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Bancos terão de retirar negativação de dívidas baixas no Desenrola

Desenrola determina que bancos retirem negativação de dívidas até R$100 e ampliem contrapartidas como educação financeira e bloqueio de bets.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Desenrola

O governo federal lançou uma nova fase do programa Desenrola, com regras mais rígidas para as instituições financeiras que aderirem à iniciativa. Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade de retirar a negativação de consumidores com dívidas de até R$ 100, medida que busca reduzir entraves burocráticos e facilitar o acesso ao crédito para pessoas de baixa renda.

A decisão ocorre em um contexto de elevado endividamento das famílias brasileiras e juros ainda em patamar elevado, cenário que tem pressionado o orçamento doméstico.

O que muda?

Leia mais: BB registra forte adesão ao Novo Desenrola em dois dias

A nova etapa do programa amplia os compromissos exigidos dos bancos participantes e traz regras adicionais voltadas à educação financeira, uso do FGTS e restrições relacionadas a apostas online.

Retirada de negativação

A medida tem como objetivo evitar que valores considerados baixos impeçam o acesso a serviços financeiros básicos, como abertura de conta, solicitação de crédito e contratação de serviços.

Segundo a justificativa do governo, dívidas pequenas podem gerar desproporcionalidade no impacto ao consumidor, mantendo pessoas com restrições por valores reduzidos.

Uso de até 20%

Nesta edição, será permitido utilizar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento de débitos renegociados.

A iniciativa busca ampliar as possibilidades de quitação, especialmente para famílias que enfrentam comprometimento elevado da renda mensal.

Condições de renegociação

Essas condições tendem a ser mais vantajosas do que as praticadas no crédito rotativo, que historicamente apresenta um dos maiores custos do mercado.

Contrapartidas exigidas dos bancos

Para participar do programa, as instituições financeiras deverão cumprir uma série de exigências adicionais.

Investimento em educação financeira

Os bancos precisarão destinar o equivalente a 1% do valor garantido pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO) para ações de educação financeira.

A iniciativa reforça a importância de prevenção ao superendividamento e orientação ao consumidor, tema que vem ganhando relevância diante do aumento da inadimplência.

Bloqueio de apostas para quem aderir ao programa

Uma das novidades anunciadas é o bloqueio, por um ano, de usuários que aderirem ao novo Desenrola em plataformas de apostas online.

A restrição inclui:

  • Plataformas de apostas digitais (bets);
  • Uso de cartão de crédito;
  • Crédito parcelado;
  • Pix crédito e Pix parcelado.

O objetivo é evitar que consumidores renegociem dívidas e, simultaneamente, continuem comprometendo a renda com apostas.

Contexto econômico: endividamento em nível recorde

O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas chegou a 29,7%, também recorde histórico.

Esses indicadores mostram que quase metade da renda anual das famílias está vinculada a dívidas, o que reforça a importância de políticas públicas voltadas à reorganização financeira.

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Impactos esperados para consumidores e mercado

A nova versão do programa pode gerar impactos em diferentes frentes:

Para consumidores

  • Redução de restrições por dívidas de baixo valor;
  • Maior facilidade de renegociação;
  • Possibilidade de utilização do FGTS;
  • Condições mais acessíveis de juros.

Para o sistema financeiro

  • Ampliação da base de clientes regularizados;
  • Incentivo à educação financeira;
  • Regras adicionais de compliance para instituições participantes.

Pontos de atenção

Especialistas costumam destacar que programas de renegociação podem ajudar a reorganizar o orçamento das famílias, mas o sucesso depende de fatores como:

  • Planejamento financeiro;
  • Controle de gastos;
  • Acompanhamento das novas condições de pagamento.

Além disso, medidas como bloqueio de apostas e uso do FGTS reforçam a tentativa de alinhar responsabilidade financeira e políticas de crédito.

Considerações finais

A nova fase do Desenrola amplia as exigências para bancos e reforça a estratégia de reduzir barreiras de crédito para consumidores endividados, especialmente aqueles com dívidas de até R$ 100. Ao combinar retirada de negativação, renegociação com juros limitados, uso do FGTS, investimento em educação financeira e bloqueio de apostas, o programa busca atacar múltiplas causas do superendividamento no Brasil.

Em um cenário de juros elevados e recorde de comprometimento de renda, a iniciativa tende a impactar tanto consumidores quanto o sistema financeiro, com foco na reorganização das finanças pessoais e na inclusão econômica.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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