analisamos as implicações dessa nova fase do mercado de trabalho brasileiro.

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Uma queda histórica na desocupação

seguro-desemprego
Imagem: Canva – Freepik

Números consolidados da PNAD Contínua

Segundo o levantamento da Pnad Contínua, o Brasil contabilizou 102,3 milhões de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2025. Isso representa um aumento de 1,8% em relação ao trimestre anterior, ou 1,8 milhão de novos trabalhadores ativos no mercado.

Ao mesmo tempo, o número de desocupados caiu para 6,3 milhões, uma redução de 17,4% (ou 1,3 milhão de pessoas) na comparação com o primeiro trimestre do ano. Esse conjunto de fatores levou a taxa de desocupação ao nível mais baixo já registrado: 5,8%.

Comparação com trimestres anteriores

  • 2º trimestre de 2024: 6,9%;
  • 1º trimestre de 2025: 7%;
  • 2º trimestre de 2025: 5,8%.

A forte retração no número de pessoas em busca de trabalho em tão pouco tempo reforça o sinal de que a retomada econômica começa a consolidar-se, impactando positivamente a geração de emprego.

Expansão do emprego formal impulsiona recuperação

Avanço das contratações com carteira assinada

Um dos motores dessa queda no desemprego é a formalização crescente das relações de trabalho. O setor privado alcançou um novo recorde de empregados com carteira assinada: 39 milhões de pessoas, crescimento de 0,9% em relação ao trimestre anterior.

Aumento também entre informais, mas com menor peso

Mesmo os trabalhadores sem carteira assinada também tiveram aumento: 13,5 milhões de pessoas, alta de 2,6%. No entanto, a taxa de informalidade caiu para 37,8%, a menor desde 2020. Isso indica que boa parte dos novos postos gerados foi dentro do regime formal, com direitos trabalhistas garantidos.

Qualidade do emprego reflete na renda do trabalhador

Rendimento médio bate recorde

O rendimento médio mensal do trabalhador alcançou R$ 3.477, o maior valor já registrado. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, houve alta de 1,1%. Em comparação com o segundo trimestre de 2024, o aumento é de 3,3%.

Esse resultado reflete não só a quantidade de postos formais gerados, mas também a valorização do trabalho em setores mais estruturados da economia.

Massa de rendimentos movimenta a economia

Com mais pessoas empregadas e com maior poder de compra, a massa de rendimentos — ou seja, o total pago a todos os trabalhadores — chegou a R$ 351,2 bilhões, um aumento de 5,9% em relação ao mesmo trimestre de 2024. Esse montante impacta diretamente no consumo e no crescimento de setores como comércio, serviços e indústria.

Redução do desalento: mais brasileiros voltam a procurar trabalho

Menor número de desalentados desde 2016

O número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não encontrariam vaga — caiu para 2,8 milhões, o menor desde 2016. Essa queda é um reflexo da percepção de melhora nas condições do mercado de trabalho e da maior oferta de vagas.

Metodologia atualizada melhora precisão dos dados

Uso de dados do Censo 2022

A edição mais recente da Pnad Contínua já incorporou ajustes metodológicos com base no Censo Demográfico de 2022. Isso confere maior precisão estatística às estimativas e melhor representatividade das amostras visitadas — um total de 211 mil domicílios distribuídos por todos os estados e o Distrito Federal.

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Quem é considerado desocupado?

A pesquisa considera como desocupadas apenas pessoas com 14 anos ou mais que estão ativamente procurando emprego. Já os ocupados englobam todas as formas de inserção no mercado: formal, informal, temporário e por conta própria.

O que impulsionou a recuperação?

Fatores que contribuem para a queda do desemprego

  1. Reaquecimento da economia: após períodos de retração, setores como serviços, construção civil e comércio voltaram a contratar.
  2. Políticas de incentivo ao emprego formal: programas de qualificação e incentivos fiscais ajudaram a reduzir a informalidade.
  3. Estabilidade política e macroeconômica: mesmo diante de desafios, o país conseguiu manter uma trajetória de crescimento moderado e sustentável.
  4. Confiança do consumidor e do empresário: a melhora nas expectativas favorece o aumento de investimentos e contratações.

Perspectivas para o futuro do mercado de trabalho

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Sustentabilidade do crescimento

A manutenção dessa tendência dependerá de fatores como:

  • Controle da inflação;
  • Estabilidade fiscal;
  • Investimento em educação e capacitação;
  • Políticas públicas para absorção da força de trabalho jovem.

Se esses pilares forem fortalecidos, o Brasil pode não apenas manter a taxa de desemprego baixa, mas também promover o crescimento com qualidade e equidade.

Conclusão

A taxa de desemprego de 5,8% no segundo trimestre de 2025 não é apenas um número recorde, mas um marco na trajetória recente da economia brasileira. Com mais pessoas empregadas, maior renda média e redução das desigualdades no acesso ao mercado formal, o país vive um momento raro de progresso social e econômico.

Entretanto, é necessário cautela. A consolidação dessa melhora exige continuidade nas políticas públicas, investimentos em produtividade e uma agenda de reformas que permita ao Brasil crescer de forma sustentável.

Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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