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“Máfia do Pix”: 2 secretários e 3 vereadores são afastados por 180 dias em MS

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 7 min de leitura
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A segunda fase da Operação Dirty Pix provocou mudanças na Prefeitura e na Câmara Municipal de Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul. Dois secretários municipais e três vereadores foram afastados de suas funções por 180 dias, em meio à investigação sobre suspeitas de desvio de recursos destinados ao hospital da cidade.

Deflagrada na quarta-feira, 7 de outubro de 2026, a ação também teve três prisões preventivas e 25 mandados de busca e apreensão em quatro municípios. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as apurações alcançam convênios e recursos relacionados à saúde cujos valores ultrapassam R$ 18 milhões.

Os afastamentos e as prisões são medidas cautelares e não representam condenação. A investigação busca esclarecer a participação de cada envolvido e o destino do dinheiro que deveria financiar equipamentos, materiais e melhorias hospitalares.

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Quem foi afastado na Operação Dirty Pix?

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Na administração municipal, foram afastados Enelvo Iradi Felini Junior, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, e Cleyton Martins Teixeira, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Conforme informações publicadas pelo Campo Grande News, o prefeito Rodrigo Basso oficializou os afastamentos por 180 dias em decreto divulgado no Diário Oficial municipal de quinta-feira, 8 de outubro. Durante esse período, o prefeito ficará responsável pela ordenação de despesas das duas pastas.

Também foi exonerado José Ademir Gabardo do cargo comissionado de assessor de Serviços Especializados, vinculado à Secretaria de Governo e Desburocratização. A exoneração administrativa deve ser distinguida do afastamento temporário determinado no âmbito judicial.

Quais vereadores foram atingidos pela decisão?

O afastamento por 180 dias alcançou três integrantes da Câmara Municipal de Sidrolândia:

  • Adavilton Brandão, do MDB.
  • Cledinaldo Cotócio, do PSDB.
  • Izaqueu de Souza Diniz, conhecido como Gabriel Autocar, do PSD.

A medida impede temporariamente o exercício das funções parlamentares. Ela não equivale à cassação dos mandatos nem antecipa o resultado da investigação criminal.

Como fica a composição da Câmara de Sidrolândia?

Com o afastamento dos titulares, a substituição depende dos procedimentos formais da Câmara e da convocação dos respectivos suplentes. O Legislativo municipal possui 13 vereadores.

Segundo a ordem de suplência informada pela imprensa local, os nomes previstos para convocação são Maria Tereza Fiúza Ferreira, conhecida como Maria Fiúza, do MDB; Itamar de Souza Silva, do PSDB; e Claésio Lechner de Albuquerque, do PSD.

Em declaração publicada pelo Campo Grande News em 8 de outubro, o presidente da Câmara, Otacir Figueiredo, afirmou que aguardava a notificação da decisão para tomar as providências necessárias. Essa manifestação corresponde à situação informada naquela data e não deve ser confundida com confirmação de posse dos suplentes.

Quem foi preso na segunda fase?

De acordo com a cobertura jornalística da operação, foram presos o presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuvis Breure; a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho; e o assessor político Júlio César Alves da Silva.

O comunicado do MPMS confirmou que a segunda fase foi destinada ao cumprimento de três mandados de prisão preventiva. As buscas ocorreram em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

A operação foi conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Também houve apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

Prisão preventiva significa que houve condenação?

Não. A prisão preventiva é uma medida cautelar determinada durante a investigação ou o processo, mediante requisitos legais. Sua decretação não substitui o julgamento nem comprova, por si só, a responsabilidade criminal do investigado.

O mesmo cuidado se aplica aos mandados de busca e apreensão. Eles permitem recolher materiais relevantes para a apuração, mas a conclusão sobre os fatos depende da análise das provas e do andamento dos procedimentos.

O que a investigação apura no hospital?

O ponto de partida foi a identificação de suspeitas de desvio em recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave hospitalar, equipamento utilizado na esterilização de materiais.

Os valores estavam relacionados a um convênio envolvendo o poder público e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, responsável pela gestão do hospital de Sidrolândia.

Após a primeira fase da Dirty Pix, os investigadores aprofundaram a análise e encontraram indícios de que a mesma forma de atuação teria sido reproduzida em outros convênios da entidade.

Quais despesas estão sob análise?

Segundo o Ministério Público, a investigação passou a abranger recursos destinados à compra de equipamentos e materiais hospitalares, à aquisição de uma unidade de terapia intensiva móvel e à realização de obras de reforma.

O comunicado oficial relaciona as apurações a valores superiores a R$ 18 milhões. Esse montante deve ser tratado como referência aos recursos e convênios alcançados pela investigação, sem presumir que todo o valor corresponda a um prejuízo definitivamente calculado.

A distinção é importante: o total de uma contratação, a parcela suspeita de desvio e o dano comprovado ao patrimônio público podem ser diferentes.

Como o suposto esquema teria funcionado?

Conforme a versão apresentada pelo MPMS, os planos de trabalho dos convênios continham informações fraudulentas. Os investigadores apontam suspeitas de superfaturamento de bens e serviços e de direcionamento de contratações para empresas previamente alinhadas ao grupo investigado.

Um plano de trabalho descreve como os recursos de um convênio serão utilizados, incluindo objetivos, despesas e execução. Informações falsas nesse documento podem comprometer tanto a aprovação do repasse quanto a fiscalização posterior.

Ainda segundo o Ministério Público, após o ingresso do dinheiro nas contas da entidade hospitalar, parte dos recursos teria sido retirada das finalidades previstas e movimentada por diferentes contas.

Essas transferências, na avaliação dos investigadores, envolveriam repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores, intermediários e terceiros. A apuração também aponta indícios de práticas destinadas a dificultar o andamento das investigações.

Por que a operação se chama Dirty Pix?

A expressão Dirty Pix faz referência a transferências financeiras que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas para movimentar valores de origem ilícita. O caso também passou a ser chamado de “Máfia do Pix” na cobertura jornalística.

Na primeira fase, o MPMS informou que uma empresa fornecedora teria realizado transferências por Pix diretamente para investigados ou por meio de contas de terceiros.

O nome da operação se refere ao uso atribuído ao meio de pagamento no suposto esquema. Não indica uma falha do sistema Pix nem transforma transferências comuns em operações suspeitas.

O que aconteceu na primeira fase?

A primeira fase da Operação Dirty Pix foi deflagrada em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o Ministério Público informou o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus, no Amazonas.

O comunicado daquela etapa apontou desvio de R$ 5,4 milhões relacionado a recursos destinados ao hospital. Também informou que o procedimento apurava suspeitas de peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

A segunda fase amplia o alcance da investigação para outros convênios. Os valores divulgados em cada etapa não devem ser somados automaticamente, pois podem envolver recursos ou fatos relacionados.

O que ainda precisa ser esclarecido?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A investigação deverá detalhar o caminho das transferências, a execução das contratações e a eventual participação individual dos envolvidos. Também será necessário estabelecer quais despesas foram efetivamente realizadas e qual parcela dos recursos teria sido desviada.

No material publicado pelo Campo Grande News em 8 de outubro, a reportagem informou que não havia localizado as defesas dos vereadores e secretários afastados. Isso descreve a apuração daquele veículo e não permite concluir que os investigados não tenham defesa ou que não tenham apresentado manifestações em outros canais.

Os próximos desdobramentos devem ser acompanhados por meio dos comunicados do Ministério Público, das decisões judiciais e dos atos oficiais da Prefeitura e da Câmara. Até que haja conclusão sobre a responsabilidade de cada pessoa, as suspeitas precisam permanecer atribuídas aos investigadores.

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