O dólar iniciou os negócios desta quinta-feira em queda no mercado brasileiro, após ter encerrado o pregão anterior acima de R$ 5 pela primeira vez desde o fim de abril. A movimentação ocorre em meio à forte repercussão política no Brasil e ao aumento das incertezas no cenário internacional, fatores que seguem influenciando diretamente o câmbio e a Bolsa de Valores.
Dólar cai para R$ 4,99 na abertura após tensão no câmbio
Dólar abre em baixa após fechar acima de R$ 5. Mercado reage a cenário político, queda da Bolsa e mudanças no Fed dos EUA.
Logo na abertura do mercado, o dólar comercial era negociado a R$ 4,993 para venda, registrando recuo de 0,31% em relação ao fechamento anterior. Apesar da baixa inicial, investidores continuam monitorando o ambiente político doméstico e os desdobramentos da economia dos Estados Unidos.
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Dólar voltou a superar R$ 5 após pressão política
Na quarta-feira, a moeda norte-americana fechou em alta de 2,3%, ultrapassando novamente a marca psicológica de R$ 5. Até o início da tarde, o mercado operava com relativa estabilidade, mas o cenário mudou após a divulgação de uma reportagem envolvendo Flávio Bolsonaro.
Segundo informações publicadas pelo Intercept Brasil, o senador teria negociado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um repasse milionário destinado à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O mercado financeiro reagiu rapidamente ao aumento das tensões políticas, ampliando a busca por proteção cambial e pressionando o real frente ao dólar.
Bolsa brasileira também sofreu forte impacto
A repercussão política também afetou diretamente o desempenho da Bolsa brasileira.
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão de quarta-feira com queda de 1,6%, atingindo o menor nível desde 20 de março.
Analistas destacam que momentos de instabilidade política costumam elevar a aversão ao risco entre investidores, especialmente estrangeiros. Quando isso acontece, há saída de capital da Bolsa e aumento da procura por dólar, o que pressiona a moeda americana para cima.
Por que o cenário político afeta o dólar?
O câmbio brasileiro é altamente sensível ao ambiente político.
Investidores acompanham:
- estabilidade institucional;
- previsibilidade econômica;
- risco fiscal;
- eleições;
- relação entre Congresso e governo;
- confiança no ambiente de negócios.
Sempre que surgem notícias capazes de gerar instabilidade ou ampliar incertezas, o mercado tende a reagir rapidamente.
Isso ocorre porque o dólar funciona como um ativo de proteção global. Em períodos de turbulência, investidores costumam migrar recursos para moedas consideradas mais seguras, como o próprio dólar americano.
Mercado internacional também influencia o câmbio
Além do cenário brasileiro, o ambiente externo segue pressionando os mercados globais.
Um dos destaques desta quinta-feira é a confirmação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve, conhecido como Fed.
A nomeação foi aprovada pelo Senado norte-americano após indicação do presidente Donald Trump.
Warsh substituirá Jerome Powell em um momento delicado da economia americana, marcado por inflação elevada e pressão política por cortes nas taxas de juros.
Mudanças no Fed podem mexer com o Brasil
As decisões do banco central dos Estados Unidos possuem impacto direto sobre países emergentes como o Brasil.
Quando os juros americanos permanecem altos:
- investidores preferem aplicar recursos nos EUA;
- há saída de capital de mercados emergentes;
- moedas como o real tendem a perder valor;
- o dólar sobe frente a diversas moedas globais.
Por outro lado, expectativas de redução dos juros americanos podem favorecer mercados emergentes e fortalecer moedas como o real.
Analistas avaliam que o mercado ainda tenta entender qual será a postura de Kevin Warsh em relação aos juros e ao combate à inflação.
Petróleo opera em queda no mercado internacional
Outro fator acompanhado pelos investidores nesta quinta-feira é o comportamento do petróleo.
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O barril do tipo Brent, referência internacional, registrava queda de 0,9%, sendo negociado próximo de US$ 104,65 nos contratos futuros para julho.
A movimentação do petróleo afeta diretamente:
- inflação global;
- preços dos combustíveis;
- expectativas econômicas;
- empresas do setor de energia;
- desempenho de moedas de países exportadores.
No Brasil, oscilações do petróleo têm impacto relevante sobre ações da Petrobras e sobre a percepção inflacionária do mercado.
O que esperar do dólar nos próximos dias
Especialistas apontam que a volatilidade deve continuar elevada no curto prazo.
Entre os principais fatores que podem influenciar o dólar estão:
- cenário eleitoral brasileiro;
- tensão política interna;
- decisões do Fed;
- inflação nos Estados Unidos;
- fluxo de investidores estrangeiros;
- comportamento das commodities.
Além disso, o mercado segue atento às sinalizações do Banco Central do Brasil sobre juros e política monetária.
Alta do dólar afeta consumidores e empresas
Quando o dólar sobe, diversos setores da economia brasileira sentem os impactos.
Entre os efeitos mais comuns estão:
- aumento no preço de produtos importados;
- pressão sobre combustíveis;
- alta em eletrônicos;
- encarecimento de viagens internacionais;
- impacto em alimentos ligados ao mercado externo.
Empresas que dependem de insumos importados também costumam enfrentar aumento nos custos operacionais.
Por outro lado, setores exportadores podem ser beneficiados temporariamente, já que recebem em dólar e convertem receitas para um real mais desvalorizado.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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