O dólar à vista abriu esta quinta-feira (12) em leve baixa frente ao real, reflexo do cenário internacional mais favorável e de preocupações fiscais domésticas. Às 10h45, a moeda americana era negociada a R$ 5,533, queda de 0,10%, enquanto na B3, o dólar futuro com vencimento mais próximo registrava leve baixa de 0,03%, cotado a R$ 5,556.
Dólar cai para R$ 5,53: MP para compensar IOF e tensões no Oriente Médio afetam o câmbio
Dólar recua frente ao real com inflação menor nos EUA, expectativa de corte de juros e cautela sobre a nova MP que altera IOF e tributa apostas.
O movimento reflete uma combinação de fatores: o alívio nos juros futuros norte-americanos após dados de inflação abaixo do esperado, a trégua comercial entre Estados Unidos e China, a tensão geopolítica no Oriente Médio e o novo pacote fiscal apresentado pelo governo brasileiro.
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Recuo impulsionado por expectativas sobre o Fed
A principal força que sustenta a queda do dólar globalmente neste momento é o otimismo renovado sobre o caminho da política monetária dos Estados Unidos. Os mercados interpretaram como positivos os últimos dados de inflação divulgados no país.
Na quarta-feira (11), o índice de preços ao consumidor (CPI) veio abaixo do esperado, alimentando a expectativa de que o Federal Reserve poderá iniciar o ciclo de corte de juros ainda em setembro. Já nesta manhã, foi divulgado o índice de preços ao produtor (PPI), que subiu apenas 0,1% em maio, também abaixo das projeções de 0,2%.
Esses indicadores reforçam as apostas de que a economia norte-americana está desacelerando de forma ordenada, o que cria espaço para uma política monetária mais acomodatícia. Com isso, os investidores passaram a precificar 100% de chance de pelo menos dois cortes de juros ainda em 2025.
A consequência direta desse movimento é a perda de força do dólar frente a moedas emergentes, como o real, e a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries).
Trégua entre EUA e China reduz tensões, mas impasses persistem

Outro fator que pressiona o dólar é o recente avanço nas negociações entre Estados Unidos e China. As duas potências retomaram uma trégua comercial, que havia sido selada no mês anterior, com foco na suspensão de tarifas e revisão dos controles de exportação chineses sobre minerais de terras raras.
Contudo, o acordo ficou aquém das expectativas do mercado ao não abordar questões sensíveis como o bloqueio à exportação de chips dos EUA para a China. Para analistas, a ausência desse ponto mostra que o conflito tecnológico permanece latente.
“Existe uma percepção de que o resultado das negociações comerciais entre EUA e China em Londres foi bastante modesto e há uma preocupação sobre a fragilidade do relacionamento comercial daqui para frente”, afirma Leonel Mattos, analista da StoneX.
O índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas principais — caiu 0,75%, refletindo esse sentimento mais cauteloso com a política americana.
Tensão no Oriente Médio freia ganhos de moedas emergentes
Apesar da melhora no humor internacional com os dados de inflação e o cenário de juros nos EUA, a aversão ao risco global impediu um avanço mais significativo do real.
A escalada das tensões no Oriente Médio, com os EUA organizando a retirada parcial de funcionários da embaixada no Iraque e autorizando parentes de militares a deixarem a região, gerou apreensão entre os investidores.
O aumento das ameaças à segurança alimenta um movimento clássico de busca por ativos considerados mais seguros, como ouro e dólar, em detrimento de ações e moedas de países emergentes.
Segundo analistas do BTG Pactual, “os mercados começam o dia com aversão ao risco, apesar do fluxo de notícias mais construtivas sobre as perspectivas de inflação e o progresso nas negociações com a China. As geopolíticas concentradas no Oriente Médio estão se intensificando novamente.”
Cautela no Brasil com MP que altera IOF e tributa apostas
No plano doméstico, a nova medida provisória (MP) editada pelo governo federal na quarta-feira reacendeu preocupações com o ajuste fiscal. A MP altera a calibragem do decreto que aumentava o IOF, mas, ao mesmo tempo, propõe novas fontes de arrecadação.
Entre os principais pontos do texto estão:
- Aumento da tributação sobre apostas esportivas;
- Fim de isenção em alguns tipos de aplicações financeiras;
- Reoneração parcial de setores específicos da economia;
- Medidas para contenção de gastos em determinados programas.
A iniciativa tenta compensar o recuo no aumento do IOF promovido no início do ano, mas enfrenta forte resistência no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a MP como “problemática” por não conter, em sua visão, contrapartidas estruturais do lado da despesa pública.
Essa percepção de fragilidade na ancoragem fiscal contribui para limitar a valorização do real, mesmo em um ambiente externo mais favorável.
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Atuação do Banco Central no câmbio

O Banco Central do Brasil também tem atuado para suavizar a volatilidade no mercado de câmbio. Nesta quinta-feira, a autoridade monetária realiza um leilão de até 35 mil contratos de swap cambial tradicional, com o objetivo de rolagem do vencimento de 1º de julho de 2025.
A atuação tem caráter técnico e visa garantir liquidez ao mercado futuro de câmbio, especialmente em períodos de maior sensibilidade a eventos externos e domésticos.
Cotações atualizadas do dólar
Dólar comercial
Compra: R$ 5,532
Venda: R$ 5,533
Dólar turismo
Compra: R$ 5,57
Venda: R$ 5,75
Os valores podem variar ao longo do dia, conforme a atuação dos bancos, corretoras e casas de câmbio.
Perspectivas para os próximos dias
Especialistas avaliam que o câmbio deve continuar reagindo com forte sensibilidade a três fatores principais:
- Dados econômicos nos EUA — Novos indicadores sobre inflação, emprego e atividade devem calibrar as apostas sobre os próximos movimentos do Federal Reserve.
- Geopolítica internacional — A evolução do conflito no Oriente Médio e os desdobramentos da relação EUA-China seguirão no radar.
- Política fiscal no Brasil — A tramitação da nova MP no Congresso, bem como possíveis reações do mercado às metas fiscais e ao cenário político, serão monitoradas com atenção.
“Apesar do viés positivo no exterior, o Brasil ainda enfrenta dúvidas fiscais que podem limitar o apetite por ativos locais”, resume a corretora Genial Investimentos em relatório matinal.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
