Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar recua após decisão judicial dos EUA sobre tarifas de Trump e atenção ao IOF

O dólar recua frente ao real após dados positivos dos EUA e a decisão de um tribunal que bloqueou tarifas impostas por Trump.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
dolar

O dólar à vista recuava frente ao real na manhã desta quinta-feira (29), com os investidores repercutindo uma série de fatores econômicos internos e externos. A moeda norte-americana era cotada a R$ 5,671, com queda de 0,43%, por volta das 10h35. O movimento reflete a melhora no apetite por risco global, em meio a dados econômicos dos Estados Unidos e à decisão de um tribunal norte-americano que derrubou a maior parte das tarifas comerciais impostas por Donald Trump.

No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento mais próximo também caía, cotado a R$ 5,691, em baixa de 0,02%. O índice DXY, que mede a força do dólar ante outras moedas fortes, caía 0,75%, para 99,640, refletindo o mesmo clima de acomodação.

Leia mais:

Ibovespa cai influenciado por queda da Azul após recuperação judicial nos EUA; dólar registra alta

dolar
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Indicadores dos Estados Unidos impulsionam apetite por risco

PIB, inflação PCE e pedidos de seguro-desemprego

Dados divulgados nesta quinta reforçaram a resiliência da economia dos EUA, mesmo diante de incertezas fiscais. O Produto Interno Bruto (PIB) americano teve queda anualizada de 0,2% no primeiro trimestre, resultado melhor que a projeção anterior de -0,3%. Já o índice de preços PCE, usado como termômetro da inflação pelo Federal Reserve, ficou estável, sugerindo controle inflacionário no curto prazo.

Os pedidos semanais de auxílio-desemprego também vieram dentro das expectativas, indicando que o mercado de trabalho continua aquecido, mas sem sinais de superaquecimento.

Com isso, aumentam as chances de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros inalterados por mais tempo, afastando os riscos de uma alta adicional, o que favorece mercados emergentes como o Brasil.

Reação dos investidores

O alívio nos juros e nos temores inflacionários deu impulso ao apetite por risco nos mercados internacionais. A percepção de que o Fed está mais confortável com o ritmo da economia levou a uma desvalorização global do dólar e beneficiou moedas emergentes.

Tribunal dos EUA derruba tarifas de Trump

Decisão histórica da Corte de Comércio Internacional

A Corte de Comércio Internacional dos EUA, sediada em Manhattan, bloqueou grande parte das tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente Donald Trump desde janeiro. A decisão invalidou decretos baseados na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, argumentando que apenas o Congresso tem autoridade constitucional para regulamentar o comércio exterior.

Com a sentença, todas as ordens de tarifas baseadas nesse dispositivo legal — incluindo aquelas impostas em abril de 2025 — foram suspensas com efeito imediato.

Efeitos da decisão no mercado global

A medida foi bem recebida pelos investidores, que viam as tarifas como fatores de risco inflacionário global. Para analistas, o recuo das barreiras comerciais reduz o risco de recessão internacional e tende a estimular o comércio entre países.

“Os mercados ao redor do mundo mostram uma visão positiva após a decisão do tribunal… Hoje o apetite por risco deve tomar conta do jogo”, disse Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora.

No entanto, tarifas sobre produtos como aço, alumínio e automóveis continuam em vigor, e a Casa Branca já indicou que pretende recorrer da decisão. Por isso, parte da incerteza comercial ainda persiste.

Câmbio no Brasil: dólar comercial e turismo

Tipo de câmbioCompraVenda
Dólar comercialR$ 5,670R$ 5,671
Dólar turismoR$ 5,733R$ 5,913

O dólar turismo segue com forte variação, refletindo custos operacionais e incertezas nos mercados globais.

Mercado doméstico: IOF e desemprego influenciam cenário local

blocos com as letras IOF em cima de notas de 5, 100 e 20 reais
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Impasse sobre aumento do IOF

O câmbio no Brasil também é influenciado pelo debate político em torno do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na semana passada, o governo anunciou um aumento nas alíquotas como forma de reforçar a arrecadação, mas a medida sofreu forte resistência no Congresso.

Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não há alternativa ao decreto, diante da necessidade de cumprir metas fiscais. No entanto, nesta quinta, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que “o clima é para derrubada da medida na Casa”.

Segundo ele, a equipe econômica terá 10 dias para apresentar um plano alternativo, o que gera insegurança no mercado sobre a sustentabilidade fiscal.

Queda no desemprego surpreende positivamente

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Por outro lado, a cena doméstica trouxe dados positivos do mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 6,6% no trimestre encerrado em abril, segundo o IBGE. Esse é o menor nível desde 2015 e abaixo das expectativas do mercado, que projetavam entre 6,7% e 7,1%.

Além disso, a renda média real do trabalhador subiu para R$ 3.426, um crescimento de 3,2% em relação ao mesmo trimestre de 2024. A melhora no mercado de trabalho reforça a percepção de recuperação gradual da economia brasileira, o que também ajuda a conter pressões cambiais.

Visão dos analistas

Momento de alívio, mas com cautela

Para analistas de mercado, o movimento de queda do dólar nesta quinta reflete uma janela de alívio após dias de forte estresse, mas não elimina os riscos estruturais.

“A decisão contra as tarifas de Trump e os dados dos EUA trouxeram um dia positivo, mas o ambiente ainda é de cautela, principalmente com a situação fiscal dos EUA e do Brasil”, destaca um economista da Guide Investimentos.

Monitoramento do IOF será essencial

A incerteza em torno do aumento das alíquotas do IOF continua no radar. Caso o governo recue sem apresentar medidas compensatórias, o mercado poderá reagir negativamente, pressionando o câmbio novamente.

Fed ainda é peça-chave

Apesar do alívio com a perspectiva de estabilidade nos juros dos EUA, qualquer sinal de inflação fora da curva poderá reverter o otimismo. O foco agora se volta para os próximos indicadores de inflação e emprego norte-americanos.

Expectativas para os próximos dias

Criptomoedas
Imagem: jcomp/Freepik

Nos próximos dias, os mercados devem observar com atenção:

  • A tramitação do decreto do IOF no Congresso;
  • Novos dados econômicos do Brasil e dos EUA;
  • Posicionamento oficial da Casa Branca sobre o recurso das tarifas comerciais;
  • Movimentos de capitais estrangeiros em mercados emergentes.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados