De acordo com a pesquisa “A relação dos brasileiros com dinheiro”, realizada pela Nexus, 51% dos brasileiros das classes A, B e C possuem dívidas no cartão de crédito, o que reflete uma preocupação crescente com a gestão financeira dessas classes.
Cartão de crédito pesa: 51% da classe média e alta brasileira estão endividados
Uma pesquisa realizada pela Nexus revelou que metade dos brasileiros das classes A, B e C estão endividados, com destaque para as dívidas no cartão de crédito.
A pesquisa, que envolveu 1.010 pessoas dos 26 estados e do Distrito Federal, traz uma visão detalhada sobre como a população lida com suas finanças, destacando a crescente preocupação com o futuro financeiro, a dificuldade em poupar e a incapacidade de quitar dívidas.
Essas classes são as mais representativas no Brasil, totalizando cerca de 120 milhões de pessoas, com rendas médias variando entre R$ 2,4 mil e R$ 26,8 mil. Mesmo com uma grande diversidade de rendas, os problemas financeiros parecem afetar todos, independentemente do grupo socioeconômico.
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O impacto das dívidas no cartão de crédito
O cartão de crédito é, sem dúvida, a principal fonte de endividamento para os brasileiros das classes A, B e C. Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados dessas classes afirmam que estão endividados no cartão de crédito, com destaque para a faixa etária de 25 a 40 anos, onde 66% indicam ter dívidas nessa modalidade.
Além disso, o Nordeste apresenta uma taxa de 58% de endividamento no cartão de crédito, mostrando que a região enfrenta uma maior dificuldade financeira.
O aumento das taxas de juros e a falta de planejamento financeiro são fatores que contribuem diretamente para o crescimento dessas dívidas. O cartão de crédito, muitas vezes, se torna uma válvula de escape temporária para as dificuldades financeiras, mas, com o altíssimo custo de financiamento, as dívidas acabam se acumulando de forma imprevisível.
Empréstimos pessoais e outras dívidas: o cenário completo
A popularidade dos empréstimos pessoais
Além das dívidas no cartão de crédito, 28% dos entrevistados afirmaram ter empréstimos pessoais. A contratação de empréstimos pessoais tem se tornado uma forma comum de fazer frente a imprevistos financeiros, mas também reflete a dificuldade de acesso a crédito barato e a necessidade de crédito rápido.
A pesquisa mostrou que os maiores de 60 anos são o grupo mais afetado por esse tipo de dívida, com 44% das pessoas nessa faixa etária reportando ter empréstimos pessoais.
Os empréstimos podem ser uma solução para pagamento de dívidas acumuladas, mas, quando não gerenciados corretamente, acabam agravando a situação financeira das famílias.
Financiamentos de imóveis e veículos
A pesquisa também revelou que 17% dos brasileiros das classes A, B e C têm dívidas relacionadas a financiamentos de imóveis ou veículos.
Esses tipos de dívida, em sua maioria, têm valores mais altos e prazos mais longos, tornando-se mais difíceis de pagar ao longo do tempo, especialmente para quem já enfrenta dificuldades com outras dívidas de curto prazo.
A preocupação com o futuro financeiro: um reflexo do endividamento
A insegurança com o futuro
A pesquisa também revelou um dado alarmante: 63% dos brasileiros das classes A, B e C estão preocupados com o futuro financeiro, e 35% se dizem muito preocupados. Isso indica que, além de lidarem com as dívidas atuais, muitos estão ansiosos sobre sua capacidade de poupar e garantir um futuro financeiro mais tranquilo.
Entre os mais jovens (18 a 34 anos), a preocupação é ainda mais acentuada, com 55% desses indivíduos relatando dificuldades para poupar e organizar suas finanças pessoais. Esse medo do futuro está intimamente relacionado à incapacidade de poupar e à incerteza econômica que afeta a maioria da população brasileira.
Preocupação em todas as faixas etárias
A pesquisa destaca que os mais velhos, especialmente os maiores de 60 anos, enfrentam uma preocupação maior com a falta de renda ou com o risco de não ter uma poupança adequada para o futuro. Nesse grupo, 44% têm empréstimos pessoais, e 58% dos entrevistados afirmam que suas dívidas comprometem mais de 1 mês de renda.
Poupança e capacidade de gerenciar o dinheiro

Como os brasileiros gerenciam seu dinheiro?
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A pesquisa também investiga a capacidade de poupança das classes A, B e C. Segundo os dados, 48% dos entrevistados disseram que conseguem pagar todas as contas, mas não sobra dinheiro para poupar. Esse dado reflete a dificuldade em conseguir administrar as finanças quando a renda é consumida inteiramente pelas despesas mensais.
Outro dado relevante é que 30% dos brasileiros conseguem gerenciar o dinheiro bem e ainda sobra, o que indica que uma parcela significativa da população tem capacidade de poupança e gestão financeira eficiente.
No entanto, 64% da população das classes A, B e C não consegue poupar, o que a torna mais vulnerável a imprevistos financeiros, como emergências médicas, desemprego ou até a necessidade de recorrer a empréstimos para quitar dívidas.
O que a pesquisa revela sobre a vulnerabilidade financeira dos brasileiros?

Desafios para construir um futuro financeiro sólido
De acordo com Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a maioria da população das classes A, B e C se encontra em uma situação vulnerável. A falta de poupança, associada à dificuldade em gerenciar as finanças, torna essas famílias mais propensas a dificuldades financeiras futuras.
Com a incerteza econômica e a alta taxa de endividamento, muitas pessoas se encontram cada vez mais distantes de construir um futuro financeiro sólido.
Essa realidade reflete a falta de educação financeira e a dificuldade de acesso a crédito para quem não tem um bom histórico financeiro, deixando uma parte significativa da população à mercê de empréstimos caros e juros elevados.
Conclusão: o que pode ser feito para mudar esse cenário?
O estudo revela que, embora a maioria dos brasileiros das classes A, B e C enfrente dificuldades financeiras, especialmente em relação ao endividamento no cartão de crédito, há também uma parcela significativa da população que consegue organizar suas finanças pessoais e garantir o futuro financeiro.
Para a grande maioria, a chave para mudar essa realidade é a educação financeira e a capacidade de poupança, além de uma gestão consciente do crédito.
O futuro financeiro do Brasil depende de uma combinação de políticas públicas para inclusão financeira, melhora no acesso ao crédito de baixo custo e educação financeira para que os cidadãos possam, de fato, garantir a estabilidade financeira no longo prazo.
