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O que significa o “gap de gênero” nas análises sobre o voto nas eleições

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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A eleição presidencial de 2026 evidencia uma divisão cada vez mais relevante no comportamento dos eleitores brasileiros: mulheres demonstram maior preferência por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto homens apresentam maior inclinação a Flávio Bolsonaro (PL), segundo os números de intenção de voto apresentados na pesquisa Datafolha citada na cobertura eleitoral. Essa diferença, observada com destaque desde 2018, pode ter impacto decisivo na disputa pelo Palácio do Planalto.

O fenômeno, conhecido como gap de gênero no voto, descreve a distância entre as preferências eleitorais de homens e mulheres. A divisão não significa que todos os eleitores de um gênero pensem da mesma maneira, mas indica que determinados grupos apresentam tendências distintas na escolha de candidatos e nas prioridades políticas.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

De acordo com o levantamento Datafolha mencionado na referência, 55% das mulheres entrevistadas declararam preferência por Lula, enquanto 45% indicaram Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o cenário aparece invertido: 56% demonstraram preferência por Flávio, contra 44% que escolheram o atual presidente.

Os percentuais revelam uma diferença expressiva entre os grupos e sugerem que a conquista do eleitorado feminino e masculino exige estratégias distintas dos candidatos. Em uma eleição competitiva, mudanças relativamente pequenas na intenção de voto podem alterar o resultado final.

As pesquisas, entretanto, representam um retrato do momento em que foram realizadas. A decisão definitiva depende de fatores como a evolução da campanha, a avaliação do governo, a situação econômica, a rejeição aos candidatos e a participação dos eleitores nas urnas.

Por que o voto feminino pode ser decisivo

As mulheres representam aproximadamente 52% do eleitorado brasileiro, conforme a proporção indicada na referência. Por isso, conquistar esse público pode fazer diferença em uma disputa equilibrada.

Questões relacionadas ao custo de vida, à saúde, à educação, à segurança e às condições de trabalho estão entre os assuntos que podem influenciar a decisão de parte das eleitoras. A administração das despesas domésticas e a disponibilidade de serviços públicos também podem pesar na avaliação dos governos.

Isso não significa que as mulheres votem exclusivamente por razões econômicas ou sociais. Ideologia, religião, identificação partidária e posicionamentos sobre costumes também participam da escolha, assim como acontece entre os homens.

Como surgiu a diferença entre o voto masculino e feminino

A mudança observada em 2018

Embora diferenças de gênero no comportamento eleitoral já fossem estudadas anteriormente, a eleição presidencial de 2018 tornou o fenômeno especialmente visível no Brasil.

Naquele pleito, Jair Bolsonaro (PL) conquistou forte apoio entre os homens, enquanto Fernando Haddad (PT) encontrou maior resistência nesse grupo. Entre as mulheres, Bolsonaro também apresentou vantagem em levantamentos da época, mas com uma margem mais estreita.

A cientista política Luciana Veiga, citada na referência, destaca que a mudança ocorreu principalmente pelo deslocamento do eleitorado masculino em direção à direita. Esse movimento contribuiu para estabelecer uma divisão mais perceptível entre as preferências políticas de homens e mulheres.

Em 2022, a diferença voltou a aparecer, com Lula apresentando maior apoio relativo entre as mulheres e Bolsonaro entre os homens. Em 2026, os números mencionados indicam a continuidade dessa tendência, agora com Flávio Bolsonaro representando o campo bolsonarista na disputa.

O que mudou no comportamento das mulheres

Estudos sobre comportamento eleitoral apontam que, historicamente, mulheres podiam apresentar posições mais conservadoras em determinados contextos sociais. A participação religiosa, as responsabilidades familiares e os papéis tradicionais de gênero estavam entre os fatores considerados para explicar esse padrão.

Ao longo das últimas décadas, porém, mudanças na escolaridade, na presença feminina no mercado de trabalho e na autonomia econômica transformaram a participação política das mulheres.

A ampliação desses espaços não determina automaticamente uma preferência pela esquerda. O comportamento eleitoral depende de diferentes condições sociais, culturais e econômicas. Ainda assim, a combinação dessas transformações com as disputas políticas recentes ajuda a compreender por que a antiga diferença entre os gêneros mudou de direção.

O que influencia a escolha de homens e mulheres

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Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock.com

A análise apresentada por especialistas sugere que parte das eleitoras atribui grande importância à avaliação prática dos governos. Preços dos alimentos, acesso a consultas médicas, qualidade das escolas, oportunidades de emprego e proteção contra a violência podem influenciar a decisão.

Esse comportamento é frequentemente associado ao chamado eleitor pêndulo: aquele que pode mudar de candidato conforme os resultados da administração pública e suas condições de vida. A categoria, contudo, não se aplica a todas as mulheres, e homens também podem tomar decisões eleitorais com base em avaliações pragmáticas.

Entre os homens, determinados segmentos demonstram maior identificação com propostas econômicas liberais, discursos de endurecimento da segurança pública e posições contrárias ao PT. Esses elementos podem reforçar a preferência por candidatos da direita, embora também existam eleitores masculinos progressistas e eleitores femininos conservadores.

Segurança e condições de trabalho entram na disputa

A violência contra a mulher ganhou espaço no debate eleitoral de 2026. Propostas para combater o feminicídio, ampliar a proteção às vítimas e melhorar a resposta das autoridades podem influenciar a percepção das eleitoras sobre os candidatos.

As condições de trabalho também fazem parte da discussão. O debate sobre o fim da escala 6×1, por exemplo, envolve tempo de descanso, convivência familiar, saúde e remuneração. Já propostas de endurecimento das punições para crimes sexuais mobilizam discussões sobre segurança, justiça e eficácia das políticas públicas.

A apresentação dessas medidas durante a campanha demonstra como os candidatos procuram dialogar com diferentes preocupações sociais. Entretanto, o impacto eleitoral de cada proposta depende de sua aceitação, viabilidade e credibilidade perante os eleitores.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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