Os brasileiros precisaram trabalhar 149 dias em 2025 apenas para pagar impostos federais, estaduais e municipais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
A marca, atingida em 29 de maio, representa um aumento em relação ao ano anterior e evidencia a alta carga tributária do país.
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O levantamento do IBPT considera todos os tributos pagos ao longo do ano e revela que o Brasil ainda é um dos países que mais tributa sua população, mas entrega pouco retorno em qualidade de vida.
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O que está incluso nesse cálculo?
De acordo com o IBPT, os 149 dias incluem o pagamento de:
- Impostos federais como IRPF, IPI, PIS e COFINS;
- Tributos estaduais, como o ICMS;
- Taxas e impostos municipais, como o IPTU e ISS.
A simulação leva em conta a média de salários e o consumo da população para chegar ao total de dias necessários para quitar as obrigações com o Fisco.
Por que o número aumentou em 2025?
Reoneração da folha de pagamento
Um dos principais fatores para o aumento de um dia em relação a 2024 foi a reoneração da folha de pagamento de 17 setores econômicos, que voltou a ser aplicada neste ano.
Alta do ICMS em diversos estados
Outro impacto importante foi a elevação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que começou a valer em abril em vários estados. Como esse imposto incide sobre o consumo, seu aumento afeta diretamente o custo de vida dos brasileiros.
Tributação de importações de pequeno valor
A nova regra de taxação para compras internacionais de pequeno valor também contribuiu para elevar a carga tributária sentida pelo consumidor, principalmente no e-commerce.
Comparativo internacional: Brasil na 14ª posição
Apesar da alta carga de tributos, o Brasil aparece na 14ª posição no ranking global de dias trabalhados para pagar impostos. A Bélgica lidera a lista, com quase seis meses de trabalho destinados aos tributos.
Ranking dos países com mais dias trabalhados para impostos
| Posição | País | Dias Trabalhados |
|---|---|---|
| 1º | Bélgica | 180 dias |
| 2º | Áustria | 176 dias |
| 3º | Finlândia | 175 dias |
| 4º | Dinamarca | 173 dias |
| 5º | Itália | 170 dias |
| 6º | Noruega | 169 dias |
| 7º | Suécia | 167 dias |
| 8º | Eslovênia | 165 dias |
| 9º | Alemanha | 163 dias |
| 10º | Hungria | 161 dias |
| 11º | Espanha | 158 dias |
| 12º | Islândia | 157 dias |
| 13º | Reino Unido | 151 dias |
| 14º | Brasil | 149 dias |
| 15º | Coreia do Sul | 144 dias |
| 25º | México | 62 dias |
Retorno ao cidadão: Brasil é o último no IRBES
Mesmo com uma carga tributária elevada, o Brasil ocupa a última posição no Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), também elaborado pelo IBPT. Esse índice compara o valor arrecadado com impostos e o retorno em serviços públicos essenciais como:
- Saúde;
- Educação;
- Infraestrutura;
- Segurança pública.
Segundo o instituto, isso mostra que o Brasil não transforma os tributos pagos pela população em qualidade de vida.
“Mesmo sendo um dos países que mais tributa, o Brasil entrega um dos piores retornos à sociedade”, afirma o IBPT.
Especialistas comentam a situação
Falta de transparência e retorno
Para o economista Gilberto Lins, especialista em políticas públicas, o problema não está apenas na alta carga, mas na ineficiência do Estado:
“O contribuinte não vê o retorno do imposto. Isso gera descrédito e sensação de injustiça fiscal.”
Reformas necessárias
Especialistas defendem a reforma tributária como caminho para maior equidade e eficiência, com menos burocracia e melhor distribuição dos tributos entre as esferas de governo.
Como saber quanto você paga de imposto?

Ferramentas de cálculo
Diversas plataformas online, como a própria do IBPT, oferecem calculadoras de carga tributária para que o cidadão saiba quanto do seu salário é destinado aos impostos, de forma direta ou indireta.
Educação financeira e tributária
Conhecer os tributos pagos é o primeiro passo para exercer cidadania fiscal. Saber onde seu dinheiro é investido permite cobrar melhorias dos gestores públicos.
O que esperar do futuro?
Com a aprovação parcial da reforma tributária no Congresso em 2024, algumas mudanças devem começar a valer nos próximos anos, como:
- Criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA);
- Unificação de tributos federais;
- Fim da cumulatividade em várias etapas da produção.
A expectativa é de que essas medidas possam tornar o sistema mais justo e transparente, mas ainda há incertezas quanto à implementação e seus reais efeitos na vida do contribuinte.
Conclusão: um fardo invisível e pesado
Trabalhar quase cinco meses do ano só para pagar impostos é um retrato do peso da carga tributária no Brasil. Pior ainda é saber que, mesmo com tanto esforço, o país não consegue converter esse volume em serviços públicos de qualidade.
O levantamento do IBPT reforça a necessidade urgente de reformas estruturais e maior transparência na aplicação dos recursos públicos, para que o brasileiro sinta que seus tributos estão de fato sendo investidos no seu bem-estar.
Imagem: Billion Photos / shutterstock.com

