O Detran/MS publicou uma nova portaria que altera o exame prático para obtenção da CNH em Mato Grosso do Sul. A mudança mais comentada é o fim da obrigatoriedade da baliza feita na sede do órgão. Agora, o candidato deverá realizar três manobras de estacionamento ao longo do percurso.
Detran surpreende e substitui baliza por estacionamento durante trajeto; veja o que muda
Detran/MS publica portaria e altera exame prático da CNH: sai a baliza, entram manobras no trajeto, nova pontuação e prova mínima de 10 min.
Outra novidade é a reformulação do sistema de avaliação: deixa de existir a falta eliminatória imediata. A pontuação passa a ser acumulativa e o candidato é reprovado ao atingir 10 pontos, conforme a gravidade dos erros.
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O que diz a Portaria nº 202/2026 do Detran/MS
O exame prático em MS, até então, seguia regras baseadas em um Manual de Procedimentos editado em 2022, que orientava a condução das provas, mas não estabelecia detalhamentos como tempo mínimo ou metas numéricas obrigatórias de percurso e conversões.
Com a publicação da Portaria nº 202/2026, o Detran/MS atualiza oficialmente critérios do exame prático, adequando o procedimento ao CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e às regras mais recentes do Contran, com foco na padronização e em um modelo considerado mais condizente com a realidade de vias urbanas.
A norma altera desde o formato das manobras até exigências técnicas do veículo utilizado no exame.
Fim da baliza obrigatória: o que entra no lugar
A baliza não é mais feita na sede do Detran
Uma das principais mudanças é direta e objetiva: deixa de existir a obrigatoriedade de realizar a prova de baliza em local fixo, antes concentrada na estrutura do Detran.
Isso significa que aquela etapa separada, com cones, delimitações e espaço específico para baliza, não é mais um “bloco eliminatório” do exame.
Três manobras de estacionamento ao longo do percurso
No novo modelo, o candidato será avaliado ao realizar três manobras de estacionamento durante o trajeto, o que muda completamente a dinâmica do exame.
Como isso impacta o candidato na prática?
Antes, o candidato sabia: “vou fazer a baliza e depois vou para a rua”. Agora, a lógica se aproxima mais do trânsito real, já que a habilidade de estacionar será cobrada em contexto prático, durante o percurso.
Isso pode favorecer candidatos que travavam com o nervosismo de uma baliza isolada, mas também exige atenção extra, porque as manobras passam a ocorrer em pontos variados e potencialmente menos previsíveis.
Nova pontuação da prova prática: fim do erro eliminatório
Outra mudança de grande impacto é na forma como o candidato é aprovado ou reprovado.
Antes, certas faltas (especialmente gravíssimas) poderiam encerrar o exame na hora, com reprovação imediata. Era a chamada falta eliminatória. Agora, o Detran/MS adota um sistema de somatória.
Como era e como fica
O novo modelo parte de 0 pontos, e o candidato vai somando pontos conforme comete erros. A reprovação só acontece quando a soma chega ao limite de 10 pontos.
Ou seja: não existe mais “um erro e acabou”.
Pontos por falta no Detran/MS
Leve: 1 ponto
Média: 2 pontos
Grave: 4 pontos
Gravíssima: 6 pontos
O que isso muda na ansiedade de quem faz a prova?
Na prática, o novo sistema muda o psicológico do exame. Antes, o candidato sabia que um único erro poderia ser fatal. Agora, há margem para pequenos deslizes.
Mas existe um lado perigoso: essa margem pode criar sensação de “folga”, e muitos candidatos podem perder pontos rapidamente, principalmente se cometerem duas faltas graves, por exemplo.
Limite de erros: candidato pode errar mais, mas não pode passar de 10 pontos
O Detran/MS estabelece que é permitido cometer mais erros, desde que o somatório não ultrapasse 10.
Exemplos práticos
Exemplo 1: aprovado
Se o candidato cometer:
- 1 falta média (2 pontos)
- 1 falta leve (1 ponto)
Total: 3 pontos (aprovado)
Exemplo 2: reprovado
Se cometer:
- 1 falta gravíssima (6 pontos)
- 1 falta grave (4 pontos)
Total: 10 pontos (reprovado)
Esse exemplo reforça que basta uma combinação de dois erros relevantes para o candidato estourar o teto.
Exame passa a ter duração mínima de 10 minutos
Um detalhe técnico, mas importante: a prova agora não pode ser “relâmpago”.
A portaria define que o exame prático deverá ter duração mínima de 10 minutos.
Por que isso importa?
Até então, não havia exigência objetiva de tempo mínimo. Na prática, isso abria espaço para provas muito curtas, com variações conforme o examinador, local e fluxo.
Agora, com tempo mínimo, o exame tende a ser mais padronizado e com oportunidade real de avaliar:
- domínio do veículo
- desenvoltura no trânsito
- tomada de decisão em conversões
- controle emocional
Trajeto obrigatório: 1.000 metros em linha reta com troca de marchas
A portaria também define exigências relacionadas à condução em trajetória.
Percurso mínimo obrigatório
O candidato deve percorrer:
- 1.000 metros lineares
- com mudança de marchas
- desenvolvimento de velocidade
- respeitando a velocidade regulamentada da via
Esse trecho é um marco importante porque cria uma cobrança mais objetiva de domínio do carro, principalmente para candidatos que tinham dificuldades em:
- arrancar
- passar marchas corretamente
- manter controle de direção em linha reta
Quantidade mínima de conversões: 6 à esquerda e 6 à direita
Uma mudança que chamou atenção por ser extremamente objetiva: o número mínimo de conversões.
Conversões obrigatórias
O candidato deve executar:
- 6 conversões à esquerda
- 6 conversões à direita
Antes, o manual de 2022 descrevia como realizar conversões corretamente, mas não determinava quantidade mínima.
Por que o Detran/MS fez isso?
Na prática, conversões são manobras que testam múltiplos critérios:
- observação de retrovisores
- uso de seta
- posicionamento correto
- leitura de fluxo
- respeito à preferência
- controle do veículo em curva
Definir um número mínimo evita que um candidato passe por um percurso “fácil” onde mal vira o volante.
Retornos agora são obrigatórios: no mínimo 2 durante o trajeto
O exame também passa a exigir:
- 2 retornos obrigatórios
No modelo anterior, existiam apenas orientações técnicas sobre como realizar retornos, mas não havia exigência numérica.
O que isso testa no candidato?
O retorno coloca pressão porque envolve:
- avaliação de espaço
- cálculo de tempo
- observação de faixa e fluxo
- controle emocional
Ou seja: é um ponto do percurso que separa candidatos tecnicamente preparados daqueles que ainda dirigem com insegurança.
Mudanças no exame de moto: adeus prancha de equilíbrio
Não foi só o carro que mudou.
A prova prática para motociclistas também passa por alteração relevante: a chamada prancha deixa de ser exigida.
O que era a prancha?
Era uma elevação (com cerca de 8 metros de comprimento e 30 centímetros de largura) usada para avaliar equilíbrio e controle fino da moto.
O que muda com o fim da prancha?
Com a retirada dessa etapa, a prova fica menos focada no “equilíbrio em faixa estreita” e mais direcionada ao comportamento e controle em percurso.
A discussão aqui é parecida com a do carro: modernização do exame ou redução de exigência?
Veículos do exame: exigência de airbag e DRL funcionando
Outro ponto que passa quase despercebido para candidatos, mas muda o bastidor das autoescolas: os veículos.
A portaria determina que os carros usados no exame devem ter:
- airbag
- DRL (luz de rodagem diurna) em pleno funcionamento
Como isso afeta o candidato?
Em geral, não muda a condução, mas pode gerar reflexos indiretos:
- autoescolas precisarão adequar frota
- possível aumento de custos
- substituição de veículos antigos
Sorteio de bairro: exame fica menos previsível em cidades com mais locais
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Uma novidade com objetivo claro: reduzir “decoreba” de percurso.
Em cidades onde há mais de um local autorizado para aplicação, a portaria prevê:
- sorteio do bairro onde a prova será aplicada
Por que isso pode mudar tudo?
Em muitos municípios, candidatos e instrutores conheciam quase “de memória” o trajeto padrão, treinando especificamente aquele roteiro.
Com o sorteio, a prova tende a avaliar melhor a capacidade real de conduzir, já que o candidato pode enfrentar:
- vias diferentes
- cruzamentos variados
- mudanças de fluxo e sinalização
- maior imprevisibilidade
Reprovação e segunda tentativa no mesmo dia: quando pode acontecer?
Uma mudança considerada positiva por muitos candidatos é a possibilidade de refazer o exame.
Segundo as novas regras, candidatos reprovados podem ter chance de:
- refazer o exame no mesmo dia
Mas isso depende de:
- disponibilidade de examinadores
- disponibilidade de veículos
Ou seja: não é automático, mas abre uma janela importante.
Isso pode diminuir a fila?
Pode. Na prática, o “reexame no mesmo dia” pode reduzir:
- reagendamento
- tempo de espera por nova prova
- ansiedade prolongada
Por outro lado, aumenta pressão logística sobre o Detran e examinadores.
Avaliação das autoescolas: mudança gera preocupação no setor
Como acontece sempre que a CNH muda, autoescolas e sindicatos reagiram publicamente.
O presidente do Sindicato das Autoescolas de MS, Henrique José Fernandes, afirmou preocupação com a redução de exigência. Na leitura dele, as mudanças podem passar a mensagem de habilitar o candidato “de qualquer jeito”.
Ele também criticou especificamente:
- a retirada da baliza como etapa própria
- o tempo mínimo de 10 minutos, que poderia causar dificuldades operacionais e lentidão
A divergência mostra um ponto central: o desafio de equilibrar rigor, justiça e viabilidade.
Como se preparar para o novo exame do Detran/MS
Para quem vai tirar CNH em 2026, a estratégia também muda.
1) Treine estacionamento no mundo real
Se antes o foco era a baliza padronizada, agora o candidato deve:
- estacionar em pontos diversos
- treinar manobras em ruas com marcação irregular
- aprender a avaliar distância e posição
2) Foque em conversões e retornos
Com exigências mínimas, vale reforçar treino em:
- seta corretamente
- posicionamento antes de virar
- controle de velocidade em curva
- retornos em canteiro e em vias urbanas
3) Controle emocional: erros não eliminam, mas pontuam
O novo formato exige frieza:
- um erro não elimina
- mas um segundo erro grave pode derrubar
Ou seja: a prova exige equilíbrio, não só habilidade.
As regras do Detran/MS têm relação com o Contran?
Sim.
As mudanças em MS se alinham ao CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e à Resolução nº 1.020/2025 do Contran, que normatiza procedimentos sobre:
- aprendizagem
- habilitação
- expedição de documentos
- processo de formação de candidatos à CNH
Essa resolução federal é importante porque orienta o caminho nacional para tornar processos mais padronizados e atualizados, e os Detrans estaduais tendem a adequar procedimentos por meio de portarias.
Conclusão
A nova regra do Detran/MS marca uma mudança histórica no exame prático de direção. Com o fim da baliza obrigatória em etapa específica e a adoção de três manobras de estacionamento ao longo do percurso, o candidato passa a ser avaliado em uma lógica mais próxima do trânsito real. Além disso, o sistema de pontuação elimina o medo da falta eliminatória, substituindo-o por um modelo acumulativo que permite erros, mas exige atenção para não ultrapassar o teto de 10 pontos. O exame ganha tempo mínimo de 10 minutos, trajeto obrigatório de 1.000 metros, quantidade mínima de conversões e retornos, e ainda incorpora mudanças relevantes na prova de moto e na exigência de itens do veículo usado no teste.
Embora o setor de autoescolas demonstre preocupação com o nível de exigência, o novo modelo pode representar um exame mais uniforme e compatível com a realidade de quem dirige diariamente.
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