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Agricultores dos EUA enfrentam diesel a US$ 6,05 por galão em plena colheita

A disparada do diesel nos Estados Unidos ganhou força justamente no início de uma das etapas mais intensivas em combustível do calendário agrícola: a colheita de milho e soja. O cenário aperta as margens dos produtores, que já convivem com despesas elevadas em fertilizantes, sementes, defensivos e máquinas. Leia mais: Diesel sobe 45% e preocupa […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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A disparada do diesel nos Estados Unidos ganhou força justamente no início de uma das etapas mais intensivas em combustível do calendário agrícola: a colheita de milho e soja. O cenário aperta as margens dos produtores, que já convivem com despesas elevadas em fertilizantes, sementes, defensivos e máquinas.

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Mão de uma pessoa abastecendo carro com uma bomba marcada pela palavra "Diesel"
Imagem: Ronni Olsson / shutterstock.com

O diesel comercializado nos Estados Unidos atingiu um patamar inédito em setembro de 2026. Segundo dados divulgados pela AAA, a média nacional chegou a aproximadamente US$ 6,05 por galão em 11 de setembro, depois de já ter alcançado US$ 5,85 no início do mês.

A série oficial da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) também mostra a aceleração. Na semana encerrada em 7 de setembro, o diesel nº 2 chegou a US$ 5,967 por galão, ante US$ 5,599 uma semana antes.

O valor representa uma mudança expressiva em relação ao início de 2026. Antes da escalada provocada pelas tensões geopolíticas, o combustível estava próximo de US$ 3,76 por galão. A comparação mostra como o custo operacional das propriedades rurais foi alterado em poucos meses.

Para quem utiliza máquinas pesadas diariamente, não se trata apenas de uma alta no posto. O combustível é uma despesa diretamente ligada à execução das atividades agrícolas.

Por que o diesel pesa tanto durante a colheita

A colheita mecanizada depende de uma cadeia de equipamentos movidos a diesel. Colheitadeiras, tratores, caminhões e outros veículos precisam operar de maneira coordenada para retirar os grãos das lavouras e encaminhá-los para armazenamento ou comercialização.

Em períodos de maior atividade, o consumo aumenta justamente quando o produtor tem menor margem para absorver uma despesa adicional.

Um exemplo citado pela Associated Press é o do produtor Jason Kurtz, do Missouri, que cultiva milho e soja. Segundo o relato, sua colheitadeira consome cerca de 200 galões, equivalentes a aproximadamente 760 litros, por dia. Com uma previsão de 30 dias de utilização, somente essa máquina poderia demandar cerca de 6 mil galões de combustível, sem considerar tratores e caminhões.

Quando o preço do diesel praticamente dobra, a diferença deixa de ser marginal e passa a interferir diretamente na rentabilidade da safra.

Alta do combustível também encarece o transporte dos grãos

O impacto não termina quando a colheitadeira deixa o campo. Depois da colheita, os grãos precisam ser transportados para silos, armazéns, cooperativas, ferrovias, terminais fluviais ou portos.

Esse encadeamento faz com que o diesel influencie diferentes etapas da formação do custo agrícola. Um produtor pode até conseguir reduzir o consumo de uma máquina, mas não consegue eliminar completamente a necessidade de transportar a produção.

Um levantamento divulgado pela Reuters mostra justamente essa pressão sobre o transporte. Os adicionais cobrados pelas ferrovias americanas para compensar o custo do combustível no transporte de grãos aumentaram fortemente no último ano, alcançando níveis recordes durante a temporada de colheita.

Na prática, isso pode reduzir o chamado basis, indicador utilizado no mercado americano para representar a diferença entre o preço local recebido pelo produtor e a referência de mercado. Com transporte mais caro, parte da pressão pode acabar sendo repassada para o valor pago pela produção.

Crise do petróleo está por trás da disparada

A escalada do diesel está relacionada principalmente ao aumento da tensão no mercado internacional de petróleo e às dificuldades de circulação de combustíveis.

O Estreito de Ormuz é particularmente importante nesse cenário por concentrar uma parcela relevante do fluxo mundial de petróleo e derivados. Interrupções ou riscos à navegação na região reduzem a disponibilidade de combustível e elevam os custos de abastecimento em diferentes mercados.

Ao mesmo tempo, ataques contra estruturas de produção e refino e outras restrições à oferta internacional aumentaram a volatilidade. O petróleo Brent chegou a operar acima de US$ 100 por barril durante a escalada recente, aumentando a pressão sobre derivados como o diesel.

O problema é agravado porque os estoques americanos de diesel estão apertados. A EIA registra que os preços já vinham subindo significativamente antes de setembro, depois de uma forte aceleração iniciada ainda em março.

O que isso significa para a agricultura brasileira

Embora o problema esteja concentrado nos Estados Unidos, seus efeitos podem chegar ao Brasil por diferentes canais.

Milho e soja são commodities negociadas internacionalmente. Quando aumenta o custo para produzir, armazenar e transportar essas culturas em um dos maiores produtores mundiais, podem surgir mudanças nos preços relativos, nos fluxos de exportação e na competitividade entre fornecedores.

O Brasil, que também é um dos principais exportadores de soja e milho, pode sentir reflexos nas cotações internacionais e nos custos logísticos, especialmente em um mercado no qual fretes marítimos, petróleo e câmbio possuem forte influência.

Além disso, o diesel é um componente importante da estrutura de custos da agricultura brasileira. Uma eventual pressão internacional sobre petróleo e derivados pode afetar produtores nacionais, transportadoras e empresas responsáveis pelo escoamento da safra.

Produtores precisam administrar uma margem cada vez mais apertada

O caso americano evidencia um problema conhecido no agronegócio: nem sempre o produtor consegue repassar imediatamente uma alta de custos para o preço de venda.

Quando fertilizantes, defensivos, máquinas, energia e combustível sobem ao mesmo tempo, a rentabilidade pode ser comprimida mesmo em uma propriedade com boa produtividade.

Por isso, períodos de combustível caro costumam estimular decisões como otimização das rotas, planejamento das operações, redução de deslocamentos desnecessários, manutenção preventiva e contratação antecipada de transporte.

No caso americano, alguns agricultores chegaram a considerar o adiamento de determinadas atividades na expectativa de uma redução futura do preço do diesel. A estratégia, porém, envolve riscos, porque a janela de colheita é limitada e atrasos podem comprometer a qualidade e o rendimento da produção.

Diesel caro pode prolongar a pressão sobre alimentos

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O impacto também pode ultrapassar as porteiras das propriedades rurais.

Combustível mais caro aumenta o custo de movimentação de matérias-primas, alimentos e outros produtos ao longo das cadeias de distribuição. O efeito pode aparecer gradualmente em fretes, armazenagem e preços finais.

Por isso, o recorde do diesel americano não representa apenas um problema para quem dirige tratores ou caminhões. Ele é um sinal de que choques no mercado de energia podem se transformar rapidamente em pressão sobre produção agrícola, logística e inflação.

Enquanto o mercado internacional de petróleo continuar sujeito a interrupções e riscos geopolíticos, agricultores e empresas de transporte deverão conviver com maior incerteza sobre seus custos. Para produtores de milho e soja, o desafio imediato é atravessar a colheita mantendo as operações funcionando sem comprometer ainda mais uma margem que já vinha sob pressão.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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