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Dólar inicia esta quarta a R$ 5,21 enquanto mercado acompanha dívida de R$ 9,24 trilhões

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O dólar comercial opera em queda nesta quarta-feira (30), último pregão de setembro, e chegou à faixa de R$ 5,18 durante a manhã. O movimento ocorre em uma sessão marcada pela formação da Ptax, pelos novos números da economia dos Estados Unidos e pela divulgação de dados fiscais do Brasil.

Além dos indicadores econômicos, o mercado acompanha a trajetória dos preços do petróleo e os acontecimentos no cenário internacional. A combinação desses fatores influencia o fluxo de recursos entre ativos de maior e menor risco e pode aumentar a oscilação do câmbio ao longo do dia.

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Por que o dólar está caindo nesta quarta-feira

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A moeda americana chegou a R$ 5,18 pela manhã, depois de ter encerrado a sessão anterior próxima de R$ 5,22. O comportamento ocorre em uma data importante para o mercado de câmbio por causa da formação da Ptax de fim de mês.

A Ptax é uma taxa de referência calculada pelo Banco Central a partir de cotações coletadas em determinados períodos do dia. O indicador é utilizado em diversas operações financeiras, inclusive na liquidação de contratos e derivativos.

Por isso, o último dia útil do mês pode apresentar uma dinâmica diferente da observada em sessões comuns. A concentração de operações próximas aos horários utilizados no cálculo da taxa pode elevar a volatilidade e provocar movimentos mais acentuados no dólar.

O que os dados dos Estados Unidos mostram

No exterior, os investidores receberam dois indicadores importantes. A estimativa final mostrou que o PIB dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2,2% no segundo trimestre de 2026, acima da previsão anterior de 1,5%.

Ao mesmo tempo, o índice PCE, uma das principais referências de inflação acompanhadas pelo Federal Reserve, avançou 0,3% em agosto. Na comparação anual, a alta foi de 3,4%, enquanto o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, registrou avanço anual de 3%.

Os números apresentam sinais mistos para o mercado. A atividade econômica americana mostrou mais força do que o anteriormente estimado, enquanto a inflação veio abaixo das expectativas em agosto. Esse conjunto de informações é relevante para as projeções sobre os próximos passos da política monetária americana.

Para o câmbio brasileiro, mudanças na percepção sobre os juros dos Estados Unidos são importantes porque podem alterar a atratividade relativa dos investimentos em dólar e em mercados emergentes.

Cenário brasileiro também pesa sobre o câmbio

No Brasil, a atenção se voltou para as novas estatísticas fiscais divulgadas pelo Banco Central. A Dívida Líquida do Setor Público chegou a R$ 9,24 trilhões em agosto, equivalente a 69,3% do PIB. A Dívida Bruta do Governo Geral alcançou R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB.

O resultado fiscal é acompanhado de perto pelos investidores porque alterações na trajetória da dívida podem influenciar as expectativas para juros, inflação e risco dos ativos brasileiros.

Em agosto, o setor público registrou déficit primário de R$ 10 bilhões. As despesas com juros também tiveram peso significativo no resultado, em um ambiente de taxa básica de juros elevada.

Esse cenário ajuda a explicar por que o comportamento do real não depende apenas das notícias vindas do exterior. As condições das contas públicas, as perspectivas para a política monetária e a percepção de risco do país também entram na formação do preço do dólar.

Petróleo permanece no radar dos investidores

Outro fator observado nesta quarta-feira é o mercado de petróleo. A commodity tem impacto direto sobre as expectativas de inflação mundial, principalmente porque combustíveis e derivados afetam os custos de transporte e de produção.

As incertezas relacionadas ao Oriente Médio continuam contribuindo para a volatilidade dos mercados internacionais. Ao mesmo tempo, sinais de normalização de algumas rotas de comércio e de oferta ajudam a reduzir parte das preocupações com interrupções prolongadas no fornecimento.

Para o Brasil, a relação é particularmente importante. O país é produtor e exportador de petróleo, mas também possui preços domésticos de combustíveis influenciados pelas condições internacionais.

Como o dólar se comportou em setembro

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A moeda americana iniciou setembro próxima de R$ 5,18 e, ao longo do mês, oscilou em uma faixa aproximada entre R$ 5,09 e R$ 5,23. Dessa forma, mesmo com a queda observada na última sessão do mês, a trajetória mensal foi marcada por variações relevantes.

O comportamento do câmbio ao longo do ano também não foi uniforme. Considerando a Ptax, houve meses de valorização e de desvalorização do dólar diante do real, refletindo mudanças nas expectativas sobre juros, atividade econômica, commodities e condições financeiras internacionais.

Para quem acompanha a cotação para viagens, compras internacionais ou investimentos, isso significa que uma queda em determinado pregão não representa necessariamente uma mudança permanente de tendência.

Empresas também movimentam o mercado

A sessão ainda é marcada por notícias corporativas. A Raízen convocou acionistas para deliberar sobre uma nova classe de ações, enquanto a Tenda aprovou um programa para recompra de até 5 milhões de ações ordinárias.

A J&F, por sua vez, anunciou uma captação de US$ 1,32 bilhão com bancos para alongar o perfil de sua dívida. Já o GPA recebeu autorização da Susep para operar uma corretora de seguros em âmbito nacional.

No setor aéreo, a Azul fechou uma operação de crédito de R$ 2,66 bilhões com o BNDES, destinada ao reforço de seu caixa.

Esses acontecimentos não determinam isoladamente a direção do dólar, mas fazem parte do conjunto de informações analisado pelos participantes do mercado durante uma sessão de elevada movimentação.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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