O dólar iniciou esta quarta-feira (6) em queda e manteve o movimento durante todo o pregão, chegando a R$ 5,46, o menor valor desde o anúncio do tarifaço de 50% pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em julho.
Dólar cai e vai a R$ 5,47 e bolsa aumenta no 1º dia de Tarifaço
Dólar recua a R$ 5,46, menor valor desde tarifaço de Trump, e Bolsa sobe impulsionada por Petrobras, Vale e Itaú. Entenda os fatores no radar.
No mesmo dia em que começou a valer a sobretaxa de 40% sobre alguns produtos brasileiros, a Bolsa de Valores opera em alta, com apoio de ações de peso no Ibovespa e expectativa positiva do mercado.
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Fatores que explicam a queda do dólar

O recuo da moeda norte-americana, de 0,81% no comercial e 0,71% no turismo, reflete um conjunto de fatores internos e externos. No Brasil, analistas apontam que grande parte do impacto das tarifas já foi incorporado aos preços após o anúncio em 9 de julho. No cenário externo, o movimento acompanha a desvalorização global do dólar frente a outras moedas.
DXY em queda
O índice DXY, que mede a força do dólar ante seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,59%, para 98,17 pontos, às 15h52. O euro comercial estava praticamente estável, a R$ 6,373. A queda do dólar globalmente está ligada a dados fracos da economia americana, que aumentam as apostas para corte de juros pelo Federal Reserve.
Precificação do tarifaço
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, “toda a expectativa com relação às tarifas já foi absorvida pelo mercado”. Ele destaca que a exclusão, na semana passada, de parte relevante da pauta exportadora brasileira da lista de produtos atingidos reduziu o temor inicial.
“Tudo isso foi precificado de forma mais positiva. A retirada de produtos importantes das tarifas trouxe alívio aos preços”, afirmou Alves.
A Bolsa de Valores em alta
Enquanto o dólar recua, o Ibovespa sobe 1,11%, aos 134.633 pontos, às 15h40, chegando a bater 135 mil pontos na máxima do dia. A alta é ampla, com papéis de diversos setores avançando.
Destaques do pregão
- Petrobras (PETR4 e PETR3): alta de 1,18% e 1,33%, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional, na véspera da divulgação de balanço.
- Vale (VALE3): avanço de 0,26%, apoiando o índice com sua participação de mais de 11%.
- Itaú (ITUB4): salto de 2,44% após apresentar resultado trimestral considerado sólido por analistas, revisando para cima a projeção de crescimento da margem financeira líquida com clientes.
- Rede Drogasil (RADL3): disparada de 18,8% após reportar lucro de R$ 374 milhões no 2º trimestre, alta de 14,5% ante 2024.
- Usiminas (USIM5) e Minerva (BEEF3): recuperação após quedas ligadas às tarifas comerciais da semana passada.
Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, observa que não é uma alta concentrada em poucos papéis:
“Estamos vendo praticamente a maioria das ações subindo forte, é um reposicionamento total da Bolsa, não só de empresas específicas.”
Cenário internacional: Ásia, Europa e EUA
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta:
- Nikkei 225 (Japão): +0,6%
- S&P/ASX 200 (Austrália): +0,8%
- Kospi (Coreia do Sul): estabilidade (+0,1%)
- Hang Seng (Hong Kong): estável
- Xangai Composto (China): +0,8%
Na Europa, os resultados foram mistos:
- Stoxx 600: -0,09%, pressionado pelo setor farmacêutico
- DAX (Alemanha): +0,33%
- CAC 40 (França): +0,18%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,24%
Em Nova York, as bolsas operam em alta, ajudadas pelas expectativas de cortes de juros:
- Dow Jones: +0,24%
- S&P 500: +0,69%
- Nasdaq: +0,98%
Tarifaço dos EUA: início da vigência e impactos
A sobretaxa de importação dos EUA sobre produtos brasileiros entrou em vigor hoje, oficializada por ordem executiva de Trump em 30 de julho. Entre os produtos isentos da sobretaxa estão suco de laranja, petróleo, minérios e aeronaves. Contudo, itens estratégicos como carne bovina e café não foram poupados.
Reação do governo brasileiro
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A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que ainda há espaço para negociação com Washington, especialmente sobre carne e café, por impactarem também o consumidor americano. Segundo ela, o aumento de preços nos EUA pode levar a um recuo informal da medida.
O governo acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e prepara um pacote para mitigar os efeitos das tarifas, incluindo crédito subsidiado e estímulos às exportações.
Banco Central e a política monetária
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou do evento Blockchain Rio e defendeu o Pix como infraestrutura pública estratégica. Apesar de não ter comentado diretamente a política monetária, foi sua primeira aparição após a decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15%.
Indicadores econômicos no radar
O mercado acompanha dois indicadores que podem mostrar os primeiros efeitos do tarifaço:
- Fluxo cambial semanal (14h30)
- Balança comercial de julho (15h)
Temporada de balanços: Eletrobras e Suzano

Duas empresas de grande relevância divulgam resultados após o fechamento:
- Eletrobras: expectativa de lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, com foco em desalavancagem e perspectivas de longo prazo.
- Suzano: projeção de lucro de R$ 5,6 bilhões, favorecida pela alta do dólar e controle de custos.
Considerações finais
O dia é marcado por uma rara combinação: queda do dólar, alta da Bolsa e início de uma tarifa comercial de peso entre Brasil e Estados Unidos. O recuo da moeda reflete a percepção de que o impacto inicial do tarifaço já foi absorvido e que há espaço para diálogo diplomático.
A Bolsa, por sua vez, responde positivamente a balanços corporativos e ao reposicionamento de investidores.
O mercado agora acompanha os desdobramentos nas negociações bilaterais, o impacto efetivo das tarifas na balança comercial e as próximas decisões do Banco Central. Apesar do alívio momentâneo, analistas alertam que o cenário permanece volátil, especialmente diante do contexto eleitoral nos EUA e das incertezas na economia global.
