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Taxas dos DIs avançam com disputa eleitoral acirrada e alta do petróleo

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) começaram a semana em alta no Brasil, refletindo a combinação de fatores políticos, inflação e riscos internacionais. O mercado financeiro passou a acompanhar com atenção redobrada as novas pesquisas eleitorais, os acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a valorização do petróleo no exterior. Na manhã […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) começaram a semana em alta no Brasil, refletindo a combinação de fatores políticos, inflação e riscos internacionais. O mercado financeiro passou a acompanhar com atenção redobrada as novas pesquisas eleitorais, os acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a valorização do petróleo no exterior.

Na manhã desta segunda-feira, 14 de setembro, o DI com vencimento em janeiro de 2028 era negociado a 13,695% ao ano, acima dos 13,625% registrados no ajuste anterior. Na parte mais longa da curva, o contrato para janeiro de 2035 alcançava 14,30%, ante 14,179% na sessão anterior.

A alta dos juros futuros mostra que os investidores continuam exigindo maior prêmio para assumir posições de prazo mais longo, especialmente diante das incertezas que podem afetar inflação, contas públicas e política econômica.

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Por que os DIs estão subindo?

Os contratos de DI são importantes indicadores das expectativas do mercado para os juros brasileiros. Quando suas taxas avançam, significa que os investidores estão incorporando uma percepção maior de risco ou de inflação futura, entre outros fatores.

Nesta segunda-feira, o movimento foi influenciado tanto pelo ambiente doméstico quanto pelo cenário internacional. No exterior, o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã estimulou a busca por ativos considerados mais seguros e pressionou as commodities.

O petróleo Brent voltou a se aproximar da marca de US$ 110 por barril. Uma alta dessa magnitude preocupa o mercado brasileiro porque combustíveis mais caros podem aumentar custos de transporte, produção e logística, dificultando a trajetória de queda da inflação.

Esse efeito é particularmente relevante para o Banco Central, que precisa avaliar se choques externos podem contaminar as expectativas de inflação no médio prazo.

Eleições aumentam a volatilidade dos juros

Eleições 2024
Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock.com

O calendário eleitoral brasileiro também ganhou espaço nas decisões dos investidores. As pesquisas mais recentes mostram uma disputa bastante apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em diferentes cenários de segundo turno.

No levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira, Lula apareceu com 47% e Flávio Bolsonaro com 46% em uma simulação de segundo turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado representa empate técnico.

O primeiro turno também mostra uma disputa competitiva. A pesquisa apontou Lula com 42% e Flávio com 37% das intenções de voto no cenário considerado.

Para o mercado financeiro, pesquisas eleitorais não representam necessariamente uma previsão do resultado final. Elas, porém, ajudam a formar expectativas sobre possíveis mudanças na política econômica, especialmente em relação às contas públicas, gastos governamentais e regras fiscais.

Por isso, alterações nas pesquisas podem provocar movimentos no dólar, nos juros futuros e nos títulos públicos mesmo antes de qualquer mudança efetiva na economia.

Crise no STF também entra no radar

Além da eleição, acontecimentos relacionados ao Supremo Tribunal Federal aumentam a cautela dos investidores.

O caso envolvendo mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, passou a ter acompanhamento especial no mercado. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, assumiu a relatoria de uma petição relacionada ao episódio, enquanto outro julgamento envolvendo o ministro André Mendonça foi agendado para 23 de setembro.

A preocupação do mercado, nesse caso, está menos relacionada diretamente à taxa Selic e mais ao aumento da incerteza institucional. Em períodos de maior instabilidade política e jurídica, investidores tendem a exigir retornos maiores para manter recursos em ativos de risco.

Selic pode começar ciclo de cortes

Mesmo com a alta dos DIs nesta segunda-feira, o mercado continua apostando na continuidade da flexibilização monetária.

A Selic está atualmente em 14% ao ano, e as expectativas indicam que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual na reunião desta semana.

A curva de juros, portanto, apresenta uma situação aparentemente contraditória: o mercado espera cortes na taxa básica, mas mantém as taxas futuras elevadas. Isso ocorre porque uma coisa é a trajetória da Selic no curto prazo e outra é o nível de juros considerado necessário para os próximos anos.

Na prática, os investidores podem acreditar em uma redução gradual da Selic agora e, ao mesmo tempo, considerar que os juros precisarão permanecer elevados por mais tempo para compensar riscos fiscais, políticos e inflacionários.

Focus melhora projeção de inflação

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira trouxe uma notícia positiva para o cenário de preços. A mediana das estimativas dos economistas consultados pelo Banco Central reduziu a previsão do IPCA de 2026 de 5% para 4,90%. Para 2027, entretanto, a projeção subiu de 4,29% para 4,30%.

Para a Selic, a expectativa é de encerramento de 2026 em 13,75%, enquanto a projeção para o fim de 2027 está em 12%.

A melhora na estimativa de inflação ajuda a abrir espaço para cortes de juros. Porém, a projeção ainda permanece acima da meta central de inflação, o que limita a possibilidade de uma queda muito acelerada da Selic.

Petróleo e juros dos EUA aumentam pressão

Dólar
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Outro componente importante é o mercado internacional. O rendimento do Treasury americano de dez anos, referência para os investimentos globais, estava próximo de 5% na manhã desta segunda-feira.

Quando os juros dos títulos americanos sobem, investimentos brasileiros precisam oferecer retorno competitivo para continuar atraindo capital estrangeiro. Isso pode pressionar o câmbio e, indiretamente, contribuir para uma curva de juros mais elevada.

A combinação entre petróleo caro, Treasuries elevados e incertezas eleitorais cria, portanto, um ambiente mais desafiador para os ativos brasileiros.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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