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Dólar e bolsa de valores enfrentam volatilidade com tarifaço de Trump em agosto

Tarifas impostas por Trump provocam instabilidade no dólar e bolsa brasileira. Entenda os impactos econômicos para agosto.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Ibovespa

O mês de agosto começou com fortes sinais de instabilidade no mercado financeiro global, puxados por novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Conhecido como “tarifaço”, o pacote de medidas comerciais trouxe incertezas sobre o futuro das relações econômicas entre os EUA e seus parceiros — incluindo o Brasil.

O reflexo imediato foi sentido na cotação do dólar e na performance da B3, a bolsa de valores brasileira. De acordo com especialistas, a volatilidade deve permanecer ao longo do mês, enquanto investidores tentam entender o real impacto das medidas e as possíveis reações dos governos afetados.

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Dólar: projeção de valorização moderada

dólar mercado inflação moedas
Imagem: alexgrec – Freepik

O economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, analisa que o impacto nas contas externas do Brasil deve ser menor do que o previsto inicialmente. “É um impacto moderado para baixo na balança comercial. Considerando isso e olhando as elasticidades do câmbio, a gente imagina que o câmbio precisaria depreciar em torno de 3% a 4% em relação aos níveis pré-anúncio das tarifas”, afirma.

Segundo Costa, com o dólar cotado a R$ 5,40 antes do anúncio, a tendência é que a moeda americana se estabilize entre R$ 5,50 e R$ 5,60, movimento que já começou a se concretizar.

Ele destaca que uma desvalorização mais acentuada do real só ocorreria se o Brasil respondesse com medidas de retaliação — cenário que, por ora, parece distante. “O governo está preferindo não fazer retaliação e buscar mais negociação”, ressalta.

Dólar globalmente pressionado

Apesar da alta frente ao real, o dólar tem perdido força em outros mercados. Thiago Meira de Castro, pós-graduado em engenharia financeira, lembra que o dólar se enfraqueceu globalmente devido a incertezas fiscais internas nos EUA e ao temor de perda de influência internacional.

“O euro, por exemplo, subiu para US$ 1,17, uma valorização expressiva que mostra a perda de força do dólar em escala global”, afirma.

Real sob pressão

No Brasil, a resposta foi imediata. O dólar comercial, que havia alcançado R$ 5,62 no final de julho, recuou para R$ 5,5453 no dia 1º de agosto — uma queda de 0,98% em 24 horas. Apesar da leve trégua, o cenário continua desafiador.

“A volatilidade aumenta com a cautela de investidores estrangeiros, preocupados com o ambiente de instabilidade política e econômica”, alerta Castro. A redução na entrada de dólares, provocada pelas tarifas, aumenta a pressão sobre o real.

Bolsa de valores: incerteza e risco político

A situação da B3 também é delicada. Bruno Benassi, analista da Monte Bravo, aponta que embora empresas brasileiras importantes, como a Embraer, tenham sido excluídas da lista de tarifas, o risco está no sentimento do mercado. “Vai envolver como o investidor internacional enxerga a percepção de risco de investir no Brasil”, diz.

Além disso, eventos políticos recentes também influenciam. O economista Alex André destaca os desdobramentos da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. “O Brasil acaba sendo colocado em destaque como um país que pode estar violando direitos humanos. Isso pode afetar as relações diplomáticas com os EUA e outros países”, comenta.

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Estratégias conservadoras ganham espaço

Dólar
Imagem: Freepik

Com tantas incertezas, os especialistas recomendam uma postura mais defensiva para os investidores. Alexandre Miserani, professor de economia do UniArnaldo Centro Universitário, sugere focar em ações consolidadas, como Petrobras e Embraer.

“A tecnologia pode ser prejudicada caso o Brasil adote a reciprocidade nas tarifas, já que muitos produtos são importados dos EUA”, afirma Miserani.

Alex André também recomenda ações com receitas previsíveis e menor exposição ao mercado externo, reduzindo assim a vulnerabilidade aos choques cambiais e comerciais.

Conjuntura delicada exige atenção

O momento é de cautela. A política externa norte-americana segue imprevisível, e qualquer escalada no conflito comercial pode agravar os impactos já sentidos no câmbio e nos ativos brasileiros. A falta de clareza sobre os próximos passos do governo brasileiro também contribui para a insegurança dos mercados.

A orientação dos especialistas é acompanhar de perto os desdobramentos políticos, a evolução do cenário macroeconômico e os próximos movimentos dos Estados Unidos.

Com informações de: O TEMPO

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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