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Dólar em alta e noticiário local pressionam taxas futuras de juros

Juros futuros sobem com dólar e Treasuries após decisão do STF sobre IOF, veto de Lula e pesquisa que aponta favoritismo para 2026.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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Os juros futuros operam em alta na manhã desta quinta-feira (17), refletindo um ambiente de maior aversão ao risco. A movimentação dos contratos de DI ocorre em meio à alta do dólar, à elevação nos rendimentos dos Treasuries norte-americanos e a um noticiário doméstico que contribui para acirrar as tensões entre os Poderes da República.

As decisões políticas recentes, envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, somadas ao cenário externo mais desafiador, influenciam diretamente o comportamento dos investidores, que buscam proteção em ativos menos expostos ao risco Brasil.

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Alta dos juros futuros

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Imagem: Freepik/edição: Seu Crédito Digital

Na abertura dos negócios, os juros futuros apresentaram elevação em toda a curva, com destaque para os vértices intermediários e longos. O contrato de DI para janeiro de 2027 chegou a subir 11 pontos-base, refletindo uma percepção crescente de risco fiscal e institucional.

Segundo analistas, o movimento também se alinha ao avanço do dólar, que rompeu momentaneamente a barreira de R$ 5,45, e ao aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, que voltaram a se aproximar de 4,30% ao ano na taxa de 10 anos.

Decisão do STF sobre o IOF impacta percepção de risco

Um dos principais gatilhos do movimento nos mercados foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que validou parcialmente o decreto presidencial que elevou as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A Corte rejeitou, contudo, a cobrança sobre operações de risco sacado, uma modalidade que afeta diretamente empresas com necessidade de antecipação de recebíveis.

Essa decisão, embora tenha mantido a maior parte do decreto, foi lida por parte do mercado como mais uma sinalização de que a política econômica do governo pode ser judicializada, criando instabilidades para projeções futuras sobre arrecadação e impacto fiscal.

A exclusão do risco sacado do escopo de tributação retira da base de arrecadação uma fonte relevante de receita estimada. Para o mercado, isso pode implicar uma compensação futura via outros instrumentos, reacendendo o temor de aumentos tributários ou revisão de metas fiscais.

Dólar e Treasuries reforçam pressão sobre os juros

No ambiente externo, os Treasuries operam em alta com investidores reagindo a novos dados macroeconômicos dos EUA, que indicam resiliência da economia e reforçam apostas de que o Federal Reserve manterá os juros elevados por mais tempo.

Esse cenário eleva o custo de oportunidade global e gera fuga de capital de mercados emergentes, como o Brasil, pressionando o câmbio e os juros domésticos.

A cotação do dólar voltou a subir no Brasil, mantendo a trajetória de valorização iniciada após o anúncio das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Esse fator, além de contribuir para a pressão inflacionária, também afeta o humor dos investidores.

Pesquisa Genial/Quaest aponta fortalecimento de Lula

Paralelamente aos movimentos do mercado, a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira mostra uma leve recuperação da avaliação do governo Lula, mesmo após o anúncio do tarifaço dos EUA.

O levantamento indica que o presidente venceria as eleições presidenciais de 2026 em todos os cenários simulados, seja contra Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas ou outro nome da direita.

Esse resultado foi interpretado de formas distintas pelo mercado. Para parte dos analistas, o fortalecimento político do presidente amplia a margem de manobra para avançar em pautas econômicas, o que poderia ser positivo. Por outro lado, a permanência de um Executivo com baixa interlocução com o Congresso pode acirrar as tensões institucionais, como visto em decisões recentes.

Lula veta aumento no número de deputados federais

Outro elemento que adicionou instabilidade ao cenário político foi o veto do presidente Lula à proposta aprovada pelo Congresso que previa aumento do número de deputados federais de 513 para 531.

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A justificativa do Executivo foi de que o aumento causaria impacto orçamentário sem ganho proporcional na representatividade, sobretudo em um momento de contenção fiscal. No entanto, a decisão gerou mal-estar entre parlamentares da base e da oposição, sendo interpretada como um novo capítulo na já desgastada relação entre Executivo e Legislativo.

O veto pode ser derrubado pelo Congresso em votação posterior, o que abriria novo flanco de disputa entre os Poderes.

Em segundo plano: deflação no IGP-10 surpreende

Enquanto as questões políticas e institucionais dominaram as manchetes, o dado econômico relevante do dia acabou ficando em segundo plano. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), que registrou deflação de 0,65% em julho, resultado abaixo das expectativas do mercado.

Essa deflação foi puxada principalmente pela queda nos preços dos combustíveis e de alimentos no atacado. O resultado pode reforçar a percepção de desaceleração inflacionária no atacado, embora os efeitos no IPCA ainda sejam limitados.

Apesar do dado benigno, a curva de juros futuros não reagiu com queda, o que evidencia o peso das questões institucionais e fiscais no radar dos investidores neste momento.

Perspectivas para os próximos dias

cotação do dólar
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Com a combinação de alta dos juros nos Estados Unidos, tensão entre os poderes no Brasil e um ambiente político mais polarizado, o cenário permanece desafiador para ativos domésticos.

Analistas projetam que a curva de juros continue pressionada, especialmente se o governo não conseguir entregar medidas de ajuste fiscal concretas. A expectativa por novos anúncios do ministro Fernando Haddad, especialmente em relação à compensação de receitas e cumprimento do arcabouço fiscal, deve pautar os próximos pregões.

Além disso, as repercussões do veto ao aumento de deputados e o possível avanço da CPI da Crise Hídrica, defendida por parlamentares da oposição, também podem influenciar os humores do mercado.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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