Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar recua para r$ 5,538 com avanço em negociações entre EUA e China

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
dolar

Na quarta-feira (11 de junho de 2025), o dólar comercial encerrou o pregão com queda de 0,57%, cotado a R$ 5,538. Esse é o menor valor da moeda norte-americana desde 8 de outubro de 2024, quando fechou em R$ 5,532. O movimento foi acompanhado de um otimismo moderado no mercado brasileiro, refletido na alta de 0,51% do Ibovespa, que fechou aos 137.128 pontos.

A variação cambial foi influenciada principalmente pelo anúncio de um novo acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, além de dados atualizados sobre a inflação americana. O cenário político brasileiro também teve impacto sobre o humor dos investidores, com destaque para a audiência pública com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Leia mais:

Mercados focam em alívio da inflação nos EUA, enquanto Ibovespa sofre pressão

dólar
Imagem: jcomp – freepik

Trégua entre Estados Unidos e China impulsiona o mercado

Um dos principais gatilhos para a valorização do real frente ao dólar nesta sessão foi o anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre um novo entendimento com o governo chinês. Segundo publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que os dois países entraram em consenso sobre os termos comerciais e aguardam apenas a aprovação final de ambos os chefes de Estado.

“Nosso acordo com a China está feito, sujeito só a aprovação final de Xi [Jinping] e minha”, escreveu Trump.

O acordo prevê que a China continuará fornecendo ímãs e terras raras — matérias-primas estratégicas para setores de tecnologia e energia renovável — enquanto os Estados Unidos manterão o acesso de estudantes chineses às suas universidades. Além disso, Trump confirmou a aplicação de tarifas de 55% sobre produtos chineses, enquanto a China aplicará 10% sobre os norte-americanos.

A trégua representa um alívio para os mercados globais, que vinham sendo pressionados pela instabilidade no comércio internacional. Analistas enxergam o movimento como um esforço de Trump para demonstrar habilidade diplomática em meio à corrida eleitoral de 2026.

Reunião em Londres selou novo entendimento

A base para esse novo acordo foi discutida em Londres na terça-feira (10), durante reunião entre representantes comerciais das duas nações. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que o encontro teve como objetivo revisar e complementar o pacto de Genebra, assinado em 12 de maio.

Entre as mudanças acordadas em Londres, destaca-se a redução significativa nas tarifas bilaterais. A China concordou em reduzir suas tarifas de 125% para 10%, enquanto os EUA diminuíram as suas de 145% para 30%.

Esse avanço nas negociações dissipou parte da aversão ao risco no cenário internacional, beneficiando economias emergentes como o Brasil.

Inflação nos Estados Unidos segue controlada

Chips
Imagem: Spalnic / shutterstock

Outro fator relevante para a desvalorização do dólar foi a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. De acordo com o relatório, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 2,3% em abril para 2,4% em maio, um aumento modesto que sinaliza estabilidade econômica.

Esse número ficou em linha com as expectativas do mercado e reforça a percepção de que o Federal Reserve não precisará adotar medidas agressivas de aperto monetário no curto prazo. Com juros estáveis nos EUA, os investidores tendem a buscar maiores retornos em países emergentes, o que favorece a entrada de dólares no Brasil.

Ibovespa avança com melhora no sentimento global

No Brasil, o Ibovespa acompanhou o otimismo internacional e fechou com alta de 0,51%, aos 137.128 pontos. O avanço foi sustentado por ações de exportadoras, favorecidas pela queda do dólar, além de companhias ligadas ao consumo doméstico, beneficiadas pela expectativa de inflação controlada.

Papéis do setor de tecnologia, mineração e varejo lideraram os ganhos, com destaque para empresas com receita em dólar ou exposição a mercados internacionais.

Tensão política no Brasil gera cautela

Apesar do bom humor nos mercados, o cenário político brasileiro trouxe momentos de instabilidade durante o dia. Uma audiência pública envolvendo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terminou em tumulto após críticas de parlamentares da oposição sobre os cortes orçamentários e a Medida Provisória que propõe o fim da isenção do Imposto de Renda sobre LCIs e LCAs.

Essa MP, que faz parte do pacote de ajuste fiscal do governo, pode ter impactos significativos sobre os investimentos em renda fixa no Brasil. A proposta gerou reações negativas de representantes do setor financeiro e de parlamentares ligados ao agronegócio e à construção civil, áreas diretamente impactadas pelos títulos incentivados.

Expectativas para o câmbio nos próximos dias

PIS/Pasep
Imagem: AuraFinance/Pixabay

Com a redução das tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo e dados positivos sobre a inflação americana, o mercado cambial brasileiro pode seguir em trajetória de valorização do real, ao menos no curto prazo.

No entanto, fatores internos como a tramitação da MP das isenções, os cortes anunciados no orçamento federal e o cenário político ainda instável podem trazer volatilidade para o câmbio.

Analistas recomendam cautela, especialmente em um ambiente de incerteza política e fiscal. A expectativa é que o dólar siga oscilando entre R$ 5,45 e R$ 5,60 nos próximos dias, dependendo da evolução das pautas econômicas no Congresso e de novos indicadores internacionais.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Compartilhar