A primeira pesquisa eleitoral divulgada após o primeiro turno das Eleições 2026 mostra Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno da Presidência da República. Levantamento PoderData/Aya divulgado nesta quinta-feira (8) aponta 53% dos votos válidos para o senador e 47% para o atual presidente.
A diferença de seis pontos percentuais representa uma ampliação da vantagem registrada nas urnas. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
A votação do segundo turno está marcada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 25 de outubro. A eleição será decidida entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno, e será considerado eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.
Leia mais:
Presos terão direito de votar no segundo turno das eleições?
O que mostra a pesquisa PoderData/Aya

O levantamento foi realizado entre 5 e 7 de outubro, com 3.000 entrevistas por telefone em 705 municípios das 27 unidades da Federação.
Segundo o PoderData, a pesquisa tem margem de erro de 1,8 ponto percentual e intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08134/2026.
Em relação à rodada anterior, divulgada antes do primeiro turno, Lula perdeu três pontos percentuais na intenção de voto, enquanto Flávio avançou três pontos. Na prática, o cenário passou de empate numérico para uma diferença de seis pontos em favor do senador.
É importante observar, entretanto, que pesquisa eleitoral representa o cenário encontrado entre os entrevistados no período da coleta. Ela não determina o resultado da eleição.
Como ficou a votação no primeiro turno
O resultado oficial do primeiro turno ajuda a contextualizar a nova sondagem. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 56.104.503 votos válidos, equivalentes a 47,03%. Lula obteve 53.879.538 votos, ou 45,16%.
Como o segundo turno reúne apenas os dois candidatos mais votados, os votos recebidos pelos demais concorrentes deixam de estar vinculados a candidaturas presidenciais na nova votação. O comportamento desses eleitores passa a ser um dos principais fatores de disputa nas semanas seguintes.
Lula mantém vantagem entre as mulheres
Apesar da liderança geral apontada pela pesquisa, os resultados variam significativamente conforme o perfil dos entrevistados.
Entre as mulheres, Lula aparece com 50% das intenções de voto, contra 42% de Flávio Bolsonaro. Já em determinadas regiões, o senador apresenta desempenho superior ao do presidente.
Flávio registra 58% no Sul, 54% no Centro-Oeste e 51% no Sudeste, segundo o levantamento. O candidato também alcança 55% entre entrevistados que declararam ter o ensino médio como nível de escolaridade.
Esses recortes mostram por que a média nacional não deve ser interpretada isoladamente. Uma vantagem nacional pode esconder diferenças relevantes entre regiões e grupos demográficos.
Expectativa de vitória também mudou
Além de perguntar em quem o eleitor pretende votar, o PoderData/Aya avaliou quem os entrevistados consideram ter maior possibilidade de vencer a eleição. A pergunta mede percepção de vitória, e não intenção de voto.
Nesse quesito, 54% apontaram Flávio Bolsonaro como o candidato com maior chance de vencer, enquanto 37% citaram Lula. Outros 9% não souberam responder.
Na pesquisa anterior, Lula aparecia à frente nesse indicador, com 48%, contra 45% de Flávio. Portanto, em uma semana, houve uma mudança de 17 pontos percentuais na diferença entre os dois candidatos nessa percepção.
Esse tipo de dado não deve ser confundido com uma previsão estatística do resultado. Ele representa a avaliação dos entrevistados sobre o cenário eleitoral naquele momento.
Confiança entre os eleitores de cada candidato
A pesquisa também identificou diferença na confiança declarada pelos eleitores que apoiaram cada candidato no primeiro turno.
Entre aqueles que afirmam ter votado em Flávio Bolsonaro, 92% acreditam que o senador vencerá o segundo turno. Entre os eleitores de Lula, 76% demonstram a mesma confiança em relação ao presidente.
Entre os eleitores que haviam escolhido outros candidatos no primeiro turno, a pesquisa aponta Flávio à frente na percepção de quem tem maior chance de vencer.
Rejeição de Flávio caiu, segundo levantamento
Outro indicador relevante para a disputa de segundo turno é a rejeição, especialmente porque apenas dois candidatos permanecem na corrida presidencial.
Na pesquisa PoderData/Aya, 43% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum. O índice representa uma queda de três pontos percentuais em relação à rodada anterior.
A rejeição de Lula ficou em 46%, uma oscilação negativa de um ponto percentual.
A diferença entre os índices é relevante porque, no segundo turno, a capacidade de conquistar eleitores que não apoiaram nenhum dos dois candidatos na primeira etapa pode influenciar a evolução das intenções de voto.
Avaliação do governo Lula
O levantamento também mediu a percepção dos eleitores sobre o governo federal.
Segundo os dados divulgados, 49% afirmam desaprovar o trabalho de Lula, enquanto 44% aprovam. Outros 7% não souberam responder.
Esse indicador ajuda a contextualizar a disputa, mas não equivale diretamente à intenção de voto. Um eleitor pode avaliar positivamente ou negativamente uma administração e, ainda assim, escolher outro candidato por diferentes motivos.
O que a pesquisa significa para o segundo turno

A nova rodada do PoderData/Aya apresenta um retrato diferente daquele encontrado antes da votação de 4 de outubro. Flávio passou de uma situação de empate técnico na pesquisa anterior para uma vantagem de seis pontos entre os votos válidos.
A margem de erro de 1,8 ponto percentual também precisa ser considerada na leitura dos números. Ainda assim, os 53% contra 47% representam uma diferença de seis pontos, superior à margem informada pelo levantamento.
Isso não significa que o resultado esteja definido. A campanha ainda terá mais de duas semanas até a votação, período em que debates, alianças, propaganda eleitoral, fatos políticos e mudanças na preferência do eleitorado podem alterar o cenário.
O calendário oficial do TSE estabelece 25 de outubro como a data do segundo turno. Até lá, novas pesquisas poderão mostrar se a diferença encontrada pelo PoderData/Aya será mantida, ampliada ou reduzida.
Foto : Mauro Pimentel / AFP / CP
