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Dólar cai abaixo de R$ 5,70 no começo do mês e Bolsa sobe com força

Ibovespa recua após falas de Trump sobre tarifas, rebaixamento da Moody's e restrições da China ao frango brasileiro. Veja o impacto na cotação do dólar.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Mercado reage: dólar recua 1% e vai a R$ 5,41 com fala de Powell sobre juros

O principal índice da bolsa brasileira começou esta segunda-feira (1º) em alta, chegando a registrar 0,4% de valorização às 10h39, alcançando os 137.572,50 pontos. No entanto, o cenário mudou no decorrer do dia. Por volta das 14h53, o Ibovespa passou a cair 0,33%, sendo negociado a 136.561,72 pontos. A virada foi impulsionada por uma combinação de fatores externos e internos que geraram cautela no mercado.

Entre os destaques que influenciaram negativamente o desempenho da bolsa estão as declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível retomada de tarifas sobre o aço, o rebaixamento da perspectiva da nota de crédito do Brasil pela agência Moody’s e a notícia de novas restrições da China à importação de carne de frango brasileira.

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Tensões comerciais voltam ao radar com declarações de Trump

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Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com

Donald Trump voltou ao centro do noticiário internacional ao sugerir, em um evento nos Estados Unidos, que poderá reimpor tarifas sobre a importação de aço e alumínio caso volte ao cargo em 2025. A fala repercutiu com força no mercado financeiro global, impactando diretamente o setor siderúrgico — especialmente no Brasil, cuja indústria tem forte presença exportadora nos EUA.

Impacto no setor de siderurgia brasileiro

Com a perspectiva de tarifas adicionais, ações de empresas como Usiminas, CSN e Gerdau passaram a operar em queda. O temor dos investidores é que a medida, se concretizada, prejudique a competitividade dos produtos brasileiros, reduza o volume de exportações e afete a receita dessas companhias.

Segundo o analista Gustavo Lima, “a simples sinalização de um ambiente mais protecionista já é suficiente para provocar reprecificação de ativos, principalmente em mercados emergentes como o brasileiro”. Ele lembra que o setor siderúrgico nacional depende em boa parte de contratos de exportação, especialmente para os EUA e China.

Rebaixamento da Moody’s pressiona expectativas fiscais

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Imagem: Shutterstock

Outro fator que mexeu com o humor dos investidores foi a revisão da perspectiva da nota de crédito do Brasil pela Moody’s, uma das principais agências de classificação de risco do mundo. A instituição manteve o rating do país em “Ba1”, um degrau abaixo do grau de investimento, mas alterou a perspectiva de positiva para estável.

O que diz o relatório da Moody’s

O relatório da agência aponta uma “deterioração acentuada na capacidade de pagamento da dívida brasileira”, além de “progresso mais lento do que o esperado na resolução da rigidez dos gastos e na construção de credibilidade fiscal”.

Com isso, aumentam as dúvidas do mercado sobre a viabilidade da atual política econômica e da meta de déficit primário zero para 2025, defendida pelo Ministério da Fazenda.

Resposta do governo brasileiro

Em nota, a Secretaria do Tesouro Nacional afirmou que o governo está comprometido em melhorar as contas públicas, buscando elevar a arrecadação e conter despesas. “Estamos trabalhando com medidas estruturantes que visam corrigir distorções e tornar o Estado mais eficiente”, diz o comunicado.

Apesar da tentativa de acalmar os mercados, a sinalização da Moody’s preocupa analistas que acompanham de perto os fundamentos fiscais do país. A mudança de perspectiva pode dificultar o acesso do Brasil a crédito mais barato no exterior, além de afetar o fluxo de investimentos estrangeiros.

China impõe novas restrições ao frango brasileiro

Como se não bastassem as tensões comerciais e a revisão de risco soberano, o mercado foi surpreendido também pela notícia de que a China impôs novas restrições à importação de frango brasileiro. O gigante asiático alega preocupações sanitárias como justificativa para a medida, que pode atingir em cheio o setor exportador do agronegócio nacional.

Repercussão no setor agroexportador

Empresas como BRF e JBS, grandes exportadoras de proteína animal, viram suas ações recuar após o anúncio. A medida chinesa acende um alerta sobre a dependência do Brasil em relação ao mercado asiático, especialmente em produtos como carne de frango, soja e milho.

Segundo o analista Henrique Belitardo, “essa decisão da China acontece em um contexto mais amplo de disputas geopolíticas e acordos comerciais paralelos, que podem redirecionar a demanda chinesa para outros mercados”. Ele ressalta que o Brasil precisará diversificar seus parceiros comerciais para reduzir a exposição a riscos desse tipo.

Reações dos setores da bolsa

Setor financeiro: leve recuperação

Bancos como Itaú e Bradesco registraram desempenho estável, com leve alta em meio à volatilidade. O setor financeiro costuma ser mais resiliente a choques externos, mas ainda assim opera com cautela diante da deterioração do cenário fiscal.

Energia e petróleo: estabilidade com viés de alta

As ações da Petrobras subiram discretamente durante a manhã, acompanhando o avanço dos preços do petróleo no mercado internacional. O setor elétrico também teve desempenho estável, com empresas como Eletrobras e Engie Brasil operando próximas da neutralidade.

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Varejo e consumo: sensibilidade ao risco

Já o setor de varejo, representado por empresas como Magazine Luiza e Via, sentiu o aumento da aversão ao risco e fechou em queda, refletindo as preocupações com o poder de compra da população e com o cenário fiscal desfavorável.

Ibovespa em compasso de espera

Ibovespa dólar
Imagem: wirestock – Freepik

Os acontecimentos do dia mostram que o mercado brasileiro segue extremamente sensível ao cenário externo e aos fundamentos internos. A conjunção de fatores negativos reforça o tom de cautela entre investidores e pode limitar o fôlego da bolsa nos próximos pregões.

Apesar da oscilação ao longo do dia, o volume financeiro negociado se manteve em linha com a média, refletindo que parte do mercado optou por aguardar os desdobramentos dos eventos antes de tomar posições mais agressivas.

Expectativas para os próximos dias

Nos próximos dias, os investidores devem acompanhar de perto:

  • A repercussão política das falas de Trump sobre tarifas comerciais
  • Reações do governo brasileiro após o rebaixamento da Moody’s
  • Possíveis medidas retaliatórias ou de negociação com a China
  • Indicadores fiscais e novas projeções da inflação e PIB
  • Atuação do Banco Central e do Ministério da Fazenda em meio à pressão fiscal

Considerações finais

O desempenho do Ibovespa nesta segunda-feira é um reflexo claro da instabilidade que domina os mercados quando múltiplos fatores de risco convergem. O cenário internacional, com falas de figuras como Donald Trump, continua influenciando fortemente os mercados emergentes.

Ao mesmo tempo, questões fiscais internas e choques comerciais, como a restrição chinesa ao frango brasileiro, expõem a fragilidade da economia brasileira frente a eventos externos.

Para o investidor, o momento exige atenção redobrada e uma estratégia bem fundamentada, com diversificação de ativos e foco no longo prazo. A bolsa brasileira segue atrativa, mas os riscos no curto prazo aumentaram — e o mercado deixou isso claro ao longo deste pregão.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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