O mercado financeiro brasileiro começou esta segunda-feira (13) com volatilidade, mas ao longo do dia o dólar passou a recuar e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5 pela primeira vez em cerca de dois anos. Por volta das 13h54, a moeda norte-americana era cotada a R$ 4,997, registrando queda de 0,28%.
Dólar ultrapassa R$ 5 e Bolsa recua nesta segunda (13)
Dólar volta a ficar abaixo de R$ 5 após dois anos e Ibovespa recua. Entenda os motivos e impactos no Brasil.
O movimento interrompeu a alta observada pela manhã e reforçou uma tendência recente de valorização do real. Na semana anterior, o dólar já havia acumulado queda de 2,87%, recuando em quatro dos últimos cinco pregões.
Caso o fechamento se mantenha abaixo desse patamar, será a primeira vez desde março de 2024 que a moeda encerra o dia abaixo de R$ 5.
Queda acumulada em 2026
Leia mais: Dólar se mantém perto de R$ 5 com suporte em R$ 4,93
O desempenho do dólar em 2026 tem chamado atenção. A moeda acumula desvalorização de aproximadamente 8,7% frente ao real no ano, refletindo fatores internos e externos.
Entre os principais motivos estão:
- Entrada de capital estrangeiro no Brasil
- Juros elevados, que aumentam a atratividade do país
- Melhora na percepção de risco fiscal no curto prazo
- Enfraquecimento global do dólar em determinados momentos
Além disso, projeções do Banco Central do Brasil indicam uma expectativa menor para o câmbio no fim do ano. Analistas consultados pela instituição revisaram a estimativa de R$ 5,40 para R$ 5,37 em 2026.
Inflação preocupa e limita otimismo
Apesar da queda do dólar, o cenário econômico ainda traz alertas importantes. A inflação segue pressionada.
Segundo projeções do mercado:
- IPCA estimado subiu de 4,36% para 4,71% em 2026
- O teto de tolerância é de 4,5%
Caso a previsão se confirme, o Brasil poderá ultrapassar o limite da meta, o que tende a manter a política de juros elevados por mais tempo.
Impacto direto no bolso
Mesmo com o dólar mais barato, a inflação alta pode anular parte dos benefícios para o consumidor, especialmente em itens como:
- Alimentação
- Combustíveis
- Energia
Ou seja, a queda do dólar nem sempre se traduz automaticamente em preços menores no dia a dia.
Ibovespa recua após recorde histórico
Enquanto o dólar recuava, a Bolsa brasileira operava em queda. O Ibovespa caiu cerca de 0,32%, aos 196 mil pontos, interrompendo uma sequência de nove altas consecutivas.
Nos últimos dias, o índice havia atingido o maior nível da história, aproximando-se dos 200 mil pontos — um marco importante para o mercado financeiro brasileiro.
Por que a Bolsa caiu hoje?
A queda não indica necessariamente uma reversão de tendência, mas sim um ajuste após fortes ganhos recentes.
Entre os fatores que pressionaram o mercado:
- Realização de lucros por investidores
- Incertezas no cenário internacional
- Tensões geopolíticas
Petróleo e guerra no Oriente Médio influenciam o mercado
O cenário externo teve peso relevante no comportamento dos ativos. A escalada de tensões no Oriente Médio trouxe instabilidade global.
As negociações entre Estados Unidos e Irã terminaram sem acordo, elevando o risco de conflito na região.
Estreito de Hormuz no centro das atenções
Entre os desdobramentos recentes:
- Ameaça de bloqueio por parte dos EUA
- Possibilidade de cobrança de pedágio pelo Irã
- Risco para transporte marítimo de petróleo
Como consequência, o preço do barril tipo Brent voltou a ultrapassar US$ 100, sendo negociado próximo de US$ 102.
Ações da Petrobras seguram quedas maiores
Mesmo com o cenário negativo, algumas ações ajudaram a conter perdas na Bolsa.
Os papéis da Petrobras subiram impulsionados pela alta do petróleo:
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+311 mil seguidores
- PETR3 (ações ordinárias): +1,63%
- PETR4 (ações preferenciais): +1,16%
Outras petroleiras também acompanharam o movimento, como a PRIO, beneficiada pelo aumento no preço da commodity.
Bolsas globais também operam em queda
- Euro Stoxx 50: -0,34%
- Madrid: -0,93%
- Paris: -0,32%
- Berlim: -0,44%
O clima de cautela global reforça a sensibilidade dos mercados a eventos geopolíticos, especialmente quando envolvem energia.
O que esperar do dólar?
O comportamento do dólar e da Bolsa nos próximos meses dependerá de uma combinação de fatores:
Cenário interno
- Política fiscal do governo
- Decisões de juros pelo Banco Central do Brasil
- Controle da inflação
Cenário externo
- Evolução da guerra no Oriente Médio
- Política monetária dos Estados Unidos
- Preço do petróleo
Tendência geral
A queda do dólar pode continuar se houver entrada de capital estrangeiro e estabilidade interna, mas riscos externos ainda podem inverter esse movimento rapidamente.
Considerações finais
A volta do dólar para abaixo de R$ 5 marca um momento relevante para o mercado financeiro brasileiro, refletindo uma combinação de fatores positivos internos e ajustes no cenário global. Ao mesmo tempo, a queda da Bolsa após recordes recentes mostra que o ambiente ainda exige cautela.
A inflação elevada e as tensões internacionais permanecem como os principais riscos no radar de investidores e do governo. Para o consumidor, os efeitos ainda são mistos: embora o câmbio mais baixo ajude, o custo de vida segue pressionado.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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