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Dinheiro não sacado: famílias deixam de retirar grandes valores herdados

Brasileiros deixam de resgatar dinheiro herdado por falta de informação e burocracia. Conheça os ativos invisíveis esquecidos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Dinheiro não sacado: famílias deixam de retirar grandes valores herdados

A perda de um ente querido provoca dor emocional profunda, mas também pode gerar prejuízos financeiros consideráveis. Muitos brasileiros deixam de reivindicar o dinheiro a que teriam direito por herança ou benefícios legais, simplesmente por desconhecimento ou dificuldade em lidar com a burocracia.

Segundo estudo da Planeje Bem, plataforma especializada em planejamento sucessório, cada família brasileira deixa, em média, entre R$ 10 mil e R$ 50 mil sem serem resgatados. O levantamento identifica uma série de fatores que contribuem para essa situação: o luto, a ausência de orientação financeira, a falta de informação sobre direitos e a complexidade do processo burocrático.

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Por que tantas famílias deixam dinheiro para trás

Na imagem, saco de dinheiro ao lado de um martelo de Justiça em cima de balança de madeira
Imagem: Andrii Yalanskyi / shutterstock.com

O levantamento aponta que o principal ativo negligenciado é o Seguro DPVAT, pago em caso de morte ou acidente. Além dele, existem diversos outros “ativos invisíveis” que passam despercebidos pelas famílias, incluindo benefícios trabalhistas, contas bancárias, investimentos e seguros.

Carolina Aparício, diretora executiva da Planeje Bem, explica:

“É comum pensar que todos os bens passam automaticamente pelo inventário, mas existem ativos que podem ser resgatados de forma simples, desde que se saiba como e onde buscá-los. A falta de orientação adequada, em um momento de dor, faz com que esses recursos sejam esquecidos.”

A especialista ressalta que o momento do luto é crítico para a tomada de decisões. A dor emocional pode atrasar ou até impedir a busca por recursos legais, mesmo quando eles são de fácil acesso.


Ativos mais esquecidos pelas famílias

O levantamento da Planeje Bem detalha os ativos financeiros mais frequentemente negligenciados:

  • DPVAT por morte ou acidente: 40% dos casos;
  • Auxílios e benefícios trabalhistas (FGTS, PIS/Pasep, salários, férias, 13º): 25% a 30%;
  • Contas bancárias, investimentos e consórcios: 25%;
  • Seguros de vida e acidentes pessoais: 20%;
  • Seguros corporativos e previdência privada (PGBL/VGBL): 20%;
  • Pensão por morte do INSS: 10%.

Além desses, outros valores menos divulgados também passam despercebidos: auxílios-funeral (R$ 2 mil a R$ 5 mil), milhas aéreas (até R$ 4 mil) e carteiras digitais vinculadas a cartões de crédito.

O curioso é que muitos desses valores podem ser resgatados sem a necessidade de inventário, bastando apresentar a documentação correta e cumprir os prazos legais. Essa simplicidade, porém, não é amplamente conhecida.


Impacto do desconhecimento sobre ativos invisíveis

Pessoa segurando um papel.
Imagem: @drobotdean / Freepik

O desconhecimento financeiro sobre direitos herdados tem efeitos diretos no bem-estar da família. Quando recursos não são reivindicados, familiares podem enfrentar dificuldades para honrar compromissos, como pagamento de contas, financiamentos ou até manutenção da moradia.

Estudos do setor financeiro mostram que a falta de conhecimento sobre direitos do falecido é um dos principais motivos para perdas econômicas. Muitas vezes, os herdeiros acreditam que apenas imóveis ou grandes investimentos passam pelo inventário, enquanto valores de seguros ou benefícios trabalhistas podem ser resgatados rapidamente, sem necessidade de processos judiciais complexos.


Perfil dos familiares que mais esquecem

A pesquisa da Planeje Bem revela que os homens entre 25 e 45 anos lideram os casos de esquecimento, correspondendo a 65% a 70% das situações, enquanto mulheres representam 30% a 35%. Frequentemente, os responsáveis por resgatar os ativos são sobrinhos, filhos ou netos, que nem sempre tinham envolvimento direto com a gestão financeira do falecido.

Outro fator que contribui para a negligência é a distância geográfica. Familiares que moram longe do ente querido falecido podem ter dificuldade em acessar documentos, contas ou mesmo identificar os benefícios disponíveis.


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Principais causas do esquecimento

O DPVAT é o ativo mais negligenciado, especialmente em casos de mortes súbitas em acidentes de trânsito. Carolina Aparício comenta:

“O luto e a natureza inesperada da perda levam ao adiamento da busca por direitos. Muitas vezes, a pessoa sabe que existe um benefício, mas deixa para depois. O tempo passa e o recurso é perdido.”

Em relação a auxílios trabalhistas, quando os herdeiros estão de acordo, não é necessário esperar pelo inventário. Um alvará judicial simples pode permitir o resgate rápido desses valores. Além disso, o Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central facilita a recuperação de contas bancárias, investimentos e consórcios esquecidos.

Outro motivo relevante é a burocracia percebida. Muitos herdeiros desistem de buscar recursos por acreditarem que o processo será longo, caro ou complicado, mesmo quando ele pode ser resolvido com orientação correta.


Consequências financeiras de não resgatar ativos

A negligência pode resultar em prejuízos significativos. Imagine uma família que perde o prazo para sacar benefícios trabalhistas de um parente falecido: valores de FGTS, PIS/Pasep ou férias acumuladas podem representar dezenas de milhares de reais. Além disso, a perda de seguros de vida ou previdência privada impede a proteção financeira que esses recursos poderiam proporcionar.

Em casos extremos, a falta de acesso a valores esquecidos pode gerar dificuldades para pagar dívidas, honrar compromissos escolares ou médicos, ou até comprometer a estabilidade econômica dos familiares dependentes.

Imagem: beeboys / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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