A inadimplência entre as empresas brasileiras continua a ser uma preocupação crescente, com dados recentes revelando que 3 em cada 10 empresas estão com dívidas atrasadas.
Dívidas em alta: 30% das empresas estão atrasadas, acumulando R$ 149 bilhões
Em agosto de 2023, 32,6% das empresas brasileiras estavam inadimplentes, totalizando R$ 149 bilhões em dívidas. Entenda o impacto
Em agosto de 2023, a Serasa Experian divulgou um relatório alarmante que mostra que 6,9 milhões de empresas estão com o CNPJ no vermelho, totalizando uma dívida superior a R$ 149 bilhões. O cenário é preocupante, especialmente para as micro e pequenas empresas, que representam a maior parte das companhias afetadas.
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A Realidade das Dívidas Empresariais
O Que Dizer dos Números?
O Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, antecipado pelo site IstoÉ Dinheiro, revela que a porcentagem de empresas inadimplentes se manteve estável desde maio de 2023, enquanto o valor total das dívidas atrasadas aumentou.
O ticket médio das dívidas é de aproximadamente R$ 2.977. Esta situação levanta questões sobre a saúde financeira das empresas e os desafios enfrentados em um ambiente econômico adverso.

Evolução das Dívidas Atrasadas
Uma análise da evolução das dívidas atrasadas nos últimos 12 meses mostra um aumento consistente:
| Mês | Dívidas Negativadas (R$ bilhões) |
| ago.-23 | 149,1 |
| jul.-23 | 147,1 |
| jun.-23 | 146,2 |
| mai.-23 | 143,9 |
| abr.-23 | 138,2 |
| mar.-23 | 134,0 |
| fev.-23 | 130,0 |
| jan.-23 | 127,8 |
| dez.-22 | 126,1 |
| nov.-22 | 124,7 |
| out.-22 | 125,8 |
| set.-22 | 122,2 |
| ago.-22 | 119,3 |
O Impacto nas Micro e Pequenas Empresas
Das 6,9 milhões de empresas inadimplentes, 6,4 milhões são de porte micro e pequeno. Juntas, elas acumulam mais de 45,3 milhões de dívidas, resultando em um total superior a R$ 128,1 bilhões. Isso implica que, em média, cada CNPJ tem 7 contas atrasadas.
O Ciclo da Inadimplência
De acordo com Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, as empresas que estão inadimplentes frequentemente acumulam mais dívidas. “Acontece um fenômeno parecido com a pessoa física. Quando uma empresa deve a três credores, tende a dever a um quarto, pois já está no vermelho”, explica Rabi. Hoje, cada empresa deve, em média, para 7,3 credores, um leve aumento em relação ao mês anterior.
Tendências e Projeções para a Inadimplência
Cenário Econômico Adverso
A expectativa para os próximos meses não é otimista. O aumento das taxas de juros e a desaceleração do crescimento econômico podem agravar a situação das micro e pequenas empresas, que são as mais vulneráveis a essas oscilações.
Rabi ressalta que “com o aumento dos juros, o custo do crédito bancário se torna muito alto, e isso afeta diretamente a saúde financeira dessas empresas”.
Setores Mais Afetados
O setor de Serviços lidera as dívidas, respondendo por 56% do total de empresas inadimplentes. Em seguida, o Comércio aparece com 35%, enquanto a Indústria e o setor Primário têm participação menor, com 7,3% e 0,8%, respectivamente.
Essa distribuição mostra que os serviços são a área mais impactada pela inadimplência, sugerindo uma necessidade urgente de estratégias de mitigação.
Diferenças Regionais na Inadimplência
Quando analisamos os dados por estado, o Maranhão se destaca com a maior proporção de empresas negativadas, com 43,6% de suas empresas enfrentando dívidas. Alagoas e Amapá ocupam a segunda e terceira posição, com 43,1% e 42%, respectivamente.
Esses dados indicam que a inadimplência não é um fenômeno isolado, mas uma realidade que varia significativamente de região para região.
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O Que Fazer Para Combater a Inadimplência?
Estratégias para Empresas
- Revisão Financeira: As empresas devem fazer uma revisão detalhada de suas finanças, identificando áreas onde podem reduzir custos e aumentar a eficiência operacional;
- Gestão de Fluxo de Caixa: Uma gestão eficaz do fluxo de caixa é essencial. Isso inclui monitorar entradas e saídas de dinheiro para evitar surpresas financeiras;
- Renegociação de Dívidas: Procurar credores para renegociar dívidas pode ser uma alternativa viável para evitar o agravamento da situação financeira;
- Acesso a Crédito: Buscar opções de crédito com taxas de juros mais baixas pode ajudar as empresas a se manterem operacionais e a quitar suas dívidas.
Papel do Governo
O governo pode desempenhar um papel fundamental na mitigação da inadimplência, por meio de:
- Políticas de Estímulo: Implementação de políticas que incentivem o crédito a micro e pequenas empresas;
- Educação Financeira: Programas de educação financeira podem ajudar empresários a entender melhor a gestão de seus negócios e evitar a inadimplência;
- Facilitação de Acesso a Programas de Apoio: O governo pode facilitar o acesso a programas de apoio que ajudem empresas a superar crises financeiras.

Considerações Finais
A inadimplência empresarial é um problema sério que afeta uma parte significativa das empresas no Brasil, especialmente as micro e pequenas. Com um total de R$ 149 bilhões em dívidas atrasadas e uma tendência de aumento, a situação exige atenção imediata tanto das empresas quanto dos formuladores de políticas.
A implementação de estratégias eficazes e a colaboração entre o setor privado e o governo são essenciais para reverter esse cenário e garantir um ambiente de negócios mais saudável no futuro.
Com um olhar atento para as mudanças econômicas e um esforço conjunto para enfrentar os desafios da inadimplência, há esperança de que as empresas possam não apenas sobreviver, mas prosperar em um futuro próximo.
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
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