O dólar à vista recuava frente ao real na manhã desta quinta-feira (29), com os investidores repercutindo uma série de fatores econômicos internos e externos. A moeda norte-americana era cotada a R$ 5,671, com queda de 0,43%, por volta das 10h35. O movimento reflete a melhora no apetite por risco global, em meio a dados econômicos dos Estados Unidos e à decisão de um tribunal norte-americano que derrubou a maior parte das tarifas comerciais impostas por Donald Trump.
Dólar recua após decisão judicial dos EUA sobre tarifas de Trump e atenção ao IOF
O dólar recua frente ao real após dados positivos dos EUA e a decisão de um tribunal que bloqueou tarifas impostas por Trump.
No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento mais próximo também caía, cotado a R$ 5,691, em baixa de 0,02%. O índice DXY, que mede a força do dólar ante outras moedas fortes, caía 0,75%, para 99,640, refletindo o mesmo clima de acomodação.
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Indicadores dos Estados Unidos impulsionam apetite por risco
PIB, inflação PCE e pedidos de seguro-desemprego
Dados divulgados nesta quinta reforçaram a resiliência da economia dos EUA, mesmo diante de incertezas fiscais. O Produto Interno Bruto (PIB) americano teve queda anualizada de 0,2% no primeiro trimestre, resultado melhor que a projeção anterior de -0,3%. Já o índice de preços PCE, usado como termômetro da inflação pelo Federal Reserve, ficou estável, sugerindo controle inflacionário no curto prazo.
Os pedidos semanais de auxílio-desemprego também vieram dentro das expectativas, indicando que o mercado de trabalho continua aquecido, mas sem sinais de superaquecimento.
Com isso, aumentam as chances de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros inalterados por mais tempo, afastando os riscos de uma alta adicional, o que favorece mercados emergentes como o Brasil.
Reação dos investidores
O alívio nos juros e nos temores inflacionários deu impulso ao apetite por risco nos mercados internacionais. A percepção de que o Fed está mais confortável com o ritmo da economia levou a uma desvalorização global do dólar e beneficiou moedas emergentes.
Tribunal dos EUA derruba tarifas de Trump
Decisão histórica da Corte de Comércio Internacional
A Corte de Comércio Internacional dos EUA, sediada em Manhattan, bloqueou grande parte das tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente Donald Trump desde janeiro. A decisão invalidou decretos baseados na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, argumentando que apenas o Congresso tem autoridade constitucional para regulamentar o comércio exterior.
Com a sentença, todas as ordens de tarifas baseadas nesse dispositivo legal — incluindo aquelas impostas em abril de 2025 — foram suspensas com efeito imediato.
Efeitos da decisão no mercado global
A medida foi bem recebida pelos investidores, que viam as tarifas como fatores de risco inflacionário global. Para analistas, o recuo das barreiras comerciais reduz o risco de recessão internacional e tende a estimular o comércio entre países.
“Os mercados ao redor do mundo mostram uma visão positiva após a decisão do tribunal… Hoje o apetite por risco deve tomar conta do jogo”, disse Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora.
No entanto, tarifas sobre produtos como aço, alumínio e automóveis continuam em vigor, e a Casa Branca já indicou que pretende recorrer da decisão. Por isso, parte da incerteza comercial ainda persiste.
Câmbio no Brasil: dólar comercial e turismo
| Tipo de câmbio | Compra | Venda |
|---|---|---|
| Dólar comercial | R$ 5,670 | R$ 5,671 |
| Dólar turismo | R$ 5,733 | R$ 5,913 |
O dólar turismo segue com forte variação, refletindo custos operacionais e incertezas nos mercados globais.
Mercado doméstico: IOF e desemprego influenciam cenário local

Impasse sobre aumento do IOF
O câmbio no Brasil também é influenciado pelo debate político em torno do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na semana passada, o governo anunciou um aumento nas alíquotas como forma de reforçar a arrecadação, mas a medida sofreu forte resistência no Congresso.
Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não há alternativa ao decreto, diante da necessidade de cumprir metas fiscais. No entanto, nesta quinta, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que “o clima é para derrubada da medida na Casa”.
Segundo ele, a equipe econômica terá 10 dias para apresentar um plano alternativo, o que gera insegurança no mercado sobre a sustentabilidade fiscal.
Queda no desemprego surpreende positivamente
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Por outro lado, a cena doméstica trouxe dados positivos do mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 6,6% no trimestre encerrado em abril, segundo o IBGE. Esse é o menor nível desde 2015 e abaixo das expectativas do mercado, que projetavam entre 6,7% e 7,1%.
Além disso, a renda média real do trabalhador subiu para R$ 3.426, um crescimento de 3,2% em relação ao mesmo trimestre de 2024. A melhora no mercado de trabalho reforça a percepção de recuperação gradual da economia brasileira, o que também ajuda a conter pressões cambiais.
Visão dos analistas
Momento de alívio, mas com cautela
Para analistas de mercado, o movimento de queda do dólar nesta quinta reflete uma janela de alívio após dias de forte estresse, mas não elimina os riscos estruturais.
“A decisão contra as tarifas de Trump e os dados dos EUA trouxeram um dia positivo, mas o ambiente ainda é de cautela, principalmente com a situação fiscal dos EUA e do Brasil”, destaca um economista da Guide Investimentos.
Monitoramento do IOF será essencial
A incerteza em torno do aumento das alíquotas do IOF continua no radar. Caso o governo recue sem apresentar medidas compensatórias, o mercado poderá reagir negativamente, pressionando o câmbio novamente.
Fed ainda é peça-chave
Apesar do alívio com a perspectiva de estabilidade nos juros dos EUA, qualquer sinal de inflação fora da curva poderá reverter o otimismo. O foco agora se volta para os próximos indicadores de inflação e emprego norte-americanos.
Expectativas para os próximos dias

Nos próximos dias, os mercados devem observar com atenção:
- A tramitação do decreto do IOF no Congresso;
- Novos dados econômicos do Brasil e dos EUA;
- Posicionamento oficial da Casa Branca sobre o recurso das tarifas comerciais;
- Movimentos de capitais estrangeiros em mercados emergentes.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
